A cerâmica portuguesa esteve presente numa exposição no Parlamento Europeu
Vinte e três peças de cerâmica representaram igual número de cidades e vilas portuguesas numa exposição que teve lugar no Parlamento Europeu, em Bruxelas.
Na iniciativa, que foi apadrinhada pelo eurodeputado Hélder Sousa Silva, membro da Comissão da Cultura e da Educação (CULT) do Parlamento Europeu, o eurodeputado recordou que apesar de Portugal “ser um país pequeno é, atualmente, é o segundo produtor mundial de cerâmica de mesa e decorativa”.
Sobre a exposição referiu também que “é apenas uma pequena mostra da variedade e diversidade de formas cerâmicas existentes no nosso país, e é também uma forma de celebramos a arte e a cultura portuguesas”. O eurodeputado sublinhou o facto deste setor empregar mais de 20 mil pessoas. Hélder Sousa Silva deixou ainda o alerta de que é necessário “assegurar a sobrevivência e o dinamismo do setor”. Tal desafio, disse, é um desígnio de todos: artesãos,trabalhadores, empresários, associações, municípios, Governo e União Europeia”. As entidades da UE, segundo o eurodeputado, aprovaram o Regulamento relativo à proteção das indicações geográficas de produtos artesanais e industriais que, a partir de 1 de dezembro de 2025, garante um sistema de proteção das Indicações Geográficas à escala da União Europeia.
O embaixador de Portugal na Bélgica, Pedro Cabral, que presidiu à abertura, afirmou que esta foi “uma iniciativa louvável do eurodeputado Hélder Sousa Silva”, pois “reforça a presença e identidade de Portugal no panorama europeu”.
Já exposição “Portugal Cerâmico” é da Associação Portuguesa de Cidades e Vilas de Cerâmica (AptCVC), criada em Mafra, em 2018, com o objetivo de valorização o património cerâmico português. Atualmente, a AptCVC é constituída por 31 municípios, que abrangem quase todo o território nacional. Desde finais de 2021, a associação integra a plataforma da cerâmica mundial, o Agrupamento Europeu Territorial das Cidades Cerâmicas (AeuCC).
Nesta mostra – onde trabalharam ao vivo os ceramistas José Pires (Mafra) e Fernando Russo (Barcelos) – estiveram representados, entre outros, os municípios de Alcobaça, Aveiro, Barcelos, Caldas, Castelo Branco, Coimbra, Condeixa-a-Nova, Covilhã, Crato, Fundão, Ílhavo, Leiria, Loures, Mafra, Montemor-o-Novo, Oliveira do Bairro, Redondo, Tondela, Viana do Alentejo, Viana do Castelo, Vila Franca do Campo, Vila Nova de Poiares e Vila Real.
A proposta artística de Sílvia Jácome para a comemoração do Centenário deste semanário designa-se “Comemoração” e é uma jarra, feita de porcelana onde a autora usou as técnicas de modelação, enchimento, lastra e esgrafitado para a realizar.
À Gazeta das Caldas, a artista partilhou que foi com orgulho que quis fazer parte desta iniciativa em que se celebram s 100 anos deste jornal. Fê-lo recorrendo ao uso de uma forma “que faz lembrar o passado e que reflete nas linhas desenhadas os acontecimentos, as histórias que a Gazeta nos tem contado ao longo destes anos”.
A decoração com delicadas flores representam a própria identidade e a assinatura desta artista que escolheu o Oeste, mais especificamente Salir de Matos, para viver e trabalhar.
“De certa forma, elas são como as notícias, quando surgem são surpresa e novidade e com o tempo são substituídas por outras”, revelou a autora que nasceu em França e que viveu em Tomar.
Sílvia Jácome nasceu em 1973 em França mas veio viver para Tomar, a cidade dos seus pais.
A cerâmica entrou na sua vida quando frequentou o curso Design e Tecnologias para a Cerâmica na ESAD em 1994, tendo sido posteriormente designer de cerâmica na indústria. No entanto a vontade de fazer peças diferentes, que expressassem a sua voz, fez com que acabasse por criar o seu próprio projeto na cerâmica. Ao longo do seu percurso profissional frequentou vários cursos e formações no Cencal. Participou em feiras, mercados de artesanato, design e cerâmica em várias cidades do país e nos Países Baixos.
Em 2024, Sílvia Jácome realizou a sua primeira exposição individual na cidade onde reside e trabalha, nas Caldas. Nesse ano foi-lhe atribuído o prémio da Melhor Peça de Artesanato com ligação à Identidade e Património da Covilhã.
A autora – que será uma das participantes da Mestra, a mostra de cerâmica que acontecerá no Parque entre os dias 20 e 22 de junho – costuma desenvolver projetos de cerâmica nas escolas do concelho das Caldas e, este ano, na EB de Salir de Matos trabalhou com alunos de sete turmas. Já fez outras oficinas cerâmicas noutras escolas como a EB de Santo Onofre.
A artista, que é uma habitué de eventos como o Bazar à Noite – está ainda a preparar uma exposição individual que será apresentada em Tomar no próximo mês de julho.
“Comemoração”, a jarra que celebra o centenário da Gazeta de Sílvia Jácome – que está a pensar em mudar os tons da própria peça – pode ser adquirida na loja do jornal (R. Rual Proença 56-C ou também on-line. Custa 100 euros e será feita uma série de apenas uma dezena de obras. ■
Romance histórico sobre D. Dinis foi apresentado na Biblioteca
Natália Constâncio esteve nas Caldas, a 7 de junho, para apresentar o livro “ Romance de Dom Dinis. El-Rey que (nom) fez tudo quanto quis” na Biblioteca das Caldas.
Trata-se de um romance histórico que retrata a vida e o relacionamento de Dom Dinis (1261 – 1325)e de Dona Isabel (1270- 1336) e, embora se trate de um romance que apresenta o discurso do Rei, a obra tem como protagonista a Rainha D. Isabel.
“A narradora é do século XVII e a narrativa refere-se ao século XIII”, disse a autora que fez questão de recordar que um romance histórico “é sempre verosímil ou seja “poderia ter acontecido assim ou não”.
A narradora desta história “é alguém à frente do seu tempo”, contou a criadora do romance acrescentando que esta partiu em peregrinação para a Terra Santa e no regresso quando está em Roma assiste na Igreja de Santo António dos Portugueses ao Sermão da Rainha Santa Isabel, pelo padre António Vieira, em 1674.
Nesta obra há dados históricos mas também muita ficção dado que se trata de um romance.
Ao contrário da maioria dos reis, D. Dinis escolheu a sua noiva, D. Isabel e foi um casamento com amor, não era um contrato entre reinos como a maioria”, disse Natália Constâncio. A infanta Isabel de Aragão no início não tinha grande vontade de se casar mas acaba por aceitar o pedido de casamento de D. Dinis “que era igualmente importante para o reino de Aragão”.
D. Isabel vem muito jovem para Portugal e é uma mulher que acredita na igualdade entre homem e mulher “aos olhos de Deus”, algo que o seu futuro marido vai aceitar.
O casal tinha também vários interesses em comum, nomeadamente, gostavam ambos de literatura e de escrever.
É el rei D. Dinis que inicia o projeto da língua portuguesa pois antes falava-se o galaico-português.
É de facto D. Dinis que implementa a regra de escrever os documentos em português, ideia já iniciada por seu pai, D. Afonso III.
Além de ter instituído que os documentos oficiais passariam ser escritos em língua portuguesa. também está ligado ao início da Universidade de Coimbra e à fundação em Lisboa de um Estudo Geral (futura universidade), em 1290. D, Dinis também foi responsável pela tradução de importantes obras, algumas da autoria do seu avô.
Apesar de ser um romance histórico e, como tal, cruzar dados históricos com ficção “ela era uma mulher muito culta e poderiam ter tarefas conjuntas relacionadas com a escrita”, afirmou Natália Constâncio. A Rainha D. Isabel tinha um selo próprio com que lacrava as suas missivas, algo muito invulgar para uma mulher da época.
Na opinião da investigadora, a rainha D. Leonor poderá ter-se inspirado na Rainha D. Isabel pois ambas “eram muito cultas e educadas para o bem e para se preocuparem com o bem comum”.
A autora é doutorada em Estudos Portugueses e Investigadora Integrada do IELT (NOVA-FCSH). Coordena, com o historiador Daniel Alves (IHC-NOVA-FCSH), o “Atlas das Paisagens Literárias de Portugal Continental”.
É ainda autora do romance “O Homem que Vivia Dentro dos Sonhos” (2016) e de “A Súplica de D. Pedro” (2014).
Atualmente Natália Constâncio é professora nos ensinos básico e secundário. A autora já tem um outro romance histórico no prelo que será dedicado a Tróia.“Fiz um estudo sobre a Íliada e a Odisseia e vou dedicar o próximo livro a Troia”, disse a escritora que gostou de vir às Caldas para dar a conhecer este seu romance histórico dedicado a um casal real suis generis.
