Category: Opinião

  • Exercício físico na terceira idade

    Exercício físico na terceira idade

    Vítor Ilharco
    Personal Trainer

    Em 1953, Jeremy Morris publicou um estudo que se tornaria histórico. Analisou os trabalhadores dos transportes públicos de Londres e descobriu algo surpreendente para a época: os revisores de autocarros, que passavam o dia a subir e descer escadas, apresentavam menor incidência de doenças cardíacas do que os condutores, que permaneciam sentados durante grande parte do tempo. Este estudo, publicado na The Lancet — uma das revistas científicas mais prestigiadas — foi uma das primeiras provas de que a atividade física regular protege a saúde e prolonga a vida.

    Setenta anos depois, a mensagem mantém-se atual. Vivemos mais, mas nem sempre vivemos melhor. Em Portugal, a esperança média de vida ultrapassa os 80 anos (acima da média europeia), mas a esperança de vida saudável — o número de anos vividos com autonomia e sem limitações significativas — é bastante inferior. As fontes variam: as mais otimistas apontam para cerca de 74 anos de vida saudável, enquanto outras indicam que vivemos sem limitações, em média, até aos 58 anos. Isto significa que duas décadas da nossa vida podem ser passadas com limitações físicas, dores ou dependência.

    Os benefícios do exercício físico na longevidade e qualidade de vida estão amplamente demonstrados, sobretudo em quem sempre foi ativo. Contudo, nunca é tarde para começar. Quem inicia a prática apenas após a reforma deverá adaptar o treino às suas capacidades atuais, mas os ganhos para a saúde podem ser enormes — desde que o programa seja adequado e progressivo.

    Tipos de exercício recomendados nesta faixa etária:

    Treino cardiorrespiratório: Caminhar, nadar, pedalar ou correr melhora a função cardíaca e pulmonar e reduz o risco de doença cardiovascular. Deve começar com um volume ajustado, progredindo gradualmente até alcançar 150 minutos semanais de intensidade moderada.

    Treino de força: Com cargas externas ou peso corporal, aumenta a massa muscular e a força, fundamentais para a autonomia e prevenção de quedas. Uma boa massa muscular associa-se também a maior densidade óssea e menor risco de doença. É importante incluir exercícios de potência, isto é, aplicar força no menor tempo possível. Deverá realizar treino de força pelo menos duas vezes por semana.

    Treino neuromotor, equilíbrio e proprioceção: Essencial para manter a coordenação e prevenir quedas, através de tarefas motoras variadas e desafiantes.

    Técnica de marcha: Deve ser trabalhada para garantir uma locomoção segura e autónoma, condição essencial para a socialização e independência.

    Força de preensão: A literatura mostra uma relação direta entre a força da pega e a longevidade.

    Mais do que viver muitos anos, o objetivo é viver bem, com autonomia e qualidade. O exercício físico não é apenas uma recomendação — é uma ferramenta indispensável para envelhecer com saúde, força e independência.

  • A propósito de um masterplan colonial

    Foi bonita a festa, pá! O Festival Literário Internacional de Óbidos, o Fólio 2025, terminou no domingo, 19 de outubro, com o dia dedicado à Palestina, como parte do Fólio Mais, conforme noticiado pela Gazeta das Caldas. Um dia que incluiu tanto atividades lúdicas – como a construção de papagaios – quanto momentos de intensa reflexão sobre um povo que há mais de 100 anos resiste ao apartheid e ao genocídio. Poderíamos dissertar longamente sobre “Amanhecer em Gaza”, escuta imersiva do podcast Fumaça que trouxe até Óbidos relatos do cotidiano de palestinianos. Poderíamos também falar da poesia de Shahd Wadi, emocionante. Mas vamos abrir espaço para o historiador britânico-israelita Avi Shlaim.

    O acadêmico de 80 anos é uma das vozes com maior autoridade no cenário internacional quando o assunto é Israel-Palestina, e um crítico do sionismo. No dia 11 de outubro, Avi Shlaim foi a atração de uma das mesas mais concorridas do Fólio, sob o tema “O Outro”, com participação do autor britânico William Sieghart e moderação da jornalista Bárbara Reis. Reunimos aqui algumas declarações do professor em Óbidos:

    – “Israel já atacou Gaza oito vezes desde 2005.”
    – “Os Estados Unidos da América não são cúmplices, são participantes neste genocídio.”
    – “Netanyahu é um criminoso de guerra, Trump tem condenação por crime – e o futuro do Médio Oriente está nas mãos destes homens.”
    – “Como um estudante de História, não tenho motivos para pensar que desta vez (o cumprimento do cessar-fogo e do acordo de paz) será diferente.”
    – “Isto não é um plano de paz. É um masterplan colonial.”
    – “A solução dos dois estados não está morta porque nunca nasceu.”
    – “Há uma desconexão entre os povos nos países ocidentais e seus governos.”
    – “Israel acabará por trilhar o mesmo caminho da África do Sul. Mas ainda não chegou a hora.”
    – “O que está faltando em tudo isso são as vozes palestinianas.”
    – “Este conflito não começou no 7 de outubro de 2023.”
    – “Israel usa apenas força bélica, e força bélica não funciona. A força é o instrumento errado para lidar com conflito político.”
    – “A mudança não virá de dentro de Israel, mas, sim, de pressão externa.”
    – “Há dois pecados originais em tudo isso:
    1) A Declaração Balfour1 e,
    2) 1948, a Nakba” (Catástrofe), “perpetrada por Israel, quando mais de 700 mil palestinianos tornaram-se refugiados (expulsos de suas terras) e a Palestina foi eliminada do mapa.”
    – “Chegará o dia em que a justiça prevalecerá e os palestinianos terão a liberdade que eles merecem.”

    São frases soltas porém facilmente compreensíveis no contexto do genocídio em Gaza, e na escalada da violência do governo israelita em parceria com os invasores de terras na Cisjordânia Ocupada ilegalmente. Muitas destas afirmações já lemos ou ouvimos antes, não são novidade. Mas é imperativo não esquecê-las. O que este professor diz, escreve-se.

    Palestina Livre Caldas

    * Uma carta de intenções, datada de 2 de novembro de 1917, escrita pelo então secretário do governo britânico para Assuntos Estrangeiros, Arthur James Balfour, e dirigida a Lionel Walter Rothschild, o Barão Rothschild, líder da comunidade judaica no Reino Unido, para ser transmitida à Federação Sionista da Grã-Bretanha. A carta documenta a intenção do governo britânico de facilitar a criação de um país para os judeus na Palestina, caso a Inglaterra conseguisse derrotar o Império Otomano, que, até então, dominava a região. (Fonte: Wikipedia)

  • A nossa sardinha, o selo azul e o futuro do oceano

    A nossa sardinha, o selo azul e o futuro do oceano

    António José Correia
    Ex-Autarca

    Há dias, tive oportunidade, enquanto colaborador da Fundação Oceano Azul, de assistir no Oceanário de Lisboa à exibição do documentário OCEAN(*). Este filme que conta com a participação de David Attenborough, é um poderoso apelo à preservação do oceano — um retrato de beleza e urgência que recorda quanto dependemos da saúde do mar para o equilíbrio do planeta e das nossas comunidades costeiras.

    Com a serenidade e a força que o tornaram referência mundial, Attenborough lembra que “tudo o que fazemos à natureza, fazemos a nós próprios”. Essa mensagem ecoa também nas margens do nosso Atlântico, onde exemplos concretos mostram que é possível conciliar exploração e conservação. Um deles é a pescaria da sardinha-ibérica (Sardina pilchardus), tão vital para Portugal, para o Oeste e para comunidades piscatórias como Peniche e Nazaré.

    A sardinha é muito mais do que um símbolo gastronómico: é identidade, tradição, economia e comunidade. Depois de anos de restrições, fruto do esforço conjunto entre frotas, cientistas e autoridades, o stock da sardinha mostra sinais claros de recuperação. Em 2025, a quota total para Portugal e Espanha foi fixada em 51 738 toneladas, das quais 34 406 toneladas cabem a Portugal — um aumento face a anos anteriores, sinal de confiança científica na gestão aplicada.

    Este progresso deve-se, em grande medida, ao trabalho da ANOP Cerco – Associação Nacional das Organizações da Pesca do Cerco e do seu presidente Humberto Jorge, armador com base em Peniche, destacando também o forte contributo técnico, altamente competente, de Jorge Abrantes. O setor organizou-se, dialogou com a ciência e assumiu práticas de pesca responsáveis. O reconhecimento internacional do Marine Stewardship Council (MSC), recentemente atribuído à pescaria ibérica da sardinha, simboliza esse compromisso e valoriza toda a fileira — do pescador ao consumidor, da lota ao restaurante.
    Os números confirmam essa importância económica e cultural: em 2024, as lotas do continente movimentaram 247,7 milhões de euros, e Peniche destacou-se como líder nacional, com cerca de 38,4 milhões de euros em vendas e 14,5 mil toneladas de pescado. Dados que refletem o dinamismo de uma comunidade onde o mar é motor de vida e identidade.

    Para o Oeste, esta história traduz-se em oportunidades concretas: produtos mais valorizados e comunidades mais resilientes. O selo azul MSC é, assim, muito mais do que um rótulo — é um símbolo de esperança, de que é possível viver do mar sem o esgotar.

    O documentário OCEAN termina lembrando que o oceano não precisa de nós — nós é que precisamos dele com a certeza de que “se salvarmos o Oceano, salvamos o mundo”. E sim, a recuperação da sardinha portuguesa mostra que, – com coragem -, quando ciência, política e comunidade remam no mesmo sentido, o futuro pode ser verdadeiramente azul — sustentável, participativo e com sabor a mar. E que sabor…!
    (*) disponível na plataforma de streaming Disney plus ■

  • O Lactário-Creche Rainha  D. Leonor

    O Lactário-Creche Rainha D. Leonor

    Joana Beato Ribeiro
    Arquivista

    Na última crónica, mencionei a inauguração do Lactário-Creche Rainha D. Leonor, a 18 de novembro de 1925, no Hospital Termal. Iniciativa divulgada e engrandecida pela recentíssima Gazeta das Caldas e que integrou as comemorações do IV centenário da morte da rainha D. Leonor (1458-1525), promovidas pela Comissão de Iniciativa local.

    O Lactário foi coroado de êxito e auxílio, tendo inicialmente 102 sócios protetores. Na sua sede tinha 10 berços destinados a crianças pobres. Aí ou nas suas casas, as mães recebiam medicação, vestuário, aconselhamento sobre higiene infantil e acompanhamento médico.

    Dividia-se o serviço entre interno e externo, o primeiro prestado na sede, em que se incluíam os banhos de luz com um aparelho de raios ultravioletas. E o segundo fora dela, por exemplo, através das colónias de banhos em São Martinho do Porto ou na Foz do Arelho. Todos os frequentadores da instituição recebiam uma lembrança no Natal, na Páscoa e no verão.

