Há nas Caldas novos espaços dedicados ao apoio ao estudo ou ateliers onde crianças, jovens e adultos podem aprender a especializar-se numa vertente artística. Gazeta das Caldas foi conhecer alguns projectos que mudaram de lugar ou de conceito e dá a conhecer aos pais e encarregados de educação quanto podem custar explicações, aulas de apoio ao estudo ou de aprendizagem artística.
Abriu portas na Rua da Praça de Touros, por cima da Pizzaria Novo Mundo, a Brain Academy que se assume como especializada na aprendizagem e desenvolvimento.
A diretora, Mariana Coelho, é caldense e formou-se em Psicologia da Educação, Desenvolvimento e Aconselhamento. Nos últimos anos, a psicóloga de 31 anos, foi professora universitária em Angola, coordenadora pedagógica da licenciatura em Psicologia e Didáctica.
Mariana Coelho diz que chegou o momento de abrir o seu espaço, apostando “num conceito de educação e desenvolvimento diferenciador”. A Brain Academy oferece apoio ao estudo (individualizado ou em pequenos grupos). A cada aluno que entra é feito um plano individual de estudo. “Usamos a Metodologia MSC (Metodologia Social e Cognitiva) pois além das competências de estudo, os nossos alunos também desenvolvem as suas componentes sociais e emocionais”, disse Mariana Coelho, acrescentando que para alguns estudantes é necessário “aprender a aprender”.[shc_shortcode class=”shc_mybox”]
Esta academia funciona em horário alargado, das 8h00 às 21h00 e destina-se a alunos do 1º ciclo ao secundário. “Os pais podem escolher um pack mensal à medida das necessidades dos seus filhos, que podem vir uma a cinco vezes por semana”, disse a psicóloga, acrescentando que os responsáveis da academia reúnem periodicamente com os encarregados de educação e quando é necessário, recomendam explicações aos alunos que precisam de ajuda específica em determinada disciplina.
Paralelamente, a academia tem também o serviço de Psicologia. São feitas avaliações psicológicas e psicopedagógicas, assim como elaboração de relatórios a pedido de diferentes entidades desde escolas, pediatras ou tribunais. Também realizam consultas de intervenção a crianças e jovens com problemas de comportamento, atenção e hiperactividade, dislexia e sobredotação. Há também o serviço de aconselhamento parental e de orientação escolar e profissional.
Sob responsabilidade da caldense Mónica Gaspari, especialista na área de recursos humanos e formação, está a ser criada a Brain Training & Development que se vai dedicar à formação, para empresas e instituições que queiram investir no seu capital humano.
Na Brain Academy as aulas de apoio ao estudo podem custar entre os 36 euros (1h30 por semana) até 135 euros por mês, para um aluno que vá para a academia todos os dias da semana.
A importância de brincar
A Academia de Aprender – situada na Rua Raul Proença 58, 1º andar – iniciou a actividade no ano passado, mas era mais direcionada para o desenho. “Este ano fizemos um up-grade das actividades, acrescentando sala de estudo, apoio individual e explicações”, disse Jorge Pina que, com a mulher, Célia Pina, são os responsáveis pelo espaço. Pretendem ajudar os alunos desde o 1º ciclo até ao 3º ciclo, permitindo-lhes sucesso no percurso escolar. Oferecem actividades lúdicas, como jogos de tabuleiro, jogos electrónicos e actividades ao ar livre.
“É preciso também ter tempo para brincar”, alertou Isabel Miguel, professora de 1º e 2º ciclo que agora trabalha a tempo inteiro na Academia do Aprender. A docente deixou o ensino público onde acha que há cada vez mais conteúdos para leccionar e cada vez menos tempo para o fazer. Defende que a brincar também se aprende muito e “se desenvolvem competências e aptidões”.
Na Academia do Aprender trabalha-se para o sucesso escolar dos estudantes, assim como “pela sua felicidade e autoestima”, referiu a docente.
No apoio ao estudo trabalham com grupos pequenos, cinco a seis elementos no máximo para que consigam alcançar bons resultados escolares.
Jorge Pina é professor de Informática no secundário. “Vejo que no espaço escola há cada vez menos autonomia e liberdade”, disse. Na sua opinião, os alunos “saem saturados das aulas” e precisam destes tipos de espaços que os apoiam “a nível educativo, mas onde é também um espaço onde gostam de estar”.