Convidados nacionais e internacionais debateram a diversidade cultural na ESAD.CR
“Vinte Anos, Muitas Vozes” designou a iniciativa que assinalou os 20 anos da Convenção da UNESCO sobre a Proteção e Promoção da Diversidade das Expressões Culturais. O evento decorreu na ESAD.CR a 6 de junho e reuniu especialistas internacionais e nacionais que debateram e apresentaram projetos relacionados com a diversidade cultural.
Um dos convidados foi Sverre Pederson, da ONG The State of Artistic Freedom 2025, que explicou que esta entidade monitoriza a liberdade artística em vários países, recolhendo informação por todo o mundo. “ China é um dos países mais difíceis e Rússia também, sobretudo desde a invasão da Ucrânia”, disse o convidado à Gazeta das Caldas acrescentando que qualquer artista que faça críticas ao regime de Putin “pode apanhar vários anos de prisão”. Só o facto de “estar em contacto connosco, pode significar cadeia”, disse o convidado norueguês. Há também vários países a implementar leis que são contra os direitos humanos e a liberdade de expressão, como na Rússia “e que estão a ser copiadas por alguns países como Hungria, a Sérvia e a Eslováquia”. Há muitos artistas em vários países que são censurados, vigiados, torturados e presos apenas por criticarem as ações dos seus governos. “Nalguns chegam a ser mortos pois são vistos como ameaça a tais regimes”, rematou Sverre Pederson que é também realizador de cinema, Já Susan Osideritse Keitumetse (UNESCO Chair on African Heritage Studies and Sustainable Development, University of Botswana – African Indigenous Knowledge, Communities and Heritage) relembrou que não basta proteger paisagens ou recursos naturais e animais. “Temos que incluir as próprias comunidades”, disse a docente que acha que os conhecimentos e memórias dessas pessoas “também podem ser bem acolhidas e trazidas para o mundo do turismo”.
Por seu lado, Filipa Francisco veio às Caldas para apresentar o projeto “A Viagem” que interliga as danças tradicionais com a contemporânea.
Há 14 anos que trabalha com ranchos folclóricos de todo o país. A autora deu a conhecer como tem sido feito este trabalho que deu origem a uma longa metragem que chega agora às salas de cinema. “Já trabalhei com 32 ranchos a quem se pede para improvisar”. Geralmente, no início, “há sempre alguma estranheza”, explicou a mentora que trabalha durante duas semanas com os grupos, acompanhada por bailarinos contemporâneos. No fim é feito um espetáculo “onde todos dão tudo e onde os dois mundos se unem”, rematou.
Da conferência fez parte uma original performance que foi coordenada por Tristany Mundu, artista que vive e trabalha na Linha de Sintra e que contou com elementos que estavam na plateia do auditório.“Num mundo onde é difícil manter a diversidade cultural é importante assinalar estes momentos”, disse Lurdes Camacho, diretora do GEPAC e ponto focal da Diversidade Cultural em Portugal.
Lígia Afonso, coordenadora da iniciativa contou que envolveu os seus alunos do mestrado de Gestão Cultural nesta realização de celebração que uniu as entidades públicas à escola de artes caldense.“Nunca é demais sublinhar que é necessário proteger a diversidade cultural”. Este tipo de iniciativas “que destacam as Caldas, a ESAD.CR e o IPL poderão também abrir portas para os nossos alunos”, acrescentou a docente.
A celebração continuou com a Academia do Bombo de Mafra que fizeram uma arruada e uma atuação no recinto exterior. Os PédeXumbo por seu lado ensinaram passos de danças tradicionais europeias e portuguesas e contaram com forte adesão do público. A ESAD.CR trabalhou com a autarquia das Caldas, com o Impulso e com o Plano Nacional das Artes.
Os PédeXumbo ensinaram alguns passos de danças tradicionais
Uma das performances que foi coordenada por Tristany Mundu
A primeira edição da Bienal de Pintura – Prémio Mário Botas vai realizar-se este ano, na Nazaré, numa iniciativa com que a autarquia visa homenagear o artista e incentivar a abertura do museu com o seu nome.
A Bienal de Pintura visa “homenagear o legado artístico do pintor Mário Botas e incentivar a criação artística, mas também contribuir com algum ímpeto para abertura do museu dedicado ao pintor, que tem vindo a ser sucessivamente adiado e que a autarquia gostaria que a Fundação [Mário Botas] pudesse agilizar para breve”, disse o presidente da Câmara da Nazaré, Manuel Sequeira, à agência Lusa.
A autarquia pensou em 2023 criar uma Bienal de Pintura “Prémio Thomaz de Mello”, mas deliberou em 2024 mudar o nome para Mário Botas, natural da Nazaré, cuja obra “marcou profundamente o panorama artístico português, promovendo o seu legado junto de novas gerações de criadores e do público em geral”, pode ler-se no regulamento aprovado pela Câmara.
O regulamento estipula que as obras admitidas em cada edição sejam expostas, nos meses de outubro e novembro, no Centro Cultural da Nazaré. Porém, Manuel Sequeira admitiu hoje à agência Lusa que “o regulamento possa ser alterado para que parte das obras possam ser expostas na Fundação Mário Botas FMB)”, instituída em 1983 pelo próprio pintor através do seu testamento público.
A fundação tem como missão dinamizar o museu que albergará a coleção de obras do seu fundador e, na opinião de Manuel Sequeira, “poderá albergar mostras de pinturas participantes na Bienal ou, se houver essa vontade, toda a exposição”.
A Bienal de Pintura Prémio Mário Botas é aberta a todos os artistas nacionais e estrangeiros que se dediquem à pintura e que podem concorrer com uma obra original, de tema livre.
As candidaturas estão abertas até ao dia 31 de julho e as obras serão selecionadas por um júri que integrará um representante da autarquia e dois elementos ligados às artes.
O regulamento prevê a seleção de 40 obras para serem mostradas numa exposição no Centro Cultural da Nazaré, nos meses de outubro e novembro, mas, segundo o presidente, “esse número poderá ser alargado para se estender a exposição à fundação”.
A Bienal institui ainda o prémio Mário Botas, no valor de 1.500 euros para a melhor obra de arte, 750 euros para o prémio revelação, e 500 euros para o prémio inovação.
Mário Ferreira da Silva Botas nasceu em 23 de dezembro de 1952, na Nazaré, terra dos seus pais e onde fez os estudos primários e secundários, como recorda a biografia patente na página da Câmara Municipal.
“Aluno brilhante, terminou o secundário com altas classificações e foi dispensado do exame de admissão à Faculdade de Medicina de Lisboa, onde ingressou em 1970. Licenciou-se com distinção em julho de 1975, mas quase não chegou a exercer Medicina”, acrescenta o mesmo texto.
Surpreendido por uma leucemia, em 1977, decidiu dedicar-se exclusivamente à pintura.
Mário Botas morreu em 29 de setembro de 1983 no Hospital da Cruz Vermelha, em Lisboa.
Na sequência sua morte foi instituída a FMB, segundo testamento do artista, com a missão de divulgar a obra do pintor e criar uma casa-museu.
A família doou um terreno, na Nazaré, para a instalação do museu e sede da fundação, cuja construção começou em 2002. A obra foi concluída há vários anos, num investimento superior a 2,2 milhões de euros, mas a abertura ao público foi sucessivamente adiada devido a problemas burocráticos, solucionados em 2023, quando arrancaram as primeiras iniciativas no espaço.
Grupo de rock e art punk, com ligações às Caldas, tem um novo trabalho
Democrash, o projeto musical de Octávio Nunes (ex-Red Beans, na voz, guitarra, eletrónicas e composição das letras), Ricardo Rezende (baixo, voz de apoio), Rui Garrido (guitarra), Vítor Martins (sax, guitarra, percussão, voz de apoio) e Zé Fontainhas (bateria) têm um novo álbum, designado Important People é o segundo dos Democrash e tem selo da Raging Planet e da Vinil Experience.
Octávio Nunes ligado a projetos culturais da A062 é também, com Ricardo Rezende, um dos mentores da série humorística Pionés. Vive há décadas nas Caldas e conta que esta sua banda se dedica às sonoridades rock, punk, funk, à electronic music, ao vintage and white noise, à performance e à art punk. O grupo, que já tocou no CLN e num espaço dos Silos, apresentou Important People a 16 de maio, no Tóquio, em Lisboa, e a apresentação pôde contar com público de várias idades, provando que a música do grupo também chega a camadas jovens do público.