    Até 1935, a atividade do Lactário foi intensa, associando à sua missão assistencial a vontade de possuir uma sede própria. Em dez anos de existência, este distribuiu 212 mil litros de leites e auxiliou 300 crianças, acrescentando-se 130 internadas. A sua nova sede foi inaugurada precisamente nesse ano, após várias angariações de fundos, num terreno cedido pela Misericórdia local ao Lactário. Assim se explica que, na década de 1950, quando este encerra, a sede seja integrada na Misericórdia, que aí criou o Jardim de Infância Dr. Leonel Sotto Mayor.

    Ao longo destes anos, foi fundamental o papel das senhoras visitadoras, a maioria caldenses, que, apoiadas pelas funcionárias e escalonadas na Gazeta, voluntariamente, eram responsáveis pelo cadastro das crianças e mães pobres, garantindo a vigia diária e pesagem semanal das crianças, assim como o acompanhamento materno com conselhos de higiene infantil.

    Esta instituição, acompanhada do Hospício Municipal ou Casa de Assistência, do Patronato promovido pela família Martins Pereira e da Tutoria da Infância da Comarca, garantia a assistência infantil nas Caldas da Rainha, onde, em 1927, segundo escreveu Fernando da Silva Correia na Gazeta, morria uma criança a cada 2 dias.

    Além das publicações deste médico sobre puericultura e com vista à educação materna, hoje é possível conhecer o funcionamento desta instituição através do seu arquivo pessoal e familiar (PH – Grupo de Estudos), assim como do arquivo da Santa Casa da Misericórdia das Caldas da Rainha. O Lactário é ainda desconhecido dos caldenses, pelo que, aqueles que tiverem curiosidade, devem ficar atentos à programação cultural da cidade no próximo mês de novembro.

  • Os atrasos na receção  da Gazeta das Caldas

    Os atrasos na receção da Gazeta das Caldas

    Gazeta das Caldas tem recebido, nas últimas semanas, várias queixas por parte dos seus assinantes relativamente a atrasos na receção do jornal. Esta entrega, que deveria ser feita à quinta-feira, por vezes chega a acontecer ao início da semana seguinte ou, em casos mais graves, na quinta-feira, altura em que já foi publicada uma nova edição. Estes atrasos são responsabilidade dos CTT que fazem a distribuição. A Gazeta das Caldas é totalmente alheia aos atrasos que se registam.

    De salientar que o jornal é entregue na gráfica à terça-feira à noite e, na madrugada de quarta-feira é entregue aos CTT, para fazerem a sua distribuição na quinta-feira pelos assinantes, ao mesmo tempo que vai para as bancas.

    A Gazeta das Caldas, ciente dos incómodos que estes atrasos têm nos nossos assinantes, tem sistematicamente desenvolvido esforços junto dos CTT, tendo inclusive apresentado já reclamação junto dos CTT e da ANACOM.

    A Gazeta das Caldas não deixará de estar atenta, como sempre esteve, a esta situação e agir junto dos CTT.

    Aos nossos assinantes e parceiros comerciais apresentamos as nossas desculpas e exortamos a que manifestem, também, o seu desagrado junto dos CTT, responsáveis pela sua distribuição.

  • Election Results: a Call to Action

    By Kelly Hayes-Raitt
    To understand the impact of this month’s local elections on foreign residents, OICV interviewed a former board member of Gazeta das Caldas. Dr. José Luiz de Almeida Silva was himself “an expatriate, immigrant, and refugee” in France during the Salazar dictatorship. Our discussion was via email using a translator app and quotes have been lightly edited.

    OICV: Despite Chega’s powerful turnout in the national election last May, their local gains fell far below expectations. However, they tripled their vote share compared to four years ago. What will be the lasting impact of this party’s anti-immigrant stance at the local level? Is their disappointing performance in this election an indication of a negative reaction to Chega? Or should foreign residents be concerned about erosion of rights and security?
    JLAS: All of this stems, in my opinion, from a trend observed internationally but which resonates nationally: a fear of the unknown represented by others with different habits, language, clothing, color, etc. [There is] a reaction to unfamiliarity [as well as] a difficulty to coexist with these new people.
    Paradoxically, if it weren’t for these people, [we] wouldn’t live with the current comfort and efficiency because our declining national population is unwilling to perform the most degrading, dirty, or socially disregarded tasks. More developed countries that also lacked [workers] to perform less-skilled jobs often reacted similarly to the “invasion” of Portuguese. It is difficult to understand how an immigrant and colonizing people reacts in this way to immigrants and the formerly colonized, demonstrating irrationality fueled mostly by social media and word-of-mouth conversations.
    Chega is largely a result of these perceptions which are felt by those excluded from traditional parties and by those who fall short of their desires for social affirmation due to their inability to understand the new economic, social, technological, and cultural challenges.
    The extreme margins [between the national and local] elections are because local communities have little awareness of these parties. In national elections, it’s easy to reject “what we’ve come to” through a protest vote that punishes the representatives of the last 50 years, forgetting the previous 50 years (because most have no memory of it or don’t want to and vote for individuals who lack any experience or qualifications). But locally, it’s more difficult for [voters] to accept these [political] figures who are enticed by others or are opportunists looking to seize the moment.
    Yes, I think foreign residents should be concerned about this erosion of rights, but there is also deep-rooted respect and admiration among the Portuguese people toward most foreigners that are not seen as new economic or social migrants. In other words, foreign residents also face discrimination based on their origin, with some being respected and admired, while others are frowned upon and excluded, despite the economic need society has for them.

    OICV: How relevant were the debates about immigrant residency and citizenship in Oeste? Were local candidates discussing this topic?
    JLAS: It was very limited. The discourse was limited to alleged accusations related to security and violence, often unproven and resulting from rumors or false interpretations of local events. I believe that most people are aware that without immigrants (especially those of modest means and more difficult backgrounds), many services and goods would not be guaranteed. Without temporary immigrants, the population would have shrunk substantially, and the country would have become economically unviable.

    OICV: In general, how would you characterize the impact the election results may have on foreigners living in Oeste? What public opinion trends should foreign residents monitor?
    JLAS: I think, and I’m probably being overly optimistic, that [the election] won’t have an impact, although there may be more organic reactions at the national level, given the power that this far-right has in Parliament.
    However, I think there should be greater concern for new residents from more diverse countries and attention to their integration, avoiding the formation of ghettos like those found in Great Britain, France, Germany, etc.
    New residents from wealthy countries who want to benefit from the favorable living conditions in Portugal should serve as mediators for the less privileged. They should not, as in other countries, stigmatize economic and social migrants. The behavior observed in many Portuguese émigrés in Europe and the United States is that they go to the dark side, fighting against new immigrants.

    OICV: Would you like to add anything else?
    JLAS: I would like to add that – while I am pessimistic in the short term, given the visible reactions from even those we didn’t expect – in the long term, the situation may improve if [people appreciate] that these outsiders make aging societies viable.

    *Editing help Ana Bonavida

     

  • Observar aves  no Paul de Tornada

    Observar aves no Paul de Tornada

    Teresa Lemos
    Coordenadora do GEOTA

    Estamos no outono, e o Paul de Tornada enche-se de aves. Este é um dos melhores períodos do ano para observar aves. E porquê?

    Apesar da sua dimensão relativamente modesta, o Paul de Tornada é um verdadeiro refúgio para aves migratórias, que aqui se protegem das intempéries, do frio e da escassez de alimento mais a norte. Um verdadeiro hotel para aves como por exemplo, o pato-trombeteiro, a marrequinha-comum, a águia-pesqueira e o pisco-de-peito-azul, que nesta época do ano realizam uma das suas migrações.

    Todos os anos milhões de aves atravessam os continentes e os oceanos em busca de condições ideais para alimentação, reprodução e sobrevivência. A migração é uma viagem cheia de perigos e ao longo dela as aves necessitam de locais seguros para descansar e alimentar-se. Ao longo de toda a sua rota, as aves enfrentam várias ameaças, a maioria delas de origem humana, desde destruição de habitats naturais, a caça ilegal, a poluição luminosa, que tem um efeito desnorteante nas espécies que voam sobretudo durante a noite, a contaminação dos solos e a urbanização de espaços outrora naturais. Os efeitos cada vez mais evidentes das alterações climáticas nos ecossistemas têm um impacto muito grande num processo intimamente ligado às variações sazonais como é a migração.

    Anualmente celebra-se no segundo sábado de maio e de outubro o Dia Mundial das Aves Migratórias. Este evento realiza-se duas vezes por ano, assinalando desta forma a natureza cíclica da migração das aves e os diferentes períodos de migração nos hemisférios norte e sul. A celebração destas datas tem como objetivo sensibilizar para a importância da proteção das aves migratórias e dos seus habitats, assim como aumentar a consciencialização sobre as ameaças que enfrentam. Quando se considera que essas rotas migratórias atravessam dezenas de países, com políticas ambientais distintas, a urgência de uma cooperação internacional torna-se evidente, lembrando que a natureza não conhece fronteiras.

    O comportamento migratório das aves é fascinante e ainda guarda muitos mistérios por desvendar. Como os cientistas que as estudam, questione-se: como sabem as aves quando é hora de partir? Como reconhecem o caminho a seguir e como percebem que chegaram ao destino?

    Visite uma zona húmida perto de si, e desfrute do prazer de observar aves.

  • O Jornalismo de Proximidade é um instrumento para a cidadania ativa e esclarecida

    O Jornalismo de Proximidade é um instrumento para a cidadania ativa e esclarecida

    David Vieira
    Técnico de Comunicação

    Um dos princípios essenciais do jornalismo local e regional é a chamada Lei da Proximidade. Significa que os acontecimentos mais próximos de nós – geograficamente ou por afinidade – são também os que mais nos interessam. São mais “nossos”.
    É aqui que entra o Jornalismo de Proximidade. Escrevo-o com letras maiúsculas porque quero mesmo dar-lhe a importância que merece.

    As notícias próximas são-nos, por natureza, mais relevantes: falam das nossas ruas, dos nossos vizinhos, das nossas decisões coletivas. Têm impacto direto na nossa vida. Por isso, o jornalismo local promove maior interesse, mais participação, mais envolvimento. Cria confiança. Fortalece o sentimento de pertença. Conecta. Ajuda-nos a perceber que fazemos parte de algo maior, seja uma freguesia, uma vila, uma cidade, ou uma região.

    Este jornalismo, porém, não está isento de dificuldades. Enfrenta a concorrência dos grandes grupos de media mais generalistas, a escassez de recursos, a redução de equipas e a pressão de diversos interesses. Ainda assim, estes jornais e rádios continuam a dar prioridade à região onde atuam, a cobrir eventos que a imprensa nacional ignora, a contar histórias de ruas e bairros. E, muitas vezes, são eles que dão a palavra a quem nunca a teria noutro contexto.

    O Jornalismo de Proximidade promove uma cidadania ativa e esclarecida ao informar sobre temas concretos da vida local. Ao tornar visíveis essas realidades, incentiva os cidadãos a participar, a questionar, a propor. Dá-lhes ferramentas para compreenderem o que se passa à sua volta e, mais importante ainda, para agirem. Porque só se participa verdadeiramente quando se conhece. E é nesse conhecimento próximo, acessível e contextualizado que reside a força transformadora da imprensa local.