Nesta academia funcionam aulas de desenho com Sofia Coto.
Na Academia de Aprender as mensalidades podem variar entre os 28 euros (uma hora e meia por semana) até aos 140 euros (vindo todos os dias da semana) e o espaço oferece packs que englobam apoio a estudo e actividades lúdicas, onde providenciam também o lanche aos alunos. As explicações têm preços que variam entre os 10 e os 15 euros, dependendo da disciplina.
Neste espaço, além de oferecer actividades para as Férias de Natal, Páscoa e durante o Verão, também se prestam serviços de informática, sobretudo a nível institucional.
Aprender a fazer cartoon
Abriu no dia 1 de Setembro, o espaço Desenhos do Bruno, da responsabilidade do cartoonista Bruno Prates. Antes, o autor esteve na Academia Desenhos do Bruno, espaço que agora é a Academia do Aprender.
Neste novo espaço funcionam aulas de Desenho, de Cartoon, de Banda Desenhada, de Ilustração e de Caricatura. A idade mínima dos alunos é seis anos, mas também são aceites jovens e adultos. O aluno mais velho do atelier tem 34 anos.
Além das aulas, é neste local que o cartoonista, Bruno Prates, colaborador da Gazeta das Caldas, desenvolve o seu trabalho de autor. As paredes do novo espaço estão cheias de propostas e funcionam como montra do tipo de trabalhos que se podem realizar.
“O desenho é a base de tudo”, disse Bruno Prates, explicando que pretende leccionar a quem nunca desenhou como a quem pretende melhorar o seu traço.
Segundo este professor, no local poderão decorrer oficinas de outras expressões, além das actividades para os pais.
“Neste atelier aprende-se desenho tal como se aprende dança ou música”, disse o cartoonista, que quer auxiliar alunos interessados em seguir percursos artísticos. “Quando era miúdo e queria desenhar senti dificuldade por não ter um espaço deste tipo nas Caldas”, disse o autor.
O espaço voltado para o exterior é envidraçado e permite aos transeuntes ver como funciona por dentro um atelier dedicado ao desenho. O atelier dispõe de um espaço de biblioteca para os seus alunos sobre cartoon, BD e sobre as Caldas.
Também há uma galeria que agora tem uma exposição dos alunos e que, em Outubro, vai acolher “uma exposição de desenhos meus sobre o festival de Jazz do ano passado”, disse o cartoonista, acrescentando que está aberto a outras propostas artísticas.
Outras das facetas do atelier é auxiliar os alunos que querem participar em concursos relacionados com desenho e expressão plástica. Uma das alunas do atelier, Sofia Carlos, de 11 anos, venceu recentemente uma menção honrosa no concurso da Visão Júnior que implicava fazer um comando para a Nintendo com materiais recicláveis. A caldense obteve uma menção honrosa com a sua proposta inspirada em animais e ganhou uma assinatura durante três meses da Visão Júnior.
Frequentar as aulas nos Desenhos do Bruno (que fica na Rua 15 de Maio 1B r/c) custa 35 euros por mês, uma vez por semana (aulas de hora e meia). Dois dias por semana (três horas) custa 45 euros. As aulas decorrem entre as 17h00 e as 19h00 ou aos sábados entre as 10h00 e as 13h00.
“Aprendem-se todas as técnicas de pintura”
“Aqui ensinam-se todas as técnicas de pintura”, diz Minela Reis, a pintora e coordenadora da Tela – Espaço de Criação Artística que se mudou recentemente para a Rua General Amílcar Mota nº 16 r/c, em frente ao restaurante indiano. “Tive necessidade de mais espaço”, disse a artista que antes tinha estado na Rua 15 de Maio, próximo da Praça de Touros.
Além da pintora ensinar a trabalhar a carvão, grafite, aguarela, óleo e técnicas mistas, há mais dois formadores que leccionam naquele espaço: o aguarelista António Bártolo e a professora Cláudia Santos. Esta última ensina pintura e fotografia, sobretudo a crianças.
“Temos muitos alunos estrangeiros e alguns que vêm da ESAD”, disse Minela Reis que trabalhou durante vários anos, de forma colaborativa, em Óbidos.
O espaço Tela tem espaço para vários cavaletes onde decorrem as aulas de pintura, mas também tem área de galeria e espaço para a realização de actividades culturais com palestras, lançamentos de livros ou eventos de poesia. Minela Reis gostaria de receber propostas de realizações culturais, assim como de quem queira expor pintura ou trabalhos de outras artes como, por exemplo, cerâmica.