“Vivemos num equilíbrio frágil”
“Cada um traz as suas influências para o som do grupo”, disse Octávio Nunes, referindo ainda que os géneros são tão diversificados que acabam por dar origem a um estilo sonoro diferente. Também se dá a devida atenção “à letra das canções” que se compreende desde o primeiro ao último verso. Cantam em inglês e refletem não só sobre a experiência do quotidiano mas também têm temas com reflexões com as questões ambientais ou sobre a possibilidade de catástrofe ou de um colapso. “Tivemos há pouco tempo uma amostra com o apagão…O que prova que vivemos num equilíbrio muito frágil”, contou o compositor das letras das canções do grupo.
Há ainda uma outra reflexão sobre o reconhecimento dos artistas na sociedade atual que necessitam de validação externa, de “pessoas importantes”. E daí o título deste longa duração.
O projeto musical é constituído por designers, advogados, realizadores, informáticos e marceneiros e que têm idades entre os 55 e os 64 anos.
“Pretendemos apresentar o álbum nas Caldas”, disse o músico que gosta sobretudo de ensaiar e de “inventar novas canções”.
Octávio Nunes gostaria que as músicas dos Democrash fossem ouvidos por mais gente e é sempre uma surpresa como sucedeu recentemente pois responsáveis de rádios on-lines de outros países europeus deram com as músicas do grupo e estão a difundi-las para os seus públicos da Grécia, de França e Reino Unido.
O álbum está à venda nas plataformas como a Bandcamp e no site do grupo. Os Democrash farão parte de um Festival que vai acontecer no próximo mês de agosto em Lorvão. Atuarão no mesmo dia que os Ena Pá 2000.
O grupo tem apostado em CD e em vinil, visto que apostar neste último, está na moda. “No vinil dá para ler as letras das músicas sem lupa”, disse o músico que ainda salientou a qualidade do som deste último álbum, gravado no estúdio Bela Flor, em Lisboa. Os Democrash têm tocado em várias salas que fazem parte do circuito rock do país, e já tocaram no festival caldense Impulso. Além de dar a conhecer o que se faz em termos de música alternativa, é um espaço onde os jovens que estudam na ESAD.CR também têm a oportunidade de experimentar “o que é necessário fazer para realizar um festival de música”.
No próximo dia 12 de junho, pelas 18h00, vai inaugurar a exposição “Matéria / Ação – Escultura e vídeo dos anos 1960 e 1970”, da coleção da Fundação de Serralves, no Museu Leopoldo de Almeida, do Centro de Artes das Caldas da Rainha.
A mostra vai estar patente até outubro e reúne um conjunto de esculturas das décadas de 1960 e 1970, que permite reconhecer aspetos centrais às práticas artísticas associadas à escultura abstrata britânica, ao minimalismo norte-americano e, sobretudo, ao pós-minimalismo e à arte processual que marcaram o final da década de 60 e o início da década de 70.
As obras escultóricas da coleção da Fundação de Serralves serão apresentadas em diálogo com trabalhos em vídeo do mesmo período, evidenciando pontos de contacto e interferências entre os dois campos de criação que se desenvolveram, em grande medida, a par e par, por influência mútua e por contraste.
Esta exposição, com curadoria de Joana Valsassina, integra ainda o Programa de Exposições Itinerantes da Coleção de Serralves e que tem por objetivo tornar o acervo da Fundação acessível a públicos diversificados de todas as regiões do país.
A Câmara das Caldas da Rainha é uma das fundadoras de Serralves e já recebeu em 2023 a exposição “Manoel de Oliveira Fotógrafo”, cujo arquivo pessoal está depositado na Fundação de Serralves.
A autarquia caldense aderiu durante quatro anos ao Conselho de Fundadores da Fundação de Serralves, o qual prevê o pagamento de uma verba de 100 mil euros durante esse período de tempo.
A exposição “Matéria / Ação – Escultura e vídeo dos anos 1960 e 1970” vai estar patente no Museu Leopoldo de Almeida, no Centro de Artes, até ao próximo dia 27 de outubro.
No próximo dia 7 de junho (sábado), pelas 16h00, a autora Natália Constâncio apresenta o livro “ Romance de Dom Dinis. El-Rey que (nom) fez tudo quanto quis”. O romance histórico retrata a vida e o relacionamento de Dom Dinis e de Dona Isabel e, tem como protagonista a Rainha . A autora é doutorada em Estudos Portugueses e coordena, com Daniel Alves, o “Atlas das Paisagens Literárias de Portugal Continental.
Escola caldense está a organizar um colóquio que terá agentes culturais de vários países
Na sexta-feira, 6 de junho, a ESAD.CR acolhe o colóquio internacional de celebração dos 20 anos da Convenção da UNESCO sobre a proteção e a promoção da diversidade das expressões culturais, refletindo sobre desafios e conquistas realizadas, de 2005 a 2025. O programa do colóquio contará com várias participações e formatos, desde concertos e performances a apresentação de projetos, a conversas com artistas e académicos, do baile ao djing, e desenvolve-se a partir dos vários dos temas da convenção.
Em debate vão estar temáticas como “A expressão e diversidade cultural como direitos humanos”, “Educação para a diversidade”, “Originalidade e pluralidade das identidades” ou “Livre circulação de ideias, imagens e palavras”.
“Esta será uma oportunidade plural que conta com o contributo de convidados internacionais e projetos de relevo no âmbito de diversas temáticas sobre o estado da cultura no mundo”, explicou a docente Lígia Afonso que trabalhou esta iniciativa com os seus alunos do curso de mestrado em Gestão Cultural da ESAD.CR .
Entre os muitos convidados vão estar por exemplo a Orquestra Geração, Maria Acaso, Sverre Pederson da Freemuse, Filipa Francisco do Projeto A Viagem (que une ranchos folclóricos com dança contemporânea), Fátima Tomé da Traça – Filmes de Família e o Língua – Festival de Teatro em Línguas Minoritárias. Susan Keitumetse, da UNESCO Chair on African Heritage Studies and Sustainable Development, University of Botswana. Participarão também Tristany Mundu | da Academia do Bombo, a associação PédeXumbo, a DJ Danikas e Jade Nunes e Pedro Colaço, da Adenda dos Jovens à Carta do Porto Santo — Caldas da Rainha/ Loulé.
Marcarão igualmente presença o Centro de Educação Especial Rainha D. Leonor e representantes das Cidades Criativas: Municípios das Caldas da Rainha, Leiria e de Óbidos .
“Queremos que todas as atividades sejam inclusivas, incluindo o momento das refeições”, rematou a organizadora.
Os promotores são o Instituto Politécnico de Leiria: Cátedra UNESCO em Gestão das Artes e da Cultura, Cidades e Criatividade, LiDA – Laboratório de Investigação em Arte e Design, Mestrado em Gestão Cultural da Escola Superior de Artes e Design das Caldas da Rainha | GEPAC – Gabinete de Estratégia, Planeamento e Avaliação Culturais | Comissão Nacional da UNESCO.
Conta-se com a parceria da autarquia, do Impulso e do Plano Nacional das Artes.
A 7 de junho, pelas 16h00, os Pimpões vão acolher o musical “Alice no País das Maravailhas”. Deste espetáculo para toda a família fazem parte a curiosa Alice que é projetada para um mundo imaginário onde “há seres fantásticos como o Coelho Branco, o Chapeleiro Louco, a Lagarta, o Gato Sorridente e a temida Rainha de Copas”.
No próximo sábado, dia 7 de junho, vai realizar-se mais uma edição do mercado criativo, Bazar à Noite. Esta edição esteve inicialmente prevista para o dia 3 de maio mas teve que ser adiada por causa do mau tempo. Desta forma, no próximo sábado não vão faltar no tabuleiro da Praça bancas com peças de autor, produtos criativos das área da moda, do design, da ilustração, da edição independente, dos produtos biológicos, das artes plásticas, da cerâmica e do design textil, da música e as artes performativas.O mercado criativo Bazar à Noite vai decorrer entre as 17h00 e as 23h00.
Meliantes entraram no Museu de Cerâmica e roubaram azulejos do seu espaço exterior
Com o enceramento do Museu da Cerâmica, no mês de março, de modo a dar início às preparações relativas à requalificação daquele museu, “infelizmente, as vulnerabilidades de seus espaços ficam mais evidentes”, informou Nicole Costa, a diretora dos museus Malhoa, Cerâmica e da Nazaré.
Assim, pouco tempo após o seu encerramento ao público, o Museu da Cerâmica “foi alvo de depredações em duas floreiras e dois painéis exteriores, em duas ações de vandalismo”.
Ainda segundo a diretora “foram danificados estes itens, assim como foram furtados azulejos que integram as referidas floreiras e painéis”. Ainda segundo Nicole Costa, as autoridades policiais foram informadas destes factos e as investigações estão a decorrer, pelo que “esperamos que seja possível recuperar os itens”.