    A proximidade, no jornalismo, não é, por isso, um detalhe técnico. É um valor ético e democrático. Porque é nos jornais locais que, por vezes, se encontra o único espaço de escrutínio, de participação cívica, de debate informado. É ali que se fala das assembleias de freguesia, dos orçamentos municipais, das decisões que afetam diretamente o nosso quotidiano. É ali que se constrói a cidadania, uma notícia de cada vez.

    A imprensa local e regional é fundamental. Sem ela, a nossa identidade esvazia-se. Perdemos voz, contexto, memória. E, com isso, perdemos poder.

    Não deixemos que isso aconteça.

    Que este texto nos aproxime.

  • As Cidades e os Olhos

    As Cidades e os Olhos

    Paula Ganhão
    Gestora de Projetos

    Nas vésperas das eleições, as cidades parecem acordar mais cedo. Buracos nas ruas tapam-se, praças recebem flores e fachadas ganham nova camada de tinta. Mas essa beleza dura apenas o tempo de uma promessa — evapora-se rapidamente, como o orvalho de uma manhã apressada.

    Quando o eco das urnas se apaga e os rostos recém-eleitos ocupam os corredores do poder, tudo regressa ao seu compasso habitual. Bandeiras recolhem-se, cartazes amarelecem ao sol e o murmúrio da cidade retoma o seu ritmo. É nesse silêncio discreto que o lugar se revela — despido da euforia, devolvido ao seu movimento diário.

    Marco Polo contou a Kublai Khan que as cidades só existem enquanto alguém as olha. Chamou-lhe “A Cidade e os Olhos”. Esse olhar, frágil e humano, molda cada espaço em cada época. Há quem veja apenas o passeio novo, o retrato do político eleito ou o reflexo de si mesmo numa montra vazia. Cada olhar ajuda a desenhar a cidade à sua medida. Da multiplicidade de olhares nasce a verdadeira cidade — nunca fixa, sempre em transformação, feita de miragens e de memórias partilhadas.

    Durante as eleições, o olhar coletivo tenta imaginar uma cidade invisível — aquela que cada um gostaria de habitar. Uns sonham com ruas limpas e comércio ativo, outros com cultura, árvores e sombra. Mas há também os que já não olham ou olham sem ver: vivem numa cidade adormecida, onde o tempo corre em círculos e as palavras se gastam como pedras roladas pelo rio.

    Ainda assim, a cidade não se faz apenas de votos ou programas. Faz-se de pequenas ações: o vizinho que varre o passeio, o artista que pinta, o jovem que abre uma porta nova. Cada gesto é uma semente lançada em terreno incerto. Os políticos prometem regá-las; o resto cabe a nós — cuidar, insistir, permanecer atentos.

    Chegamos a um tempo de atenção renovada: não para escolher, mas para acompanhar, perceber e sentir a vida que pulsa em cada recanto da cidade. O olhar que antes sonhava deve permanecer desperto — atento ao que surge, ao que desaparece, ao que se transforma e ao que permanece. Talvez o verdadeiro voto seja este: continuar a ver, imaginar, cuidar e reconhecer nos gestos simples a energia que mantém a cidade viva.

    Quando fechamos os olhos, a cidade adormece. Mas quando olhamos de verdade — atentos, sem pressa e sem cinismo — ela desperta, invisível e nova, como se acordasse a cada olhar.

    É então que percebemos: uma cidade é o espelho dos olhares que a habitam — feita tanto de promessas por cumprir como da esperança que resiste a morrer.

  • 100 Anos a construir História

    100 Anos a construir História

     

    Manuel Bandeira Duarte
    Designer e artista

    As Caldas da Rainha e a região Oeste sempre foram palco de grandes feitos, memórias e celebrações. Vivemos intensamente as conquistas da nossa Terra, sem nunca nos desligarmos do passado nem do que ele nos conta. Preservar a identidade é um gesto diário dos caldenses: faz parte de nós, molda-nos e acompanha-nos. Comemorar é dar vida, é valorizar e atribuir reconhecimento pelo trabalho, esforço e dedicação que se atribui às evidências que nos acompanham. Por ser uma referência, é justo parabenizar a Gazeta das Caldas pelo seu centenário!

    Enquanto ponto essencial na nossa História, contou-nos, informou-nos e acompanhou- nos através de diferentes épocas, sempre com resiliência e vontade de fazer acontecer, dinamizar e transmitir. São infindáveis e inimagináveis as quantidades de letras, palavras e textos passados para as folhas que, de toque delicado e de tinta fresca, chegam a leitores locais, nacionais e internacionais. São edições e edições que catalogaram momentos tão decisivos como o 25 de Abril de 1974, quando, entre linhas de prudência e subtileza, se revelavam os ventos da mudança. Páginas que guardaram, também, episódios tão nossos, como a Elevação a Cidade ou as muitas inaugurações que marcaram o desenvolvimento do território – trespassando o sentido e o relato do momento.

    A Gazeta das Caldas foi, desde 1925, tornando a sua História e as suas Histórias numa verdadeira enciclopédia viva, guardiã de um século de memórias e de testemunhos. Nos tempos que correm, a informação é, também ela, um sinónimo de registo, no entanto, conturbado… Onde hoje há lugar à desinformação, ao ruído, à falácia e à dúvida, em tempos foi dos únicos e poucos meios fiáveis e próximos da comunicação. E, na era digital que atravessamos, fica a reflexão: que falta fará, no futuro, o simples gesto de folhear um jornal, sentir o papel e descobrir nele a História escrita por quem nos conhece de perto?

    Os progressos continuam e estimo que a Gazeta das Caldas acompanhe a modernidade tecnológica. Espero que permaneça de braço dado com a comunidade, com os caldenses e com os oestinos, preservando a sua essência, a sua memória e a sua história – aquilo que tanto distingue este jornal regional – contudo, abrindo portas para novas dinâmicas sociais e culturais do território e da região.

    Parabéns à Gazeta das Caldas pelos seus 100 anos – e que venham muitos mais!

  • Dawg Gone Purfect

    Dawg Gone Purfect

    Amélie Sangmo

    One of the most important lessons I learned when I left the US 20 years ago was that ‘my’ culture’s acceptable norms aren’t necessarily the same for the culture I find myself living in. It’s a lesson I wish I had learned sooner. It could have avoided irritations, headaches, and misunderstandings. Why? Well, cultures develop in different ways, in different places, for different reasons, at different times, and different is not necessarily better or worse. It’s, just different.
    One such cultural difference is in the treatment of animals. In highly developed nations, most animals are pets in the truest sense of the word. When I purchased – OMG! Yes, PURCHASED – a pure-bred dog.
    My first visit to the vet’s office was enlightening. The initial paperwork asked how I considered my dog: 1) a family member, 2) a pet 3) a work animal. This puzzled me until I realized the clinic was basically asking how much I would spend to save my dog’s life, should I ever need to decide, and they were asking when I wasn’t emotionally panicked. I came to appreciate that.
    When I moved to Nepal in 2005, I saw that the majority of animals there were considered beasts of burden, just as they were in 19th-century England and America. No such thing as pets at that time; animals served man – tilling the land, providing transportation, offering a measure of security, or as a means of entertainment – circus animals or cramped displays of wild beasts in zoos. When I moved to fast-developing South Korea, I found that the older generation there held a similar attitude, but for the younger generations, animals had morphed into trendy pets. An accoutrement to their fashion style, a marker for their socio-economic status, a cuddle toy, a substitute for children. Better? Worse? Or just a different culture in time?
    Here, in Portugal, I often see posts lamenting the state of animal rights, and I get it. I do. But I also know that, for the most part, these animals belong to an older subset of the Portuguese culture that hasn’t transitioned to a more, shall we say, politically correct treatment of animals. I’m not saying this is right. It’s just where those owners are at this point in time in their own culture. In my opinion, we hurt ourselves and our host community when we denounce what has been for them a cultural norm all their lives.
    But take heart. Time changes everything and with time, the culture of caging and chaining is changing! As a community, we can help hasten this change, because, fortunately for us, there are local, charitable groups that provide support to our four-legged friends. Here are just a few…
    Do you shed a tear when you hear the cries of homeless kittens? Consider helping The Kitten Connection (TKC), a volunteer-run association that rescues and rehomes kittens and sterilises street cats in Peniche. The Kitten Connection also has a trap, neuter, return programme and runs community education events – all funded by donations. You can visit TKC’s kittens at the new Peniche adoption centre. Adoptions include free sterilisation and microchip.
    On Thursday, October 30, TKC is hosting a major fundraising event, Gala for Gatos, at the Praia D’El Rey Marriott from 6-9pm. Enjoy delicious food and drink, great music and a fabulous silent auction featuring prizes donated by local artists and merchants. Tickets are available online. For more information, contact TKC at https://thekittenconnection.org or email them at contact@thekittenconnection.org.
    Am I barking up the wrong tree for you? Well then, be a ‘man’s best friend.’
    CRAPAA has a lot of community presence and recently – thanks to supporters – upgraded their puppy facility! CRAPAA is a non-profit association founded in Caldas da Rainha in 2001 whose mission is to shelter, feed, give veterinary care and affection to animals abandoned or in complicated situations. Everyday, four-legged residents enjoy walks, exercise, and socialization with each other and valued volunteers. At CRAPAA, euthanasia is always the last option. Online at https://crapaaanimal.wixsite.com/crapaa.
    Rede Leonardo (Associação Rede Leonardo Da Vinci – Protecção Animal) is a smaller, non-profit animal protection association operating in Trabalhia, municipality of Caldas da Rainha, since 2005. Rede Leonardo rescues, provides compassionate care and rehomes our four-legged friends, ensuring quality medical care, food and lots of belly rubs. It’s a real labor of love at Rede Leonardo, so why not consider helping them out? If you want to adopt, have lost your animal or want to contribute in any way — donate, volunteer or become a member — contact Rede Leonardo at https://redeleonardo.pt/en/.
    Whether you’re into purring cuddles or want to get your 8,000 steps walking a sheltered dog,The Kitten Connection, CRAPAA and Rede Leonardo are positive ways to work towards cultural change.
    Bonus? You’re sure to get lots of four-legged love!

  • “Queremos fazer um retrato de Portugal 100 anos depois”

    “Queremos fazer um retrato de Portugal 100 anos depois”

    Iniciativa vai dar lugar a uma exposição a realizar em novembro no CCC

    Pedro Bernardo e João Belga iniciam esta sexta-feira, 10 de outubro, a recriação da histórica Volta a Portugal a Cavalo, exatamente 100 anos depois da partida de José Tanganho do Jockey Club do Campo Grande, em Lisboa, numa aventura que vai muito além da simples recriação do feito do bisavô de Pedro Bernardo.

    “A nossa ideia é fazer um retrato de Portugal 100 anos depois”, explica Pedro Bernardo, acrescentando que o facto de ser fim de semana de eleições autárquicas não irá afetar o arranque da iniciativa. “Isso dará a possibilidade de ver ao vivo o país a transformar-se do que é hoje para o que será daqui a 10 dias, depois das eleições”, nota.