As aulas da pintora são frequentadas por quem mora no Oeste, mas não só. Este espaço de criação artística é frequentado por alunos que vêm de Santarém, Loures, Alcobaça e da Marinha Grande. “Cada pessoa leva o seu ritmo e tempo de aprendizagem”, disse a responsável, acrescentando que nas suas lições “não há ritmo de escola”.
Minela Reis veio de Angola, mas vive há mais de 30 anos em Óbidos e aprecia ter gente de todas as idades nas sua aulas, onde se incluem jovens do secundário que querem seguir artes e vêm para este espaço para realizar as preparações técnicas para os exames que precisam.
Cada aula de pintura na Tela tem a duração de quatro horas. O preço é de 50 euros mensais. As aulas de aguarela de António Bártolo – coordenador dos Encontros Internacionais de Aguarela das Caldas da Rainha que decorrem no CCC – custam 60 euros por mês. Cláudia Santos é professora e ensina pintura na Tela aos sábados. Aceita ensinar crianças até aos 16 anos e as aulas custam 45 euros por mês.
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Ajustado o binóculo do tempo para a escola pública das próximas duas ou três décadas, o que vejo são os efeitos desastrosos de uma política que os nossos governantes iniciaram sensivelmente há cerca de 15 anos e que está a tornar impossível a vida dentro e fora das salas de aula.
Nos próximos 20 anos, a educação continuará a ter professores e alunos. Aos primeiros, competirá cada vez mais a criação de situações que justificam o trabalho e o estudo dos segundos e, cada vez menos, a mera transmissão de informação.
A desmaterialização da escola
As “minhas” escolas-futuro do 1.º ciclo, sem exceção, executam planos curriculares gerais de forma integrada e integradora; são tecnologicamente equipadas [não digo “estações espaciais”, apenas as condições necessárias para orientar as aprendizagens essenciais dos alunos, quer sejam de modo presencial e/ou até virtual, para que cada vez menos alunos e cidadãos, fiquem para trás];- praticam o lema: Aprender experienciando.
Nos próximos 20 anos a escola terá que encontrar os meios que permitam o desenvolvimento de sensações de bem estar tanto para quem ensina, como para quem aprende. Vivemos tempos em que os professores e a sua carreira têm sido repetidamente vilipendiados, o que levou a um menosprezo gradual do seu papel. É necessário valorizar e definir junto da sociedade a função dos docentes, pois a sua definição é fundamental para o relacionamento que tem que se criar entre professores e alunos. É essencial adaptar a escola e os seus currículos às novas realidades e aos interesses dos alunos, e conseguir introduzir as tecnologias que estes usam no seu dia a dia, de modo a que sejam uma ferramenta e não uma distração. O processo ensino/aprendizagem deverá proporcionar aos alunos experiências que os ajudem a desenvolver a sua criatividade.
Partindo da “Quarta Revolução Industrial” em curso, prevê-se que os resultados na sociedade da generalização das tecnologias possa oscilar entre extremos (do muito positivo ao caótico), com consequências no imperativo da igualdade de oportunidades. Há, contudo, uma zona cinzenta na prospecção detalhada. A escola integra esse universo de incertezas. Por exemplo, os professores não constam das profissões em “crescimento” ou propensas a desaparecerem com a automatização. Mas muitas outras constam, o que ajuda a organizar a escola do futuro – currículos, ofertas e programas de orientação profissional -, com forte referência à dimensão civilizada, democrática, desburocratizada e autónoma.
Ao pensar como perspetivo a Escola nos próximos 20 anos, não posso deixar de pensar no que aconteceu nos últimos 20. Na minha área, na educação especial, verifico que os professores têm vindo a preocupar-se com os alunos com dificuldades e a envolver-se na procura de soluções, existindo maior sensibilidade do que havia há 20 anos atrás.











eu 8,6% e regressou à casa dos 1.400 alunos. No entanto, o ensino profissional cresceu 21,3% para mais de 1.750 alunos. No conjunto dos dois tipos de ensino, há cerca de 3.250 alunos a entrar no último ciclo de ensino antes de ingressarem no mercado de trabalho ou no ensino superior, quando no ano passado totalizavam cerca de 2.800.




