Questionada sobre o que estava a ser feito para assegurar a vigilância do espaço, a responsável informou que para ampliar a prevenção de segurança, “intensificamos as rondas em nossos jardins, inclusivamente nos finais de semana, atividades que se juntam à monitorização através de sistema de alarme”.
A coleção do Museu de Cerâmica está a ser digitalizada e as suas peças estão a ser condicionadas para poderem ser guardadas, em edifício camarário, afeto ao Centro de Artes para se proceder ao início das tão necessárias obras naquele espaço.
O Palacete precisa de obras urgentes dado que não está nas melhores condições para albergar a coleção.
Além do palacete, que acolhe a exposição permanente, o museu caldense ainda integra um edifício secundário onde ficam a sala de exposições temporárias, a loja, a olaria e o centro de documentação. O orçamento que rondará os dois milhões de euros e a Museu e Monumentos está à procura de financiamento comunitário que possa contribuir para a recuperação do museu.
Classificado como Monumento de Interesse Público, este museu abriu ao público em 1983. Instalado na Quinta Visconde de Sacavém, adquirida para o efeito, em 1981, o Museu de Cerâmica possui peças de centros cerâmicos nacionais e estrangeiros, desde o século XVI à atualidade.
Já começou a celebração do legado da Rainha D. Leonor com conferência e ceia quinhentista que teve lugar no Hospital Termal
A 31 de maio, a Secundária Bordalo Pinheiro, acolheu a conferência “Uma Rainha para Quinhentos Anos: D. Leonor (1458-1525)”, proferida por Isabel dos Guimarães Sá. A biógrafa – autora do livro “De Princesa a Rainha-Velha” – afirmou que não há retratos da rainha, apenas figurações que não tinham a função de retratar a sua fisionomia. Logo “é uma pessoa que não tem rosto, nem cor”. Pelo contrário, o seu nome é apresentado como Leonor de Avis, de Lencastre, de Beja, de Viseu ou seja “nem o nome é fácil”. Falar desta rainha envolve um esforço de abstração pois apesar de falar português “seria muito diferente daquilo que se tornou hoje”.
Apesar da falta de fontes, “percebi que a rainha que nunca foi governante, mas tentou aproveitar o melhor possível os privilégios da sua condição”. Descendente de uma família poderosa, que era mais rica que o próprio rei, “era uma mulher pragmática que sabia da área de negócios por causa da família”. D. Leonor era também grande conhecedora do Latim, que era então a língua da religião.
A rainha teve apenas um filho, D. Afonso, que faleceu num acidente em Santarém. Tinha 32 anos e foi a partir deste trágico acontecimento que “deixou o Reino órfão”.
Quanto às Caldas, Isabel dos Guimarães Sá explicou que a rainha não teve intenção de fundar uma cidade, mas sim de “fundar um hospital que depois acabou por se transformar numa cidade”. Trata-se de uma criação importante dado que é para todos: nobres, clero e povo . E isso é interessante e que está relacionado com o facto dela ter acumulado grande riqueza e de até ter prejudicado pelo menos três rainhas consortes “pois nunca lhes deu as suas terras”. Era muito pragmática e fez do Hospital das Caldas “uma entidade administrativa e autónoma, feita para durar”, rematou a historiadora que no seu livro tentou aproximar-se desta figura histórica que protegia os pobres. Ao serão, realizou-se uma Ceia Quinhentista da Rota Raynha das Águas, no Hospital Termal. Ao todo 30 convivas tiveram a oportunidade de degustar alguns sabores da época.
A Ceia Quinhentista foi coordenada por Margarida Varela, da Rota Raynha das Águas. No início de repasto, deu a conhecer o rigor com que tentam inferir e ter a certeza da realização de algumas das receitas que poderão ter sido apreciadas na época da rainha. Nos pratos que foram confecionados “há o cheiro da abundância das especiarias” e por isso gengibre, canela e cravinho da Índia marcaram presença nas propostas. Na base desta prova gastronómica são os produtos do Oeste “tal como acontecia quando a Rainha vinha para as Caldas”.
As entradas incluíram uma cataplana de berbigão de cebolada, mexilhões de Achar, almondegas Segredos de D. Beatriz e ovos de codorniz que poderiam ser mergulhados numa calda doce.
A original refeição foi servida com vinho quente e infusão de chá e começou com a degustação de uma tosta de pão, onde foi servido um desfiado de láparo caramelizado sobre uma conserva de beringela.
Seguiu-se um prato de búzios com grão e açafrão e depois, carne de vaca com ameixas, que foi cozinhada em vinho tinto da região. Foi servido com pão frito e cabeça de nabo. Serviram-se, entre outras, Pão de Lot, Lampreia, Torta Arrelia que foram acompanhadas por hidromel. Antes das sobremesas, a vereadora Conceição Henriques recordou que as duas atividades – conferência e ceia – integraram o Programa Evocativo dos Cinco Séculos de Legado da Rainha D.ª Leonor.
A autarca afirmou que haverá mais conferências e ceias nesta celebração que decorre até novembro e que conta com a colaboração de vários parceiros da cidade. A refeição foi servida com a colaboração de alunos da Escola de Hotelaria e Turismo do Oeste.
Margarida Varela foi a responsável pela Ceia Quinhentista
O Caldas Late Night (CLN) continua a provar que é um evento para vários públicos e que reflete o que se passa no mundo
“O Caldas é de todes para todes!” é um dos slogans que pode ler-se no próprio mapa desta 28ª edição do CLN e de facto terá sido uma das edições mais inclusivas com preocupações várias e com espaço para iniciativas feitas por grupos minoritários.
Houve inclusivamente um espaço de denúncia, que estava à disposição dos visitantes numa das intervenções, para quem sentisse que estava a ser alvo de algum tipo de discriminação.
“O nosso projeto está inserido aqui na Casa Não”, disse Mariana Cerejo, uma das responsáveis pelo projeto The Relationship Design Game, que podia ser adquirido no Céu de Vidro. Este albergou várias performances onde a sexualidade foi o mote principal.
“Estamos também a promover o evento Speed Dating onde vai ser possível os participantes jogarem o Sexuality Design Game e a ideia é poderem conversar sobre relacionamentos e sexualidade”, disse a designer, que conhece bem o CLN pois já veio participar em edições anteriores.
Já Iago Moura Mota veio do Porto para participar no evento com uma intervenção poética que teve lugar nas ruínas da Casa da Cultura. Transfigurado numa estranha figura, vestido de branco e negro, o autor apresentou um espetáculo poético onde fez um balanço sobre o seu último ano e que envolve uma passagem nas Caldas da Rainha.
Já numa das travessas sem saída da Praça 5 de Outubro, onde fica o restaurante Taskinha do Beco, a artista Vera Gonçalves fez desafios à perceção dos visitantes da iniciativa. A autora, que trabalha na ESAD.CR colou cadeiras e uma mesa numa parede, mudando a perceção que se tem do próprio lugar. “Houve muita gente que veio interagir com o próprio espaço”, disse a artista, que ainda colocou em fundo uma imagem do Hospital Termal – obtida em 360º- e que nos dava a sensação ótica de que um visitante ficava “pendurado” numa janela lateral ao edifício. Ao fundo dessa imagem, também estão os Pavilhões do Parque.
“Proponho que as pessoas procurem outras dinâmicas”, disse Vera Gonçalves, enquanto recebia um novo grupo que veio experimentar a sua instalação. Eram as antigas estudantes da escola de artes caldense, Carolina Lopes e Ana Magalhães que se formaram em Artes Plásticas e que são respetivamente do Entroncamento e do Porto.
“O nosso grupo da faculdade ficou muito unido e como uma das nossas amigas veio vender cerâmica no Mercado do Artesanato, decidimos fazer um reencontro”, contaram as jovens, que acham que o CLN “dá um movimento completamente diferente à cidade. Esta ganha uma outra vida!”.
A caldense Rita Duarte foi uma das autoras que esteve a vender no Mercado do Artesanato, que decorreu a 30 de maio no Parque.
Há seis meses que transforma talheres antigos em peças de bijuteria como brincos ou anéis. “Compro as colheres antigas em feiras de velharias e é a primeira vez que estou a mostrar o que faço no CLN”, disse a autora que usa a concha para brincos e o suporte para anéis. Diz que conhece o CLN “desde que nasceu” pois tem menos um ano que o evento, que este ano assinala o 28º aniversário. Rita Duarte, que vem de 15 em 15 dias à sua terra natal, considera que “é incrível como se consegue colocar tantas iniciativas a acontecer ao mesmo tempo em três dias e que continua a atrair tanta gente às Caldas”.
Mariana Fralda é artista plástica e é de Almada. Ficou pelas Caldas, após se ter formado na ESAD.CR. Estava a expôr numa das salas do Posto de Turismo. “Faço uma interpretação dos corpos, testando os imites do sentir, refletindo sobre o conforto e o desconforto”, disse a autora que tanto se expressa em pintura, gravura comno em escultura. Neste momento está também dedicada à cerâmica onde também inscreve vários corpos.