    Pedro Bernardo afirma que este é “100% artístico”. O objetivo passa por “sentir o país, fotografar, gravar som, falar com pessoas e fazer um retrato de Portugal”, aproveitando o facto de terem “uma ideia de como era o país há 100 anos”, para agora fazerem “um retrato do país agora, portanto passado 100 anos”.

    A ambição é estar “no mesmo sítio, à mesma hora, 100 anos depois, para fazer um recorde de luz”, explica Pedro Bernardo, embora esperando que “já não apanhe tanta chuva como se apanhava há 100 anos”. Esta abordagem temporal e geográfica rigorosa pretende criar uma sobreposição entre o Portugal de 1925 e o de 2025, capturando as transformações do país através da lente da arte e da memória.

    Pedro Bernardo revela que uma das inspirações para o projeto veio dos livros de Astérix. “Um dos livros que foi fundamental nesta ideia é a Volta à Gália do Asterix. Ele sai da aldeia e vai percorrer toda a Gália, traz as melhores especialidades de cada sítio e no fim vai fazer uma festa”. No caso desta iniciativa, Pedro Bernardo e João Belga levam consigo a exposição do centenário da épica vitória de José Tanganho, levando também produtos das Caldas da Rainha e trazendo de volta esta experiência artística que irá dar lugar a uma exposição, em novembro, no CCC.

    O bisneto de José Tanganho realça que a iniciativa tem sido bem acolhida nas 70 localidades por onde vai passar, dando mérito nessa parte do trabalho a Teresa Perdigão. “Têm recebido bem a ideia e é uma história não muito conhecida, acho que as pessoas ficam surpresas e entusiasmadas com a história e tem a particularidade de só ter acontecido uma vez”, concluiu.

  • Muito obrigada Dr. José Luís

    Muito obrigada Dr. José Luís

    No ano em que a Gazeta das Caldas assinala o seu centenário, a redação presta homenagem a uma figura incontornável da sua história: o nosso diretor, o Dr. José Luís de Almeida Silva, que, após mais de meio século de dedicação, encerra o seu percurso como diretor deste jornal.

    A sua saída não deixa ninguém indiferente. Para todos nós, alguns com quase 30 anos de casa e outros mais novos, mais do que diretor, o Dr. José Luís foi um orientador e um exemplo. Com a sua presença e o seu espírito cooperativo, ajudou-nos preservar o caráter independente e plural desta casa centenária e ensinou-nos o compromisso com o jornalismo regional e sentido de responsabilidade para com a comunidade onde nos inserimos. Soube sempre conjugar exigência, empatia e proximidade. Escutou e aconselhou, incentivando cada um a crescer. Acreditou nas pessoas e na nossa missão maior de informar com verdade, rigor e respeito, os mesmos valores que sempre defendeu.

    A redação reconhece no Dr. José Luís de Almeida Silva um exemplo de generosidade e entrega à Gazeta das Caldas durante mais de meio século e esta, por sua vez, deve-lhe muito do que é hoje: uma referência de credibilidade, identidade e serviço público.

    Ao longo dos anos, o Dr. José Luís foi também um guardião atento da história da Gazeta, das Caldas e da região. Em cada edição, sempre que o tema o permite, partilha connosco o seu vasto conhecimento e o fruto das suas constantes pesquisas, acrescentando contexto, rigor e memória às páginas deste jornal. O seu olhar sobre o passado das Caldas tem sido essencial para compreender o presente e projetar o futuro com identidade e propósito.

    O Dr. José Luís deixa muitas páginas escritas na história deste jornal e, sobretudo, nas memórias e nos corações de quem teve o privilégio de, com ele, partilhar este caminho.

    Canta magistralmente a Mariza: “Há gente que fica na história da história da gente, e outras de quem nem o nome lembramos ouvir…” O Dr. José Luís está, incontestavelmente, entre os primeiros. O nosso Muito Obrigada.

    Fátima Ferreira
    Isaque Vicente
    Joel Ribeiro
    Natacha Narciso

  • Futuro

    Futuro

    António Marques
    Técnico de Turismo

    O Nosso Jornal acabou agora mesmo de Comemorar o seu Centenário ao Serviço da Informaçao de Caldas da Rainha da nossa Região e de Portugal.

    Dei por mim a reflectir sobre este prestigiado percurso e este extraordinário legado jornalístico e acbei por me interrogar sobre o Futuro.

    O nosso mundo do futuro imediato será moldado pela integração das novas Tecnologias e da de Realidade Aumentada e Virtual, como a Inteligência Artificial e a Internet das Coisas, levando à criação de cidades mais inteligentes e sempre conectadas e alavancando-se em profissões centradas na criatividade, na noempatia e desenvolvimento tecnológico.

    Contudo, o futuro também será influenciado pelas consequências das mudanças climáticas, como o aquecimento global, a elevação do nível do mar e a maior frequência de eventos naturais extremos, exigindo uma transição para a energias 100% renováveis e modelos de vida mais sustentáveis.

    No espaço temporal de uma geração e não quero ir além disso (25 anos), vamos ver a IA – Inteligência Artificial, profundamente integrada em todos os aspectos da vida, desde as casas inteligentes controladas, até automatização dos processos industriais, enquanto a Internete ligará objetos, pessoas e dados, resultando num conhecimento mais perfeito.
    Quanto à Realidade Aumentada e Virtual estas tecnologias tornar-se-ão amplamente utilizadas, transformando a forma como interagimos com o mundo.

    Nas Tecnologias de Comunicação a conectividade será omnipresente, impulsionada por tecnologias como o 6G e será a base para a fusão entre o Digital e o Físico, permitindo uma comunicação mais rápida e mais eficiente.

    No Meio Ambiente e na Sustentabilidade vamos ser confrontados e teremos que lidar com Mudanças Climáticas Severas e enfrentaremos os seus efeitos, como aumento do nível do mar e eventos climáticos extremos que culminarão em potenciais migrações em massa.

    Fontes de Energia Renováveis estarão activas em plenitude e a utilização da Energia Solar da Energia Eólica e do Hidrogénio será essencial para combater o aquecimento global.
    Teremos Cidades Verdes e Inteligentes mais descentralizadas e sustentáveis.

    Na Sociedade e no Trabalho haverá profundas alterações onden muitas profissões de rotina serão automatizadas por máquinas e softwares, abrindo espaço para novas funções que exigem criatividade, segurança, empatia e habilidades no desenvolvimento tecnológico.

    Na Saúde os avanços sertão notáveis com o cura de doenças que nos afligem como as neuoplasias (cancros) e o terrível Alzaimer entre outros e com o início dos Implantes Neuirais que serão os “Polícias da nossa Saúde)

    Como será o futuro das pessoas e do mundo no ano de 2100. Os meios de produção e fabricação, as fontes de cultivo e de criação, o transporte, o aquecimento e o arrefecimento terão opções sustentáveis.

    Darei apenas dois exemplos de Futuro:
    1-Os Automóveis não terão Volante. (já pronto para produção Imediata).

    As poderosas máquinas de 3D imprimirão uma habitação em 24 horas. (já em teste avançado).

    O Futuro está ali ao virar da esquina e queremos que seja um Futuro Melhor.

  • Então e a Formação?

    Então e a Formação?

    Lurdes Pequicho
    Educadora de Infância

    Costuma dizer-se que a educação começa em casa, no seio familiar, no contexto no qual as crianças crescem. Acredito que essa função também se estende cada vez mais às escolas, no sentido em que cada vez mais, as crianças passam mais tempo em contexto escolar.

    Como educadora de Infância vejo esta realidade e acredito cada vez mais nesta necessidade, nesta parceria com a família, educar-se em conjunto. Ainda mais neste contexto, em que os grupos de crianças e adultos se mantém praticamente todo o dia.
    Desta proximidade constroem-se relações que se esperam construtivas e inspiradores para a formação da personalidade das nossas crianças e neste sentido o autoconhecimento e desenvolvimento da inteligência emocional de quem lá está para elas, é fundamental.

    É aqui que entra a formação de auxiliares de ação educativa, de animadores socioculturais, educadores, professores…

    Para além dos módulos/disciplinas essenciais a cada curso, é importante também abordar as crenças que vêm da infância e que ditam a forma como se responde a determinado desafio. Sim, porque as crianças colocam-nos à prova constantemente e a resposta que vamos dar, será de acordo com as nossas vivências. É importante estes estudantes conhecerem-se a si mesmos, para perceberem de onde vêm determinadas sensações e emoções, para que quando alguma criança lhes fizer disparar um gatilho, consigam pensar antes de reagir. É importante quebrar os padrões que parecem ser para sempre, mas não tem de ser assim.

    Quem trabalha nesta área sabe a dificuldade que temos para gerir a toda a hora desafios, conflitos entre as crianças, entre colegas, connosco mesmos, em situações que temos consciência de que errámos. Por isso, se tivermos suporte emocional, melhor.

    Conseguiremos gerir essas situações de melhor forma, e cuidar da nossa saúde mental.

    Este passo para a formação de futuros profissionais na área da educação é crucial, para conseguirmos dar respostas mais adequadas às necessidades das nossas crianças e jovens.

    Quando se percebe que estamos a evoluir e que estamos a ganhar cada vez mais recursos para exercer a nossa profissão da melhor forma, a motivação e a vontade de continuar sempre a evoluir, aumentam e transformam-nos em profissionais mais completos e mais disponíveis para ajudar as crianças neste caminho. E num momento em que se fala cada vez mais de saúde mental e que professores e auxiliares estão a entrar em burnout, não seria urgente dar importância a isto?

    Com Amor!

  • Porque é que os ginásios não conseguem reter os seus clientes?

    Porque é que os ginásios não conseguem reter os seus clientes?

    Vítor Ilharco
    Personal Trainer

    O conceito de ginásio em Portugal mudou bastante. Há 30 anos, estes espaços eram muitas vezes caves escuras, equipadas apenas com máquinas de musculação e direcionadas sobretudo a homens que procuravam aumentar a massa muscular.

    Felizmente, esse contexto alterou-se. Possivelmente, desde o aparecimento do primeiro Holmes Place em Portugal (1998), o exercício passou a ser associado também à saúde, bem-estar físico e mental, levando a um crescimento exponencial da procura. Esse é o discurso predominante do setor — embora nem sempre se traduza na prática.

    Segundo o último Eurobarómetro (2022), os ginásios (30%) e o espaço exterior (52%) são os locais mais utilizados pelos portugueses para praticar atividade física. A percentagem que treina em ginásios é bastante superior à média europeia (13%). Isto mostra que o mercado português é maduro e diversificado, oferecendo opções para diferentes perfis: desde espaços low cost até clubes exclusivos e especializados. Ainda assim, persiste um problema estrutural: uma elevada rotação de clientes, com muitos cancelamentos mensais e inúmeros casos de inscrições ativas sem utilização.