Mariana Fralda veio mostrar a sua mostra a um grupo de amigos que veio de Almada para o CLN e foi ficando, dando a conhecer aos muitos visitantes pormenores sobre o seu trabalho.
Para a autora, o Caldas é, por um lado, “complexo pois tem muita coisa a acontecer em simultâneo” enquanto que, por outro, continua a ser “muito interessante” pois dá espaço aos artistas e permite “dar a conhecer os seus trabalhos”. A artista já teve a oportunidade de expôr numa mostra no Museu Malhoa. “E é o CLN que nos abre essas portas”, rematou a autora.
Luta e Slide são apostas ganhas
Sempre com grande adesão do público realizou-se no sábado, 31 de maio, o Slide, na Rua do Ilha e a Luta das Almofadas que se concentrou na Praça da Fruta.
Além das galerias e lojas terem aberto para se transformarem em espaços culturais, o CLN também ocupou algumas (poucas) casas e alguns pátios exteriores. Foi possível fazer tatuagens a desoras, sobretudo da casinha, que é o símbolo do próprio evento. Famosas são também as intervenções itinerantes com bandas a tocar em carrinhas de caixa aberta, “sofás” com rodas que se deslocam por várias zonas e as muitas festas que acontecem em pontos chave onde há música, convívio, lenços de seda e até…bolas de sabão.
Em vários locais houve os chamados casarões onde foi possível ver exposições e sobretudo dançar ao som de DJ’s. Neste tipo de ocasião há sempre alguns excessos, seja no volume sonoro, seja no lixo do pós-evento ou nalguns comportamentos menos positivos, motivados pelo abuso de substâncias.
Este ano esteve presente, mesmo ao lado da banca onde foram distribuídos os mapas e onde se poderia comprar algum merchandising do evento, um espaço onde se poderia fazer o teste de álcool e conhecer os efeitos dos mais diversos tipos de drogas no organismo.
CLN dá lugar às minorias
À parte de alguns problemas técnicos, relacionados com logística, a iniciativa “correu muito bem” e voltou a atrair milhares de pessoas ao longo dos três dias.
O CLN – que continua a ser um porto de reencontro para antigos estudantes da ESAD.CR – continua a ser um dos eventos “que oferece maior diversidade de programação cultural e que atrai gente de todo o país!”, disse Bruno Barros, um dos elementos da organização.
Em vários locais, sobretudo durante as tardes, houve tempo e espaço para várias minorias se darem a conhecer através de “lugares de fala” de poesia ou até de performances. Este foi um Caldas “de luta” pois houve espaço para a diferença.
“Há de facto muitos públicos diferenciados que procuram coisas diferentes do próprio evento”, reconheceu o organizador, que considera que o CLN é a iniciativa “mais democrática que se faz nesta localidade”. O Impulso também fez parte e ofereceu 14 concertos, que decorreram em espaços como o Centro de Artes, Silos, CCC e na Igreja do Pópulo. A maioria contou com casa cheia e, portanto, será para repetir no próximo ano. O evento, que conta com o apoio logístico da Câmara das Caldas, teve várias intervenções onde se demonstrou apoio ao povo da Palestina.
Outro momento alto é o Slide que é feito na Rua do Ilha
As casas abrem-se para mostrar intervenções ou eventos
Intervenção de Vera Gonçalves “mexeu” com a perceção
As festas na rua contaram com momentos de boa disposição
Várias lojas transformaram o seus espaços em galerias
Mais um momento divertido do Slide
Impulso trouxe a música coral dos Leida à Igreja do Pópulo. Foi um dos 14 concertos gratuitos que integraram o CLN
O FOLIO – Festival Literário Internacional de Óbidos foi distinguido com a medalha de honra da Sociedade Portuguesa de Autores (SPA), numa cerimónia integrada nas celebrações do seu 100º aniversário. Esta distinção reconhece o FOLIO, que se realiza desde 2015, como um dos “mais relevantes festivais literários do país, pelo seu papel na valorização da literatura, da criação artística e da promoção do livro e da leitura, tanto em Portugal como além-fronteiras”, refere a autarquia em nota de imprensa.
“Este é um festival que nasceu em Óbidos e que hoje é património literário de todos. Esta distinção é também um estímulo para continuarmos a investir na cultura com ambição, qualidade e sentido de missão”, afirmou o presidente da Câmara, Filipe Daniel, que atribuiu o prémio a todos quantos fazem o festival acontecer e o colocaram “num patamar de excelência”. Destacou ainda a presença do FÓLIO nas freguesias e nas escolas, que se tem vindo a consolidar e que “está a dar resultados visíveis”, com o envolvimento da população.
Óbidos esteve em destaque no evento e há ideias futuras para ligar os dois lugares ibéricos relacionados com livros
Óbidos, reconhecida com o selo de Cidade Criativa da Literatura pela UNESCO, esteve em destaque na 43.ª edição da Feira do Livro de Granada (Espanha). A vila medieval vizinha foi a”cidade” convidada deste evento que decorreu entre os dias 9 e 18 de maio de 2025.
A participação de Óbidos nesta iniciativa veio “reforçar os laços culturais entre estas duas localidades singulares”, explica nota de imprensa.
A cerimónia de abertura da Feira do Livro de Granada, realizada no pátio do Município de Granada, contou com a presença de Margarida Reis, vereadora com o pelouro da Cultura do Município de Óbidos, que integrou o painel ao lado de representantes institucionais locais e regionais espanholas.
Segundo comunicado, durante o evento, Margarida Reis sublinhou a importância da colaboração internacional na promoção da literatura e expressou o orgulho de Óbidos em participar numa feira dedicada ao tema “Mulheres, Literaturas”, que homenageou o contributo das mulheres na história literária.
Ao longo do fim de semana desta realização, Óbidos marcou presença em várias atividades, incluindo na mesa-redonda “Duas cidades irmãs pela literatura: Óbidos-Granada”, e que contou com a participação dos escritores naturais de Granada e que fizeram uma residência literária de um mês na vila das rainhas: Begoña Callejón, Alejandro Pedregosa, Cristina Gálvez, Antonio Pomet, Marina Tapia e Begoña M.
Oportunidade de futuras colaborações
Esta sessão proporcionou ainda uma reflexão sobre as iniciativas literárias desenvolvidas nas duas localides e exploraram também oportunidades de futuras colaborações.
Na ocasião, a vereadora da Cultura de Óbidos, Margarida Reis sublinhou a “importância de alargar esta parceria permitindo que escritores de Óbidos e Portugal possam também fazer residências” naquela cidade espanhola.
A presença de Óbidos na Feira do Livro de Granada permitiu, ainda, conversas bilaterais sobre projetos que possam ser desenvolvidos com a Universidade de Granada, assim como alargar a participação de Granada no Fólio, enquanto Cidade Criativa da UNESCO, evidenciando, assim, o compromisso do município vizinho com a promoção da literatura, da cultura e da cooperação internacional.
Óbidos é Cidade Criativa da Literatura, reconhecida pela UNESCO há dez anos e tem vários eventos literários que atraem escritores e leitores de vários quadrantes. Para além do Festival Internacional Literário de Óbidos, o município ainda organiza o evento “Latitudes – Literatura e Viajantes” e recebe escritores estrangeiros que residem no Oeste enquanto realizam as suas produções literárias. Tal como as Caldas da Rainha (Artesanato e Artes Populares), Óbidos também integra a Rede das Cidades Criativas da UNESCO. Além das oestinas fazem parte desta rede Castelo Branco (Artesanato e Artes Populares), Covilhã (Design), Idanha-a-Nova (Música) e Leiria (Música).
Ao todo serão 20 os espetáculos que fazem parte do festival e que decorrerão em vários espaços
O Festival de Teatro de Óbidos 2025 decorrerá entre os dias 6 e 28 de junho, e terá mais de 20 espetáculos gratuitos em vários espaços culturais do concelho.
A iniciativa terá um programa eclético que cruza diferentes géneros, estilos e gerações.
O auditório da Casa da Música, o Convento de São Miguel (Gaeiras) e a Casa José Saramago – Biblioteca Municipal de Óbidos serão os palcos de propostas que vão do teatro clássico à comédia, passando pela criação contemporânea, teatro infantil, projetos escolares e exercícios finais das práticas teatrais dinamizadas ao longo do ano.