    Com a pressão para captar cada vez mais membros, muitos ginásios (não todos, claro) acabaram por tornar-se “vendedores de fitness”, descurando o acompanhamento efetivo dos praticantes. Para inverter esta realidade, considero essencial dar mais atenção a três pilares da experiência do cliente:
    Autonomia

    O praticante deve ter um papel ativo na definição do seu processo de treino e nas metas a alcançar. O técnico de exercício físico precisa de apresentar opções, ensinar, orientar e ajudar a estabelecer objetivos realistas.

    Competência
    É fundamental que o aluno sinta estímulo e evolução. Para isso, o técnico deve propor desafios ajustados, dar feedbacks construtivos e positivos e valorizar pequenas conquistas ao longo do caminho.

    Relacionamento
    Mais do que treinar, o praticante deve sentir-se integrado, valorizado e parte de uma comunidade. Ambientes positivos, sem pressões desnecessárias, e preferencialmente com trabalho em grupo ou acompanhamento próximo, aumentam a motivação e a adesão.
    O fitness em Portugal deu passos notáveis, com profissionais e projetos de enorme qualidade em todo o país. O próximo desafio é garantir que essa evolução se reflete na experiência do praticante, promovendo um treino mais autónomo, competente e relacional, capaz de transformar inscrições em participação efetiva e duradoura.

  • Maria Slenzak

    Maria Slenzak

    Carlos Querido

    Entre os artistas que têm apoiado os eventos do Centenário, escolhemos destacar nesta edição uma designer que está entre nós desde o início da guerra na Ucrânia.
    Trata-se de Maria Slenzak.

    Criadora de conteúdos digitais, trabalhou como designer nas empresas HFS-Ukraine e ELLE Ukraine, e como diretora de artes na empresa Cosmopolitan Ukraine.

    No ano de 2022 saiu da Ucrânia para uma reunião de trabalho em Barcelona.

    Quando regressava, o marido e os filhos aguardavam-na no aeroporto.

    No Céu do seu País choviam bombas, numa guerra súbita que a apanhou de surpresa.

    Não chegou a ir a casa, que se tornara um local inseguro para a família.

    Embarcaram todos num voo para o Egito, de onde rumaram a Lisboa, acabando acolhidos pela nossa Cidade.

    Extremamente dedicada, foi ela quem fez o design da Carrinha que a partir do dia 10 de outubro irá pelo País, a reconstituir o Circuito Hípico, a divulgar o herói caldense Tanganho e os valores que o tornaram uma celebridade há Cem Anos: coragem, resiliência, humildade e respeito pelo sofrimento do seu cavalo.

    Tendo-lhe sido pedido que interpretasse o Centenário em imagens, enviou-nos várias, das quais escolhemos estas.

    Obrigado, Maria.

  • Parabéns partilhados

    Parabéns partilhados

    Mais duas entidades da região nasceram no mesmo longínquo ano de 1925: a Casa do Pão de Ló de Alfeizerão e a Sociedade Filarmónica Recreativa Gaeirense

    Carlos Querido

    Na edição do Centésimo Aniversário a Gazeta das Caldas não esquece duas entidades da região nascidas no mesmo longínquo ano de 1925: a Casa do Pão de Ló de Alfeizerão e a Sociedade Filarmónica Recreativa Gaeirense.

    Diz a lenda, que o célebre Pão-de-ló terá nascido no mosteiro feminino de Cós, extinto em 1834, por decreto do ministro Joaquim António de Aguiar, que a história batizou de “Mata Frades”.

    Sem teto nem meios de subsistência, algumas monjas terão sido acolhidas em Alfeizerão, tendo ensinado a receita e a técnica de fabrico como manifestação de gratidão às famílias que as acolheram.

    Terá começado então a ser confecionado o pão-de-ló em ocasiões festivas, por encomenda das famílias abastadas, nomeadamente dos Fróis da Quinta de S. José, regularmente visitada pelo Rei D. Carlos.

    Numa dessas visitas régias, devido ao nervosismo das pasteleiras, o pão-de-ló terá sido retirado do forno antes de terminada a cozedura prevista, com um resultado que, ao invés de ser uma catástrofe, foi muito elogiado pelo rei.
    Se o rei gostou, haverá que repetir.

    Assim se terá criado uma tradição que a Casa Centenária manteve até aos dias de hoje.

    No estabelecimento, gerido por Helena Franco, respira-se um ambiente de conforto e tradição familiar.

    Há numa parede fotografias de uma antiga colaboradora e da filha, que ali trabalha atualmente, que por sua vez tem ao colo a sua filha.

    Nesta cadeia familiar transmite-se o “saber fazer” como uma herança de sabedoria prática, no que respeita a temperaturas e texturas das massas, para que o resultado seja sempre aquele que o cliente espera.

    Quanto à Sociedade Filarmónica, foi fundada exatamente no mesmo dia em que nasceu a Gazeta das Caldas – 1 de outubro de 1925.

    Herdeira da antiga Tuna da Sociedade Musical Gaeirense, na base da fundação desta perene e extraordinária instituição esteve o apoio da família titular da célebre Quinta das Janelas.

    Não foi por acaso que tudo começou com uma Tuna.

    O apoio da família Gama foi fulcral na fundação da Filarmónica, e Luiz Xavier da Gama (1868-1956), titular da referida Quinta, antes de se tornar o lavrador e criador de gado mais respeitado da região, foi um célebre boémio, ator e músico, que dinamizou a Tuna-Estudantina de Coimbra, e chegou a declamar poemas e a cantar a solo em espetáculos aos quais assistia a família real – https://tunauc.wordpress.com/arquivo/bau-de-memorias/tunos-tt/luiz-xavier-da-gama/

    Também esta instituição centenária tem características de transmissão e herança familiar que lhe conferem especial coesão e perenidade.

    Refere-se em artigo da Gazeta das Caldas, edição de 30 de setembro de 2025, o exemplo de António Costa, de 74 anos, e do filho Paulo Costa: o pai toca na banda há 60 anos, tendo começado aos 14 anos, idade em que o filho ali se iniciou como músico.

    Demonstração de vitalidade e de dinamismo da Sociedade Filarmónica e Recreativa Gaeirense foi o concerto no Convento de S. Miguel, no dia 23 de agosto, no qual participaram cinquenta músicos, incluindo alguns de outras bandas.

    Aqui fica, da parte da Gazeta das Caldas, um abraço de parabéns e votos de longa vida às duas instituições centenárias.

  • Do alto-mar ao Oeste: o futuro do oceano faz-se em rede

    Do alto-mar ao Oeste: o futuro do oceano faz-se em rede

    António José Correia
    Ex-Autarca

    Setembro foi um mês intenso para quem vive ligado ao mar. No plano global, celebrou-se a entrada em vigor, a partir de 2026, do Tratado do Alto Mar (BBNJ). Pela primeira vez, a comunidade internacional terá um acordo vinculativo para proteger a biodiversidade em áreas além da jurisdição nacional. Trata-se de um marco histórico a que Portugal aderiu em abril passado: possibilitar a criação de Áreas Marinhas Protegidas em alto-mar, reforçar a transferência de conhecimento e tecnologia e assegurar que todos os países, desenvolvidos ou em desenvolvimento, participam na preservação deste bem comum. É um passo da aspiração à ação, alinhado com os compromissos da Estratégia Nacional para o Mar e com a meta de proteger 30% do espaço oceânico até 2030.

    Mas o futuro do oceano constrói-se também a partir do local. Peniche voltou a ser palco de iniciativas de grande significado para a literacia do mar. A Escola Superior de Turismo e Tecnologia do Mar (ESTM), integrada no Politécnico de Leiria, em parceria com a Fórum Estudante e o Município de Peniche, organizou a 15.ª edição da Semana Tanto Mar, que reuniu cinquenta jovens do ensino secundário em experiências diretas com a pesca, a ciência, o surf, as Berlengas e a economia azul. Também em setembro, e numa iniciativa em que integrei uma painel de discussão, a ESTM organizou pela primeira vez a Universidade de Verão Tanto Mar da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento, reforçando-se a ligação entre Portugal e os Estados Unidos na valorização do Atlântico.

    Para mim é um orgulho ver a afirmação desta marca — Tanto Mar — à qual estive ligado desde a sua génese, e que hoje constitui uma referência nacional no despertar de vocações para o mar. A ESTM afirma-se, assim, como instituição âncora para a nossa região, combinando ensino, investigação, cultura e inovação ligadas ao oceano.

    Este setembro levou-me também ao Brasil, a Maricá, onde participei no Seminário Internacional da Economia do Mar. Levei a minha experiência enquanto Presidente da Câmara Municipal de Peniche como exemplo de cidade costeira que soube articular tradição piscatória, turismo náutico e surf, conhecimento e inovação. O Atlântico, afinal, não nos separa: une-nos.

    No ano em que a Gazeta das Caldas celebra o seu centenário, não posso deixar de recordar o papel fundamental que este jornal, sob a liderança do seu diretor José Luís Almeida e Silva, desempenhou na promoção da luta contra a instalação da Central Nuclear que o governo de 1975 e 1976 pretendia construir em Ferrel, no concelho de Peniche. Uma luta que também integrei, e que permanece como exemplo de cidadania ativa e de defesa do território e do mar. Ao evocar este episódio, importa igualmente sublinhar a relevância da comunicação social local e regional na afirmação e defesa da liberdade de expressão e, consequentemente, da democracia. A Gazeta das Caldas é, há cem anos, uma voz indispensável para a identidade da nossa comunidade e para a vitalidade da vida democrática.

    Do tratado global às experiências locais, passando pela cooperação transatlântica e pela memória histórica, uma mensagem se impõe: o mar exige-nos visão partilhada e ação concertada. É sempre no mar que encontramos o nosso maior desafio e a nossa maior oportunidade.

  • Cem anos de um arquivo: a Gazeta

    Cem anos de um arquivo: a Gazeta

    Joana Beato Ribeiro
    Arquivista

    O meu jornal sempre foi a Gazeta (das Caldas). À sexta, eu ou o meu pai, íamos ao correio e, à vez, folheávamos as notícias da semana no nosso concelho e região. Para quem vive na aldeia, a Gazeta era e é fundamental para saber o que de mais relevante acontece na cidade e para, como na minha casa, saber as novidades de outras freguesias rurais, especialmente Alvorninha e A-dos-Francos, de onde tem origens o meu pai.

    Em 2021, Dóris Santos escreveu neste mesmo espaço: “Quem quiser fazer a história das Caldas da Rainha do séc. XX não pode deixar de consultar a Gazeta”. E, pela leitura de vários números antigos e recentes, eu não podia concordar mais! A Gazeta é, por si só, um arquivo da nossa história local. Guarda nomes que são difíceis de encontrar noutros registos, guarda memória de vivências irrecuperáveis.

    As minhas investigações têm versado a ação de Fernando da Silva Correia e, em ano de centenário, deve também haver espaço para homenagear os seus fundadores: este médico foi um deles.