O cartaz reúne companhias nacionais como a Força de Produção, que traz a comédia “Amigos da Treta” aos palcos de Óbidos (9 de junho, 21h00, Casa da Música), o Teatro do Vestido, com o espetáculo “Intimidades com a Terra” (7 de junho, 21h00, Convento de São Miguel, Gaeiras), encerrando com uma nova leitura do “Auto da Barca do Inferno”, de Gil Vicente, a cargo do GETAS (Grupo Experimental de Teatro de Animação do Sardoal) e com direção de José Ramalho (28 de junho, 21h00, Casa da Música). Destaque, ainda, para a peça “Uma cama para quatro”, da responsabilidade da Carlos Cunha Produções (27 de junho, 21h00, Casa da Música) e “Fim de Semana com Sogros”, a cargo do TIO – Teatro Independente de Oeiras (19 de junho, 18h00, Casa da Música).
Não faltarão propostas dos grupos locais, que têm grande destaque no Festival de Teatro de Óbidos. O Grupo de Teatro Águas Vivas de Olho Marinho, com encenação de Marlise Gaspar, exibe “Tantans de Vez” (8 de junho, 18h00, Casa da Música), enquanto o Grupo de Teatro Animais de Palco de Amoreira, com encenação de José Ramalho, apresenta as obras de Raul Brandão “O Rei Imaginário” e “O Doido e a Morte” (10 de junho, 18h00, Casa da Música). O Grupo de Teatro Reflexos de A-dos-Negros leva à cena, com encenação de Inês Fouto, “A lenda dos poetas vivos” (14 de junho, 21h00, Casa da Música), ao passo que o Grupo de Teatro A Raiz de Usseira, com encenação de David Cipriano, sobe ao palco para exibir a revista “De morrer a rir” (15 de junho, 18h00, Casa da Música) A programação valoriza a participação de escolas e de grupos juvenis, bem como por participantes.O festival arranca a 6 de junho (19h30, Casa da Música) com “Bruxa Arreganhadentes: A Verdadeira História”, a cargo da Criações Em Cena de Animadores e Auxiliares da Escola Básica do Alvito e Jardins Adjacentes.
Começa hoje, 29 de maio do Caldas Late Night (CLN). O evento que há 28 anos e que marca a agenda cultura da cidade sempre no final de maio está de volta e promete fazer parar a cidade das Caldas .
O evento cultural, que foi iniciado há 28 anos por alunos da ESAD.CR será este ano organizado por um grupo informal que é constituído por 30 elementos de artistas, estudantes e antigos alunos da ESAD.CR.
Estão planeados o Mercado das Artes, o Slide e a Luta das Almofadas. Os dois últimos eventos estão marcados para o último dia, sábado, 31 de maio. “Farão parte da programação propostas de artistas LGBTQIA+e um outro projeto da que fará uma intervenção contra a violência sexual e de género durante o evento. Também participará o grupo Palestina Livre Caldas nesta edição. Este ano, o próprio festival Impulso aliou-se ao evento e haverá concertos, nos dias 30 e 31 de maio, no CCC, nos Silos, Centro de Artes e a Igreja de N.ª Senhora do Pópulo. A 30 de maio vão atuar nas Caldas moisés, Joana Guerra, Subnoia, Bia Maria com o Coro Social do Bairro , YAKUZA, Ideal Victim , Cobrafuma e Zancudo Berraco. No sábado, 31 de maio, será a vez de LEIDA, bbb hairdryer, Vaiapraia, Agrupamento Musical Piscinas Municipais, Chat GRP e Fotocopia.
Por causa do CLN haverá várias ruas do centro da cidade que vão estar encerradas durante um determinado período de tempo. A lista pode ser encontrada nas redes sociais do evento ou da Câmara das Caldas. Também já está disponível o mapa com as localizações das intervenções artísticas. Quem quiser o mapa em papel poderá solicitar na casinha de madeira do evento que vai estar, como é habitual, na Praça 5 de Outubro.
A final do Concurso “Toma Lá Talento” vai realizar-se no próximo dia 5 de Junho, pelas 21h00, no CCC. O concurso nasceu da ideia da Associação de Estudantes da Secundária Raul Proença em 2015, sendo desde então, organizado com o objetivo de estimular o aparecimento e divulgação dos novos talentos do concelho. Concorrem à final duas equipas de cada escola, individualmente ou em grupo, com talentos artísticos.
A ceramista caldense Elsa Rebelo apresentará, a 21 de junho, a exposição “Muitas outras Criaturas” na Galeria Arte Periférica, que fica no Centro Cultural de Belém. A mostra da autora local – que é também a diretora artística da Fábrica Bordallo Pinheiro – vai poder ser vista até ao próximo dia 21 de julho. A exposição “Muitas outras Criaturas” poderá ser vista entre as 10h00 e as 19h00. A galeria do CCB fica na Praça do Império, 3.
Será inaugurada, na quarta-feira, 4 de junho, pelas 17h00, nas instalações da ESAD.CR, do Politécnico de Leiria, a Exposição do Ano 2025 da ESAD.CR – Não Faço*. A 5 de junho, às 17h00, será inaugurada na Galeria Nova Ogiva, em Óbidos, a exposição “Anti-Corpus”, que apresenta os trabalhos dos finalistas da licenciatura em Artes Plásticas da escola de artes caldense. Da mostra, patente até julho, fazem parte 49 propostas artísticas.
O grupo BlackRam vai atuar hoje à tarde, 29 de maio, no Estabelecimento Prisional das Caldas da Rainha . O grupo vai também gravar um clip de um dos temas que vão interpretar. Esta banda – que é constituída por quatro músicos do concelho e que surgiu durante a pandemia – dedica-se a interpretar covers do universo do rock e do hard rock.
Estão abertas inscrições para a semana de férias “Semear o Mundo” que decorrerá entre os dias 30 de junho e 4 julho, no Espaço Cenas (Rua Almirante Cândido dos Reis nº77 1º andar) com de teatro, de desenho, de movimento e de música e rainda refletindo sobre questões ambientais. As inscrições- para crianças e jovens -podem ser feitas até 31 de maio.
Depois da Estónia, onde foi considerada uma livraria do Futuro, a Bichinho de Conto representou Portugal no festival em Paris, depois de 20 anos de ausência do país naquele certame. Trabalhar na disseminação da cultura é o que move a livreira, ilustradora e editora, Mafalda Milhões
A livraria Bichinho de Conto foi convidada a representar Portugal no Festival do Livro de Paris, no Grand Palais, certame onde há 20 anos este país não marcava presença. A organização do stand luso foi centrada nas edições infanto-juvenis e contou com uma exposição de ilustração portuguesa contemporânea, ciclo de cinema, um debate sobre “as alegrias da democracia” e um atelier literário para crianças.
Pouco tempo antes esteve em Riga, na Letónia, num encontro mundial de livreiros, onde a Bichinho de Conto foi considerada, pelos pares, uma livraria do futuro pois reúne uma série de pressupostos ligados à economia da atenção. Ou seja, “uma livraria onde tu possas olhar o mundo, teres horizonte, viveres em paz, folhear livros entre gerações”, exemplificou a livreira Mafalda Milhões.
No encontro foi convidada a participar no painel “Bookstore Behind the Cities”, sobre projetos em zonas de baixa dimensão e densidade. “Foi muito interessante porque estávamos num painel com duas livrarias especiais, que possuem serviços agregados”, explicou Mafalda Milhões, especificando que o Bichinho de Conto é uma livraria que continua a dedicar-se exclusivamente aos livros e fora dos grandes meios urbanos, na localidade dos Casais Brancos, uma aldeia do concelho de Óbidos.
O acesso à informação, a prevalência do papel e do livro, o perfil do leitor, a utilização da Inteligência Artificial também foram temas abordados. No próximo ano o encontro será em Verona (Itália). “Nós vamos participando e acompanhando a Organização Mundial de Livreiros porque nos interessa perceber, também dentro da nossa profissão, quais são as discussões e as partilhas de trabalho dos nossos pares”, referiu, partilhando exemplos de destruição em Gaza ou de superação na Ucrânia. Mafalda Milhões deu o exemplo de um livreiro de Kiev, que abre a livraria em período já de guerra e, inclusive, já alargou as instalações. “A livraria funciona como casa cultural e nós sentimos muitas semelhanças com o projeto, na medida em que são livreiros ativos e agentes culturais presentes no território”, salienta a livreira.
A também ilustradora, editora e autora participou recentemente numa conversa na Sociedade Nacional de Belas Artes, inserida num ciclo dinamizado pelo artista Francisco José Vilhena, onde este documenta a vida e o trabalho artístico dos convidados, que depois participam num evento aberto ao público. A conversa é “bebida e nutrida”, explica Mafalda Milhões, que levou vinho de Murça (Trás os Montes), de onde é natural, e partilhou a história do avô, o soldadão Milhões (herói da Primeira Guerra Mundial), e da vida dos antepassados ligada ao campo.
Livraria em antiga escola
Apesar de ter livraria online, que permite vendas para várias partes do mundo, Mafalda Milhões defende a “porta aberta”, como local de encontro das pessoas. “São os sítios onde as pessoas podem encontrar outras que pensam da mesma forma, que têm o mesmo sentido e procuram interesses semelhantes”, refere, caracterizando-a como uma espécie de “lugar seguro”.
A antiga escola primária dos Casais Brancos, convertida em livraria, mantém a traça original e foi recuperada com os materiais de raiz. A funcionar há 16 anos, está fechada desde 28 de fevereiro, data em que foi entregue o documento de proposta para ocupação do edifício e resposta à hasta pública, cujo processo ainda se encontra a decorrer.
“Temos um profundo respeito pelo edifício que nos acolhe, ainda para mais sendo uma escola do plano centenário, que nos diz muito”, salienta a livreira, acrescentando ao preservar o espaço estão, de alguma forma, a prolongar a memória daquele que continua a ser um espaço de conhecimento e de partilha.
Mafalda Milhões vai continuar a participar em eventos internacionais com a Bichinho de Conto e, além disso, também está a produzir conteúdos, quer para eventos quer de curadoria, ligados à ilustração, arte contemporânea, entre outras, com diversas entidades culturais a nível nacional. “Trabalhamos sempre na disseminação da cultura, levando a cultura portuguesa, mas também deixando entrar as outras culturas”, refere a livreira que possui uma grande ligação ao Brasil, através de projetos de mediação da cultura.
O Bichinho de Conto representou Portugal no certame
O catálogo da PIM! Mostra de Ilustração, que é concebida anualmente para o Folio, por Mafalda Milhões, curadora da Folia
A Bohío Creative, galeria situada na Praça da Fruta apresenta a Explorar a Memória, uma exposição coletiva que reúne o trabalho de 19 artistas contemporâneos cujas práticas exploram as nuances da memória, da identidade e das histórias que carregamos ao longo da vida. A exposição estará patente até 21 de junho de 2025.
A mostra inclui uma série de Conversas com Artistas que se vão realizar nos sábados 7, 14 e 21 de junho, oferecendo ao público a oportunidade de ouvir diretamente os artistas participantes sobre os seus processos criativos e as histórias pessoais que inspiram o seu trabalho.
Há um novo polo cultural alcobacense que promete ser um pilar da região Oeste
Há um novo espaço cultural em Alcobaça: o Panorama – Multiusos Alcobaça que abriu portas ao público a 23 de maio com a atuação da Orquestra Sinfónica Portuguesa que atuou fora do “seu” Teatro Nacional de São Carlos. Em palco, a orquestra revisitou os mais famosos Bailados Russos de Tchaikovski ou Prokofiev.
“Foto Passe” é uma exposição – que pode ser vista no exterior deste novo espaço e que é da fotógrafa do Expresso/Blitz Rita Carmo e que retrata momentos icónicos de artistas e concertos que marcam a história da música ao vivo em Portugal. A mostra está patente até ao próximo dia 31 de Julho.
O Panorama-Multiusos de Alcobaça – fica na R. Prof. Eng. Joaquim Vieira Natividade e tem como diretor artístico, o músico e compositor, Nuno Gonçalves (The Gift). Segundo comunicado, o responsável afirmou que o Panorama “será um dos grandes pilares futuros de cultura, de desporto e de economia da cidade de Alcobaça, do concelho e da região”.
Entre os próximos espetáculos deste novo espaço, que aposta na descentralização, conta-se a 7 de junho, pelas 18h00, “Canta-me Histórias com Tim” onde o músico dos Xutos e Pontapés atuará e dará a conhecer histórias e memórias ligadas à sua carreira musical. No dia seguinte, 8 de junho, às 17h00 será apresentado o espetáculo “Miss Cindy – Projeto infantil” que promete uma tarde de diversão e de aprendizagem para os mais jovens.
A 26 de julho, pelas 21h30 o panorama irá acolher o concerto de Kevinho, um dos nomes mais marcantes da música urbana brasileira. Já no dia 9 de agosto, às 21h30, o novo espaço cultural irá receber o espetáculo “Seu Jorge ao vivo” cantor que é uma referência da nova música popular brasileira
Previstos até ao final do ano estão uma série de propostas tais como o campeonato nacional de skate, uma maratona de bandas – com Linda Martini, Máquina, X-Wife, Plastic People, Yakusa, Evaya, Lisa Sereno, Cat People- o Festival de Humor de Alcobaça, um concerto de Carlos Bica e ainda um outro de Mário Laginha que interpretará e prestará homenagem ao guitarrista Carlos Paredes.
Abriu ao público, no sábado, a mostra que reúne obras de Maria de Lourdes de Mello Castro, artista que discípula do pintor naturalista caldense
Abriu a 24 de maio, no Museu de José Malhoa, a exposição dedicada a Maria de Lourdes de Mello e Castro (Tomar, 1903 — Lisboa, 1996), numa inauguração muito participada e que contou com o presidente da empresa pública Museus e Monumentos de Portugal (MMP).
A mostra, com curadoria da pesquisadora caldense Sofia Bandeira Duarte, reúne mais de 70 obras da artista, incluindo pinturas, desenhos, documentos pessoais e publicações.
Esta exposição que permite conhecer, de forma aprofundada, diferentes fases da produção artística de Maria de Lourdes de Mello e Castro, pintora naturalista que foi discípula de José Malhoa, entre 1921 e 1933, data da morte do pintor caldense. As aulas decorreram em Figueiró dos Vinhos. Segundo Nicole Costa, diretora do Museu Malhoa, a mostra resultou de uma proposta da curadora e proporcionou a ligação entre as entidades caldenses e a família da artista.
Por seu lado, Alexandre Pais, da Museu e Monumentos de Portugal (MMP), destacou o facto de haver obras nesta exposição, algumas desconhecidas do grande público, e que pertencem à família da artista, às Câmaras de Tomar e de Coimbra ou às coleções dos museus Malhoa, Casa Museu Egas Moniz e Bordalo Pinheiro. Esta é pois uma oportunidade de ver a obra de Maria de Lourdes de Mello e Castro, “autora um pouco esquecida pela historiografia”, disse Alexandre Pais.
A curadora afirmou que estuda a vida e obra da artista há quatro anos e o facto da autora se dedicar a um naturalismo tardio “é perfeitamente legítimo já que era neste tipo de pintura pois “via-a como a pintura verdadeira”.
Infelizmente não era fácil para as mulheres vingarem nas artes na época. “Eram até ridicularizadas pela crítica por irem contra as expetativas sociais”, disse a curadora que tem publicações sobre a artista, tais como “Tomar na Vida e na Obra de Maria de Lourdes de Mello e Castro”. Presente na mostra esteve o filho da artista, Luís Alvellos, que agradeceu pelo trabalho feito em volta da obra da sua mãe.
Curadora e diretora do Museu gostariam que esta mostra tivesse um caráter itinerante e há disponibilidade para que a exposição possa ser vista noutras localidades. A mostra, patente no Museu Malhoa até 27 de setembro,terá atividades paralelas como visitas orientadas, oficinas e programação musical.
Inventariar e digitalizar a coleção
A transição do Museu de Cerâmica para a autarquia caldense é um processo que está em curso e no momento “estamos a inventariar e a digitalizar o acervo do museu”, disse Alexandre Pais, da MMP à Gazeta das Caldas. Já foram digitalizadas 305 peças da coleção e que será disponibilizado para o novo museu.
“Há muito trabalho realizado na sombra”, disse o responsável afirmando que “estamos a trabalhar com a Câmara para retirar a coleção do espaço para podermos iniciar a obra”.
Alexandre Pais diz que entende a preocupação da população com o Museu de Cerâmica mas “há muito trabalho invisível que tem que ser feito e só depois deste estar feito é que podemos avançar para a intervenção”. Esta já ultrapassa o milhão e 600 mil euros. Mais adiantado está o processo de transição do Museu Joaquim Manso para a Câmara pois o que faltava era, da parte da MMP, “concluir a musealização”. Como tal, está para breve a passagem do museu para a autarquia nazarena.
Uma inauguração muito participada
A exposição, patente até setembro, vai contar com um programa de atividades
Autarquia investe 89 mil euros para melhorar a Mestra, evento de celebração da cerâmica que contará com ceramistas nacionais e internacionais
Entre os dias 20 e 22 de junho, a terceira edição da MESTRA – Mostra Mercado da Cerâmica, vai regressar ao Parque D. Carlos I após o interregno de 2023, ano em que a cidade das Caldas, em conjunto com Alcobaça, acolheu o Congresso da Academia Internacional de Cerâmica.
Durante três dias, o Parque D. Carlos I acolhe o evento dedicado à cerâmica portuguesa e que vai reunir artesãos, artistas e designers. Neste momento já há 41 artesãos inscritos.
No evento, cuja programação foi apresentada a 22 de maio, no Posto de Turismo, a vereadora da Cultura, Conceição Henriques, explicou que esta Mestra é herdeira das anteriores Feiras de Cerâmica de grande impacto, cujo formato “já não é o ajustado para os dias de hoje”. Estas feiras possuíam “um forte pendor industrial”e a parte artesanal “era residual”.