    No primeiro número deste jornal, escreveu sobre um dos assuntos que mais o fascinaram: a rainha D. Leonor. Na sua opinião, as Caldas deviam-lhe uma homenagem e, também aqui, tenho de concordar, hoje 100 anos depois. Nesse ano de 1925, o IV centenário da morte da rainha foi assinalado com a criação, em sua homenagem e com o seu nome, de um Lactário-Creche e a Associação Comercial e Industrial recebeu o célebre quadro em que Malhoa representa a rainha e que hoje se encontra no Museu com o nome deste pintor caldense.

    A presença na Gazeta de Fernando da Silva Correia prolongou-se por toda a sua vida. Nos primeiros anos de publicação, escreveu sobre a participação na Grande Guerra; doenças epidémicas e o estado higiénico da vila/cidade, região e país; “As causas do mal”, rubrica em que se propôs analisar a “enorme crise moral” existente; ou a história do Hospital Termal e da obra de Rafael Bordalo Pinheiro, propondo a “creação d’um muzeu ceramico nas Caldas”. A Gazeta constitui ainda um excelente meio de divulgação pública da sua ação, servindo para medir, até certo ponto, a opinião geral sobre ela.

    Em outubro de 1927, pouco depois da elevação a cidade das Caldas, Fernando da Silva Correia escreveu sobre o aniversário da Gazeta, declarando ser “um dos melhores jornais da provincia.” Em 2025, passados 100 anos do seu primeiro número, mais do que recordar as origens, devemos garantir a qualidade, continuidade e atualidade da Gazeta. Um longo futuro à imprensa local, arquivo da nossa história e memória!

  • “Pela estrada fora. Apontamentos sobre o património do Oeste”

    “Pela estrada fora. Apontamentos sobre o património do Oeste”

    Sandy Gageiro
    Jornalista

    Após uma brevíssima reunião na Gazeta, lá fomos nós. “ Está bem”, disseram-nos. Sem mais argumentos ou discussões começou uma viagem entre Peniche e a Marinha Grande, em várias etapas, em busca do património cultural do Oeste. Gasolina e refeições pagas, a estrada pela frente.

    O Pedro Bernardo fotografou e eu escrevi (maçarica, a tentar começar uma vida profissional no jornalismo).

    Estávamos em 1997/1998. O trabalho era levado muito a sério mas divertíamo-nos muito. As entrevistas foram sempre fáceis de marcar e quando chegávamos ao local raramente nos deparávamos com um só entrevistado, nas redondezas havia sempre mais alguém pronto para acrescentar uma história sobre o monumento ou museu que visitávamos.

    Não descurando a importância do trabalho as refeições eram, invariavelmente, a melhor parte do dia (lá está, o património gastronómico da região também presente!). Testávamos os estabelecimentos à beira da estrada ou perguntávamos pelo melhor e mais popular, o mais local.

    Conhecemos e partilhámos nas páginas da Gazeta lugares emblemáticos e palavras de quem defende o património local, num tempo em que ainda não existiam redes sociais ou pressão turística.

    Gosto de acreditar que fizemos um pouco de serviço público.

  • “Memórias de uma campanha autárquica”

    “Memórias de uma campanha autárquica”

    Ricardo Felner
    Jornalista e Critico Gastronómico

    A minha primeira reportagem foi publicada na Gazeta das Caldas, há 28 anos, estava eu a acabar a faculdade. Aconteceu em plena campanha para as autárquicas e o desafio fora-me feito pelo Pedro Bernardo, artista, fotojornalista, homem de múltiplos ofícios da terra. A ideia era acompanharmos os principais candidatos à câmara das Caldas, no terreno.

    Olhando agora para esses textos — que o José Luís Almeida simpaticamente fez chegar —, descontando a escrita imberbe, o que importa aqui reter é o que eles significam, enquanto documentos jornalísticos de um tempo, enquanto testemunho de quatro figuras — Fernando Costa, candidato do PSD, reinava, claro! —, de quatro responsáveis políticos.
    Relendo esses artigos, entendemos melhor a engenharia da caça ao voto. Percebia-se muito facilmente como é que as estruturas partidárias funcionam, como é que o partido no poder capturava votos, negociava acordos de mercearia com pequenos opinion makers locais, namorava os eleitores, um a um, aldeia a aldeia, croquete a croquete, comício a comício.

    Na altura, o jornalismo pareceu-me só esse exercício de estar perto de quem é governado e de quem nos governa, de quem gere os dinheiros públicos, de quem habita a pólis. E retratar. Dizer como foi. Dar voz a quem tinha o microfone, mas também a quem estava na plateia.

    Hoje, o jornalismo parece-me tudo menos simples, mas continua a depender de duas coisas: de pessoas que o façam de forma livre, sem amarras nem patrocínios perigosos; e de profissionais treinados para descrever, interpretar, contar.

    É no fundo isso que deve ser o jornalismo, mas para que isso aconteça temos de permitir que ele sobreviva.

    Nestes 100 anos de Gazeta das Caldas, quero sublinhar o seguinte. A cidade teria sido menos eficiente, justa, equilibrada, interessante, sem alguém que andasse a retratar a sua vida pública e política, como fizeram vários jornalista que passaram pela redacção do jornal ao longo deste século.

    É um trabalho recompensador, mas certamente duro. Ser um jornalista livre num meio pequeno implica dissabores, encontros imediatos desagradáveis, pressões muitas vezes difíceis de gerir — quer no departamento editorial, quer no departamento comercial e financeiro.

    A tudo isso, a Gazeta das Caldas sobreviveu. Saibamos celebrá-la.

  • “Um século de Gazeta, uma memória pessoal”

    “Um século de Gazeta, uma memória pessoal”

    Joaquim Paulo
    Ex-Diretor Adjunto da Gazeta das Caldas

    Escrever estas linhas para a edição do centenário da Gazeta é mais do que um exercício de memória ou de celebração do centenário da minha Gazeta. A convocatória do Carlos Querido, porém, obrigava a uma reflexão profunda porque este jornal que o leitor tem nas mãos é, em si mesmo, história. Estas linhas são, assim, uma forma de prestar homenagem a uma instituição que molda a identidade da cidade e da região há cem anos e que, durante um curto, mas exigente ciclo de três anos, tive a honra e a responsabilidade de ajudar a dirigir.

    Entre janeiro de 2020 e fevereiro de 2023 desempenhei, orgulhosamente, devo dizê-lo, o cargo de diretor-adjunto do jornal. Foram três anos intensos, desafiantes e, sobretudo, muitíssimo gratificantes. Foram três anos que me marcaram e deram o privilégio de viver por dentro uma das mais belas aventuras do jornalismo regional com que poderia sonhar quando, em pequeno, sonhava ser jornalista e contar histórias aos outros.

    O tempo mostrou-me que tinha razão em aceitar o desafio. Descobri uma cidade e uma região que me acolheram, conheci profissionais dedicados que me ensinaram tanto, e confirmei, semana após semana, que o jornalismo regional tem uma importância vital. A Gazeta das Caldas não é apenas um jornal: é um espelho onde a comunidade se revê, é uma ponte entre gerações, é um registo vivo da memória coletiva. Faz parte da vida de gerações de caldenses e, por isso, foi uma grande responsabilidade assumir a direção do jornal.

    O desafio começou com um choque de realidade: pouco depois de assumir funções, chegou o primeiro confinamento. O país parava, as ruas esvaziavam-se e o futuro tornava-se uma enorme incerteza. Como manter de pé a edição semanal da Gazeta quando tudo parecia estar contra nós? Felizmente, antes da pandemia tínhamos já conseguido implementar um novo sistema de edição que permitia aos jornalistas escrever diretamente para o “buraco”, como se diz na gíria da profissão. Esse detalhe técnico, que à partida poderia parecer menor para alguns, até da casa, acabou por ser decisivo: se não fosse essa mudança, muito provavelmente a Gazeta teria interrompido a sua publicação, como aconteceu com tantos outros periódicos locais espalhados pelo país. Não foi o nosso caso. Reforçámos o online e continuámos a ser um farol para as Caldas e para a região.

    E nos meses seguinte prosseguimos. “Reinventámos” o jornal. Adaptámo-nos ao contexto adverso e, sem jamais abdicar dos princípios e valores que fazem da Gazeta um projeto único, encontrámos novas soluções: modernizámos o layout, diversificámos as fontes de financiamento, lançando revistas, suplementos e projetos especiais. Cada número publicado, semana após semana, era uma vitória. Cada edição era a prova de que resistir é possível quando se acredita na importância da missão. Crescemos em audiências, em assinaturas e em publicidade. Era possível. A Gazeta estava mais viva que nunca.

    Em termos pessoais, dirigir o maior jornal do distrito e do Oeste foi uma enorme responsabilidade. Eu, um ilustre desconhecido, nazareno dos sete costados e que tinha desenvolvido o meu percurso em Leiria e Alcobaça, chegava às Caldas com todos os sonhos do mundo. Aceitei a tarefa sem olvidar o peso da herança. O convite surgiu na sequência da saída do Carlos Cipriano, cujo trabalho e dedicação marcaram de forma inequívoca a história recente do jornal. Não escondo: tremi. O Carlos era (e é) uma referência a vários níveis e seria difícil, sequer, igualar o que ele fez na Gazeta. Mas também sabia que não se recusa a oportunidade de contribuir para uma obra coletiva tão maior do que qualquer um de nós. Assim tentei. Dei o melhor de mim, com o apoio do José Luís, da administração, da redação e dos colaboradores. Como esquecer a edição do 96.º aniversário, que teve 96 (!) páginas? Como esquecer as edições em que tive o prazer de ter dois vultos locais, como o Carlos Querido e a Ana Sá Lopes, como diretores? Quanta honra. Como esquecer aquela verdadeira odisseia de ir a Itália acompanhar o final do Giro com o João Almeida, em 2021? Quantos jornais regionais ousariam ir tão longe? Mas nós fomos. Fizemos tudo, até ao momento em que senti que devia entregar o leme. Nestas coisas, é preciso saber sair e, embora o custo emocional tenha sido grande, senti que cumprira a minha missão.

    Olho para trás com gratidão. Foi bonita a viagem. E olho para a frente com esperança: que a Gazeta das Caldas dure, pelo menos, mais cem anos. Porque jornais como este não são apenas páginas impressas em papel; são parte da história, serviço público. Puro e duro. Num tempo em que tantas certezas se desfazem e em que o jornalismo enfrenta pressões sem precedentes, celebrar um centenário é uma conquista extraordinária. A Gazeta das Caldas está de parabéns. E todos nós, leitores, jornalistas, colaboradores e cidadãos, estamos também de parabéns por termos contribuído para a sua longevidade. Que venham mais cem.

  • Zé Povinho como nós

    Zé Povinho como nós

    Carlos Querido

    Nos cento e cinquenta anos do nascimento do Zé Povinho, ele que é tão nosso, a Gazeta das Caldas, bem mais jovem, não podia deixar de se associar no seu Centenário à celebração do aniversário de tão ilustre figura.

    Há quem lhe censure a aparente submissão pacóvia, quem lhe critique o sorriso soez e matreiro que silencia a raiva e a revolta, quem não lhe perdoe a resignação com que arrasta a albarda onde confortavelmente se instala o poder, quem ache que o manguito e o ar resmungão são pouca resposta para tanta injustiça, quem lhe exija a frontalidade do verdadeiro contestatário, quem o queira diferente, mais irado, sem a paciência nem a humildade servil.