Pretende-se pois que o novo evento possa “valorizar a cerâmica de autor e colocar os criadores em diálogo com o público”, disse a vereadora acrescentando que o evento reforça a sua dimensão nacional ao convidar ceramistas dos municípios que integram a Associação Portuguesa de Cidades e Vilas de Cerâmica (AptCVC). Desta forma será também uma oportunidade de promover o intercâmbio entre autores de várias regiões. As inscrições para a mostra estão abertas até amanhã, 30 de maio, (através do e-mail turismo@mcr.pt).
Além das presenças de autores nacionais, será a primeira vez que o evento contará com autores internacionais, oriundos da cidade de cerâmica italiana, Deruta com a qual Caldas fez uma geminação há dois anos.
A Mestra terá um programa de mediação cultural que incentiva o diálogo entre criadores, visitantes e residentes. O público infanto-juvenil poderá contar com um laboratório de cerâmica dinamizado pelo Cencal, e que visa estimular o interesse das novas gerações pela cerâmica local.
Outra das novidades é que o evento irá contar com a exposição coletiva “Rainha Mestra”, marcada para o dia 20 de junho. Esta instalação colaborativa vai reunir azulejos criados por ceramistas participantes, numa homenagem aos 500 anos do legado de D. Leonor, fundadora das Caldas e que vai realizar-se no Centro de Artes.
Marca alia tradição e contemporaneidade
O cartaz da Mestra inclui programação do “CCC Fora de Portas”, concertos, animação de rua, teatro de marionetas e conversas em torno da criatividade e do saber-fazer.
Entre os destaques estão o concerto do Coro Social do Bairro, Trio MaraBilha, Supertronik Bootleg – Dixie Band e a Trupe Fandanga, que apresenta teatro de marionetas.
“Procurámos ir ao encontro do público que irá ao evento, sem esquecer a atuação de um grupo local, logo no primeiro dia”, disse Mário Branquinho, o diretor do CCC. No segundo será a vez de atuar o Trio Marabilha, onde as peças de cerâmica como as bilhas passam a ser instrumentos musicais. Paulo Casal, um dos elementos do grupo fez uma pequena apresentação no dia em que foi apresentada a programação.
Segundo o presidente da Câmara, Vítor Marques, a nova Mestra terá um custo global de 89 mil euros, vai contar com um programa diversificado que inclui demonstrações de técnicas tradicionais e contemporânea.
“Temos um grande ecossistema ligado à cerâmica na cidade, tanto que temos o selo da Unesco, que assim nos reafirma”, disse o autarca que quer dar palco aos ceramistas não só do concelho mas também da região.
Seguiu-se a apresentação da nova marca, Mestra, pelo designer gráfico António Costa que contou que o próprio nome pretende ser “uma ponte entre passado e o futuro” e que alude à tradição através da roda de oleiro mas também quer incorporar valores de hoje. “É um nome fantástico que surgiu durantes as primeiras reuniões, que é curto e memorável e que cumprirá em pleno a função de marca de evento”, rematou o autor.
A Mestra, promovida pelo município das Caldas, pretende reforçar o papel das Caldas enquanto cidade criativa e polo de inovação cultural. Integra-se no projeto “Cidades Criativas UNESCO Centro de Portugal”, cofinanciado pelo PT2030/Centro2030, envolvendo os municípios das Caldas, Castelo Branco, Covilhã, Idanha-a-Nova, Leiria e Óbidos.
Paulo Casal trouxe um pouco das sonoridades do seu grupo, o Trio Marabilha, onde as peças de cerâmica se transformam em instrumentos musicais
A nova imagem da Mostra de Cerâmica que este ano quer ganhar dimensão nacional e internacional
Do arranque da digressão nacional de Seu Jorge a uma batalha de bandas, passando pelo humor e provas desportivas, a diversidade marca a programação do Panorama, o novo multiusos de Alcobaça.
A programação Panorama foi hoje apresentada pelo diretor artístico, Nuno Gonçalves (músico dos The Gift), que disse à agência Lusa “tentar fazer uma casa que case com tudo e que case com todos”.
Para isso o diretor artístico apostou em “montar, em tempo recorde” uma programação para atrair diversas tipologias de público a Alcobaça, no distrito de Leiria.
“Sabemos que uma linha artística e editorial, num edifício e num equipamento destes, demora o seu tempo a cimentar-se”, disse Nuno Gonçalves, explicando a aposta, por um lado, em eventos que levem a Alcobaça “diferentes tipos de públicos” e sejam, por outro lado, “uma boa promoção” do espaço, no seu primeiro ano de funcionamento.
A programação, que tem início este sábado com a Orquestra Sinfónica Portuguesa, tem como pontos fortes o arranque nacional da digressão de Seu Jorge, no dia 09 de agosto, espetáculos como o concerto de Tim, “Canta-me Histórias” (a 07 de junho) e ainda ainda o funk do artista brasileiro MC Kevin.
Do projeto infantil Miss Cindy à dupla Lon3r Johny & Profjam, outras propostas irão passar pelo Panorama, onde à música se juntarão eventos desportivos, como o Campeonato Nacional Skate (em outubro) e a pista de gelo que assinalará a quadra natalícia.
No que toca a novidades, o diretor artístico do multiusos destaca “o primeiro grande festival de humor de Alcobaça”, que terá lugar entre 21 e 23 de novembro e que levará à cidade humoristas como Joana Marques, Pedro Teixeira da Mota, Luís Franco Bastos e, a fechar, a transmissão em direto do programa “Isto é Gozar com quem trabalha”, com Ricardo Araújo Pereira.
Outra novidade será “a primeira grande maratona de bandas”, em colaboração com a Antena 3. Na prática, serão “dois palcos, um em frente ao outro, durante 12 horas com transmissão em direto”, e as atuações das bandas já confirmadas Linda Martini, Máquina, X-Wife, Plastic People, Them Flying Monkeys, Valter Lobo, Cat Soup, Evaya e Yakusa.
Na lista caberão ainda concertos de jazz (com Carlos Bica Quarteto e Mário Laginha a tocar “Carlos Paredes”), o coro de Natal da Rádio Comercial, exposições económicas e empresariais – algo muito importante, “porque sabemos que Portugal é um paraíso para que vários eventos, incluindo congressos e reuniões empresariais que o Panorama quer atrair”.
O Panorama resulta da requalificação do anterior pavilhão de feiras e exposições, o MercoAlcobaça, num pavilhão multiusos com capacidade para receber feiras, congressos, concertos e eventos desportivos.
Esta requalificação representou um investimento de 4,7 milhões de euros comparticipados em 85% ao abrigo do Plano Estratégico de Desenvolvimento Urbano (PEDU), para responder a um espaço com 5.000 metros quadrados de área coberta, que inclui uma sala principal com 2.000 metros quadrados e uma secundária com 700 metros quadrados.
O espaço é ainda dotado de áreas técnicas, zona para artistas e atletas, salas de reuniões, um auditório com 100 lugares e um restaurante.
Iniciativa cultural vai acontecer nos dias 29, 30 e 31 de maio. Edição aposta na inclusão e no ativismo
O Caldas Late Night (CLN) está de regresso e, neste momento, já tem cerca de 150 candidaturas. A iniciativa já tem inscrições para oito casarões e para já estão também inscritos uma dezena de espaços comerciais.
O evento cultural, que foi iniciado há 28 anos por alunos da ESAD.CR será este ano organizado por um grupo informal que é constituído por 30 elementos de artistas, estudantes e antigos alunos da ESAD.CR.
“Temos cada vez menos casas pois os autores dizem-nos que a precariedade obriga a que mais gente partilhe casa e alguns moradores e os senhorios nem sempre permitem o uso das habitações para o evento”, disse Bruno Barros, um dos elementos da organização desta edição à Gazeta das Caldas.
Estão planeados o Mercado das Artes, o Slide e a Luta das Almofadas. Os dois últimos eventos estão marcados para o último dia, sábado, 31 de maio. “Para nós o CLN é uma celebração das artes e não recusamos nenhum trabalho nem nenhum autor; é um evento mais democrático que acontece nas Caldas”, disse o organizador, acrescentando que haverá propostas de artistas LGBTQIA+e um outro projeto da que fará uma intervenção contra a violência sexual e de género durante a realização do evento. Também participará o grupo Palestina Livre Caldas nesta edição. O CLN começou por ser algo caseiro, onde os alunos abriam as suas casas para mostrar os seus trabalhos artísticos. Só que o evento cresceu, e hoje ocupa, durante os dias do evento, o espaço público das Caldas e passou a contar com uma componente musical e festiva. Este ano, o próprio festival Impulso vai aliar-se ao evento e haverá concertos em vários espaços .