    Na Exposição que decorre no CCC (de visita obrigatória), o curador Jorge Silva propõe-nos uma narrativa que se pode resumir assim: o Zé Povinho existe e ponto final; desde há 150 anos; a criatura sobreviveu ao criador; adaptou-se e resistiu a todos os momentos históricos; veio para ficar; em século e meio mudaram-lhe as roupagens mas nunca o carácter – persistentemente passivo, raramente indignado.

    A figura pesada e tosca do Zé Povinho nasceu em A Lanterna Mágica de 12 de Junho de 1875, e a sua passividade e imobilismo já exasperavam o criador que criticava amargamente a criatura: «olha para um lado e para o outro e … fica como sempre … na mesma».

    Foi sempre assim, tal como o conhecemos depois de ter atravessado mais de um século: o fatalismo a prevalecer sobre a audácia, o pessimismo a tornar inútil a indignação, o sorriso alarve a revelar a aceitação resignada de todas as desgraças que o poder lhe impõe.
    Mas a passividade também é resistência e há no manguito sorrateiro uma surpreendente altivez, de quem, descrendo da sua capacidade para mudar as coisas, despreza o poder de quem governa o mundo.

    Zé Povinho não reúne consenso nos tempos que correm e com frequência surgem verdadeiros manifestos contra a sua figura, que invariavelmente começam por lhe atribuir o honroso estatuto de identificação do povo português, e acabam a reclamar contra a sua falta de qualidades para tão nobre e exigente função.

    Esquecem que cada um é para o que nasce, e que o pobre homenzinho rústico e atarracado não nasceu na época gloriosa dos descobrimentos, não tem vocação de marinheiro das sete partidas, nem grandeza para personagem de Os Lusíadas, porque é apenas produto do seu tempo, afinal tão próximo do nosso, que continua actual apesar de mais de um século de existência.

    Os que criticam a sua figura têm medo que seja demasiado parecido connosco, que o lápis certeiro de Bordalo tenha captado na boçalidade resignada, uma característica da alma lusa.

    Ramalho Ortigão sossega-nos a todos quando diz que o Zé «dorme, reza e dá os vivas que são precisos», e que nunca aspirou a chamar-se «simplesmente Povo».

    Não será «simplesmente Povo», porque é mais do que isso, é o parente rústico e analfabeto que pode embaraçar-nos mas não deixa de estar presente de forma sólida e incontornável, e não adianta ignorá-lo, renegá-lo ou esquecê-lo, porque continuará a ser uma figura onde nos reconhecemos, por ser tão familiar, tão próximo, tão nosso.
    Parabéns, Zé!

  • “O lugar onde tudo começou”

    “O lugar onde tudo começou”

    Carla Tomás
    Jornalista

    “O gosto pela profissão nasceu na Gazeta das Caldas, quando as máquinas de escrever começaram a dar lugar aos computadores”. Esta frase acompanha a minha identificação na mini biografia com que assino enquanto jornalista no Expresso, onde trabalho há três décadas, e faz jus ao início de uma paixão que nasceu na agora centenária Gazeta. Foi neste jornal regional que dei os primeiros passos, num ambiente de liberdade e cultura, com boa camaradagem e em busca de histórias para contar. Foi também aqui que comecei a compreender a força do jornalismo enquanto um dos quatro pilares da democracia.

    Recordo a sensação de sentir a palavra escrita como contrabalanço ao caciquismo local. Uma descoberta que me fez sentir útil e feliz.

    A minha primeira reportagem, nunca esquecida, foi sobre um circo decadente que passou uma semana em Caldas. Tinha 19 anos. O liceu ficara para trás e a vida ativa chamava-me.

    Nesse mesmo verão tinha trabalhado como animadora cultural no Hospital Termal e participado nos ensaios e digressões de uma peça do Teatro da Rainha (“Arlequim Polido pelo Amor”). Duas experiências que me ensinaram mais do que imaginava. Não entrei na Universidade nesse ano, mas a Gazeta compensou com a melhor aprendizagem possível.

    Cresci com cada reportagem, com cada encontro, com cada texto escrito.

    Hoje, ao folhear o meu arquivo de artigos publicados na Gazeta entre 1989 e 1995 — um tesouro de papel já amarelecido pelo tempo, mas resistente às traças — sorrio ao revisitar personagens e histórias que marcaram  o meu percurso e formação. Entre elas está a conversa com o ativista revolucionário Custódio Maldonado Freitas, que partilhou memórias da luta antifascista antes e durante o Estado Novo, passando pelas revoltas estudantis e pela prisão em Caxias. Recordo as suas palavras firmes: “Valeu a pena. Não podemos esquecer a repressão e a violência a que o povo foi submetido.” Palavras que devem ecoar como avisos nos dias que correm.

    Releio também a reportagem feita a partir das conversas com o médico João Vieira Pereira, um dos últimos “João Semana”, que narrava as suas odisseias a pé, a cavalo ou de carro, para acudir a doentes em aldeias recônditas. E encontro ainda a história do barbeiro Eduardo Oliveira, que começara o ofício aos 10 anos de idade e já passara dos 60. Mantinha uma das quatro barbearias então da cidade, instalada num quarto da própria casa, com a janela aberta para a rua. Dizia-me que já só cortava cabelo e que passara a “embirrar” com “fazer barbas”.

    Escrevi também sobre a renovação do Museu José Malhoa pelo então jovem diretor Paulo Henriques, com quem muito aprendi sobre este museu e os pintores e escultores ali expostos; e sobre o nascimento do Arquivo Histórico Caldense, um projeto liderado por João Bonifácio Serra, que mobilizou uma equipa jovem para salvar centenas de documentos cobertos de pó, roídos por ratos e escondidos num sótão da Câmara.

    Acompanhei o Simpósio da Pedra, dando voz a escultores que “arrancavam nova forma à natureza morta de um bloco de mármore ou granito”. E registrei a montra generosa da natureza que era e é o Parque D. Carlos I,  mas onde ainda agonizam os pavilhões projetados por Rodrigo Berquó no século XIX. Entrevistei artistas, escritores, políticos e empresários e registei a despedida da Escola de Ballet da Casa da Cultura, onde eu própria tinha dançado dos 6 aos 18 anos. O encerramento, fruto de guerras político-partidárias, pôs fim ao sonho de muitas crianças e jovens da cidade como bailarinas/os naquele espaço histórico.

    Quando finalmente entrei na Universidade, em 1990, continuei a escrever para a Gazeta nos fins-de-semana e férias durante os quatro anos do curso. A Gazeta foi a minha primeira escola de jornalismo e estou grata a todos os que me abriram essa porta, em particular ao então diretor José Luiz Almeida Silva.

    Parabéns Gazeta. E que venham mais 100 anos!

  • José Aurélio – a incessante procura

    José Aurélio – a incessante procura

    Agendámos a entrevista para uma segunda-feira, dia de encerramento dos museus.
    Recebe-me um homem discreto, suave nos gestos e na voz, com um olhar sereno que cintila quando fala na arte como uma viagem de sublimação e transcendência.

    Carlos Querido

    Na galeria deserta a conversa flui entre peças silenciosas, ao sabor da corrente de palavras que transportam memórias de uma vida intensa de trabalho criativo.
    Das pequenas histórias que nos encheram a tarde, recorto apenas algumas para uma página de escassas dimensões para uma vida tão cheia.

    1. A Mão/Pomba de Óbidos (1966)
    Não há quem tenha crescido na região, que não conheça aquela e gigantesca Mão/Pomba que há décadas se ergue à beira da estrada para Óbidos.

    Conta José Aurélio, que Albino de Castro e Sousa, à época presidente da Câmara de Óbidos, lhe telefonou “muito aflito” quando recebeu um despacho do governo central a recomendar a construção de um monumento aos Heróis de Angola.

    Deslocou-se à Câmara, onde o presidente lhe disse que tinha aquela incumbência do governo, mas que o município era muito pobre e dispunha de pouco dinheiro para realizar tal tarefa, pedido que surpreendeu o jovem escultor, porque era amplamente conhecida a sua oposição ao regime vigente.

    Em início de carreira, sem ter ainda qualquer obra sua no espaço público, José Aurélio aceita a empreitada, com o compromisso de baixo custo, e dedica-a às mães dos “heróis de Angola”, como uma “mensagem esperança”.

    Como lema, elege uma estrofe de Camões, inscrita na base da escultura: «E aqueles, que por obras valerosas/ Se vão da lei da morte libertando.».
    Explica-me o autor, que a escultura representa “a alma que se está a soltar do corpo… a pomba está-se a libertar como a alma se liberta do corpo”.

    A produção da obra foi feita pelo escultor com o apoio dum pedreiro, tendo sido a cofragem a parte mais difícil de execução: “fiz a cofragem em folhas de flandres e tivemos de dobrar o ferro”.

    Com alguma desolação diz-me que viu muitas vezes na montra da Foto Franco fotografias de casamentos em que os noivos posavam na escultura que, apesar de ser amigo do dono do estabelecimento, nunca pediu um exemplar de uma dessas imagens, e que hoje tem pena, porque gostaria muito de ter um desses registos.

    2. Na SECLA, com Ferreira da Silva
    A cerâmica, com a magia ancestral da arte do fogo, foi sempre uma das paixões de José Aurélio, que começou essa aventura no ano de 1957, na Olaria de Alcobaça, que considera uma “casa de referência” dessa arte.

    Logo no início da sua atividade de ceramista, faz uma exposição na Galeria do Diário de Notícias, onde conhece Thomaz de Mello, que lhe compra algumas peças e que o convida a trabalhar na SECLA.

    Na SECLA substitui a ceramista Hansi Stael e conhece Ferreira da Silva, que também passou pela Olaria de Alcobaça.

    Da fábrica caldense recorda com particular saudade a oficina que Ferreira da Silva batizou por “CURRAL”, com a explicação que deu à Gazeta das Caldas, no Suplemento de 28.12.2001: «[…] naquele espaço onde existia “a lama, a amálgama da terra por trabalhar. Dávamos largas à grande imaginação e à grande coragem” […]. Aqui trabalhavam afincadamente estes homens que “éramos como quatro náufragos numa jangada, ou melhor, quatro feras naquele curral, e enfim, por isso assim ficou apelidado […]”».
    Diz-me José Aurélio, que muitas vezes se refugiava no “CURRAL”, com o Picas [José Picas do Vale], o Barroso [Guilherme Gomes Barroso] e o Galo [Henrique Galo], e que o impressionava o facto de estes artífices, quando pisavam o barro, levantarem os braços e cantarem, “num ritual que fazia lembrar os índios americanos”, esclarecendo-me que “o processo de amanha do barro” consistia em “amolecê-lo, pondo-o em condições de ser trabalhado”.

    Sobre Ferreira da Silva, refere a sua admiração por ser “um trabalhador incansável”, “muitas vezes genial”, admirando-o, no entanto “mais como artífice do que como artista”.

    Enquanto trabalhou na SECLA, frequentava o Café Central com Ferreira da Silva e foi lá que conheceu Luiz Pacheco. Nunca foram muito próximos e por essa razão ficou surpreendido com uma carta que recebeu do escritor quando este saiu das Caldas.

    Lateralmente, fala-me da Galeria Ogiva, que criou em Óbidos, um espaço de divulgação e de promoção da arte contemporânea, elogia o “excelente trabalho” de Mafalda Milhões naquele espaço e lamenta o facto de esta agente cultural ter sido afastada da antiga Escola dos Casais Brancos, onde tinha a livraria-editora Bichinho de Conto.

    3. A arte como sublimação e transcendência
    Pergunta irresistível na entrevista a um artista: José Aurélio, o que é a arte para si?
    A arte, diz-me, “até hoje ninguém a conseguiu definir. É sublimação, transcendência, manifestação que nos aproxima de Deus, definindo Deus como uma força universal, que não se sabe de onde vem nem para onde vai”.

    Esclarece-me que não se refere ao “Deus da Bíblia” mas a uma energia indefinível que nos rodeia.

    E confessa: “em muitas coisas que fiz consegui sublimar-me; tenho trabalhos que olho para aquilo com um sentimento de estranheza e não é meu; é o reflexo de uma viagem”.

    Elege Picasso como o expoente máximo do talento e conta que um dia viu o célebre pintor com Jacqueline numa rua de Capri, quis cumprimenta-lo, mas ficou “paralisado, a transpirar de emoção”.

    Considera que Picasso “viveu em pesquisa permanente; nunca se encontrou verdadeiramente; esteve até morrer à procura de si próprio”.

    4. Um artista sempre por realizar
    Tal como o seu ídolo, José Aurélio revela a insatisfação de quem se procura incessantemente na arte.

    Leio-lhe a lista de 24 obras em espaço público – em Portugal e no Brasil – constante do currículo que circula na NET, e ele refere-me duas omissões: o Monumento à Liberdade no Forte de Peniche e a Homenagem à Aviação em Alfragide.

    Apesar disso, não se considera um artista realizado.

    Fala-me do seu gosto por poesia, de Nuno Júdice, de quem é admirador e foi amigo, e do poeta alcobacense Levi Condinho, de quem editou um livro e que escreve nos seus catálogos.

    Não haverá melhor forma de terminar este trabalho do que com um trecho dum poema de Levi Condinho: “Aurélio o poeta das mãos / mágicas/ a ciência do metro medido/ pelo coração…”.

  • José Mota, um empresário singular

    José Mota, um empresário singular

    Tem um olhar vivo, focado, decidido, e fala com paixão da família, dos colaboradores e da empresa que construiu.

    Carlos Querido

    Pergunto-lhe pela infância, arruma o tema em poucas palavras: «não gostava de estudar; nunca gostei; a minha mãe puxava-me as orelhas para eu estudar, mas não valia a pena; eu queria era trabalhar.».

    O pai trabalhou mais de trinta anos na empresa Thomaz dos Santos como ajudante de motorista. O filho recorda as festas de Natal que o empresário oferecia às famílias dos trabalhadores e os brinquedos que recebia.

    Resume a adolescência a uma ambição: «sempre gostei de camiões e queria tirar a carta o mais rapidamente possível, para conduzir um».

    Trabalhou durante seis anos como ajudante de motorista, tirou a carta de condução de veículos pesados em 1994 e começou de imediato a conduzir um camião por conta de Transportes Guimar.

    Seguem-se a empresa de transportes André Simões e, finalmente, a Frissul, onde trabalhou oito anos.

    Tinha 22 anos e conduzia por estradas europeias – Holanda, Alemanha, Inglaterra.

    Preferia o longo curso, porque havia uma diferença salarial significativa, esclarece: «lá fora ganhava 320 a 330 contos; cá dentro, apenas cerca de 200 contos e eu precisava de dinheiro para comprar um terreno e fazer a minha própria casa».

    No exercício da condução tem quatro acidentes graves que não arrefecem a paixão pelos camiões e pelas estradas.

    Na Frissul oferecem-lhe a possibilidade de ter o seu próprio camião, que a empresa vende ao seu trabalhador em 2004 (passando este ao regime de outsourcing), mas rapidamente se apercebe que o negócio era ruinoso: «fiquei a pagar um xis todos os meses; deixei de ser empregado, passei a ser escravo».

    Entrega o carro e olha para o futuro, que não imagina sem camiões.

    Compra um, novo, por cem mil euros, com a ajuda dos pais. Trabalha como motorista e começa a construir a carreira de empresário.

    Nasce a Transwhite.
    Tem hoje 550 trabalhadores, 300 camiões nas estradas e 54 trabalhadores administrativos na sede da empresa em Caldas da Rainha.

    Para além do armazém na Zona Industrial das Caldas (1707 m²), a empresa dispõe de mais três: um em Albergaria-a-Velha, com 4165 m², outro em Oosterhout, na Holanda, com 8000 m² e, finalmente, outro em Badajoz (este o único em regime de aluguer), com 800 m².

    Pergunto-lhe pelo segredo do sucesso. Responde-me que dorme quatro a cinco horas por noite, está disponível para a empresa sete dias por semana, e conclui: «entreguei a minha vida à empresa».

    Repete-me várias vezes o mesmo lema: «se as empresas estiverem bem, os meus colaboradores estarão bem».

    Fala da esposa, Manuela Sábio, como o seu grande suporte afetivo e profissional, e chama à nossa conversa as colaboradoras que entram no gabinete e que confirmam as suas palavras: a Paula Patrício, a Cláudia Canabeira e a Elsa Santos.

    Esta última diz-me que durante sete anos conduziu camiões, está na empresa há doze anos, onde é atualmente responsável pela gestão de combustíveis e portagens, esclarecendo-me de que a empresa gasta por mês dois milhões de euros em combustível e 450 a 500 mil euros em portagens.

    Regressa às memórias da infância para me dizer que aos três anos de idade foi viver para a aldeia do Guisado (freguesia de Salir de Matos), onde conheceu Manuela Sábio, cujas qualidades profissionais enaltece repetidamente.

    É lá que o casal reside atualmente.

    Questiono-o sobre o valor que mais considera. Responde sem hesitação: «a humildade é o valor mais importante».

    Foi vice-presidente da Antram (zona centro), mas atualmente não exerce atividade associativa.

    Bom contador de histórias da sua vida, fala-me das flores que transportava para a Holanda, sobretudo alfazema: «daqui para lá, levava plantas; da Holanda para cá trazia flores de corte».

    A forma física, mantém-na com ginásio, corrida de madrugada e a prática de Paddle numa ou noutra escapadela ao Algarve.

    Competiu em Motonáutica (vice-campeão no Campeonato Andaluz – 2021), e em Kartcross, modalidade onde sofreu alguns acidentes.

    Na rua, mostra-me os camiões com o enlevo e a paixão que traz da infância. Aponta as diversas decorações, especialmente uma, dedicada ao neto Xavier.

    Aos 51 anos, olha o futuro como um espaço de conquista, com projetos por realizar.

    À saída vem-me à memória a canção do Jorge Palma: «Enquanto houver estrada para andar/ A gente vai continuar/ Enquanto houver estrada para andar/ Enquanto houver ventos e mar/ A gente não vai parar…».

  • Isabel Castanheira, uma vida cheia, de livros, de gatos e de Bordalo

    Isabel Castanheira, uma vida cheia, de livros, de gatos e de Bordalo

    Na vasta calçada, um felino eriçado interpela os poucos transeuntes com ar rezingão, dorso arqueado e cauda vertical.
    É o Gato Assanhado de Bordalo Pinheiro, integrado na Rota Bordaliana caldense, inspirado no gato Pires, célebre pela ligação ao Mestre e pela teimosa recusa em abandoná-lo. Desaparecido no dia do falecimento de Bordalo, encontram-no escondido sob as coroas de flores que cobrem a urna.

    Carlos Querido

    Na parede em frente, uma varanda emoldurada, à direita por três andorinhas e um lagarto, à esquerda pela Gatinha Bordaliana da autoria das ceramistas “Ana + Betânia”.

    Subo ao primeiro andar, ao encontro da Isabel Castanheira, e mergulho num mundo de livros e objetos de barro que convocam o passado que ali se refugia como se fosse presente.

    Há peças de barro de todos os formatos e feitios, seres ronronantes que treparam pelas prateleiras e ali ficaram, e o Zé Povinho em várias versões, com ar de desafio e sorriso soez e matreiro.

    Num ambiente de intimidade cúmplice, a Isabel vai desfiando um pouco da história da sua vida.

    Nasce em Timor, onde o pai era funcionário público. Trazem-na para Caldas um mês depois. O destino era Angola, onde passa a infância e a juventude e de onde regressa com o irmão em 1974.

    Nas Caldas sofre com o estigma do estatuto de “retornada” e desespera à procura de um emprego que não encontra.

    A paixão pelos livros dita-lhe um sonho: e se abrisse uma livraria?

    Acompanhada pelo irmão, solidário e cúmplice toda a vida, procuram um local para instalar uma livraria.

    Escolhido o local, o Registo Nacional de Pessoas Coletivas não aceita nenhum dos vários nomes propostos.

    Um dia descobre o nome, ali tão perto, no número da porta: Loja 107.

    Em sociedade com o irmão, António Castanheira, abre a Livraria 107, que fará da cidade um roteiro literário por onde passam «mais de cem autores a apresentarem as suas obras».

    Havia na loja dois gatos, o Gil Vicente e a Florbela Espanca, e um em casa, que dava pelo nome de Asterix.

    No início era apenas o Gil Vicente, mas um dia uma amiga fotografou-o à noite «ao lado de uma gatinha desconhecida». Afinal, havia uma pequena intrusa escondida atrás dos livros, a tal que veio a ser Florbela.

    Das muitas outras histórias que me conta, escolho esta, da relação comovente da Isabel com um ceramista caldense.

    Carlos Constantino apareceu um dia lá na loja com uma peça de grandes dimensões, «modelada mas não acabada, isto é, sem cozedura, porque ele nem tinha forno onde ela coubesse; era uma obra temporária, de homenagem ao Bordalo Pinheiro».

    A livreira deixava a peça sobre um balcão e à noite cobria-a com um pano molhado «para evitar que o barro secasse e a peça se partisse».

    Depois dos dias gloriosos da livraria, veio o encerramento «muito doloroso».

    Não conseguia fazer caixa para as despesas que tinha, explica ela, com uma mágoa que o tempo não apagou.

    Seguem-se tempos difíceis.

    E o que faz uma livreira sem os livros que são a sua paixão de sempre?

    A Isabel procura um velho encadernador de Leiria «da velha escola», entra na oficina e pede-lhe que lhe ensine o ofício.

    «Deve ter sido muito estranho para ele; uma desconhecida a pedir-lhe uma coisa daquelas», comenta hoje acerca do “mestre” que não a deixava, sequer, desmembrar um livro, porque não confiava na aluna.

    Não se dá por vencida e vai frequentar um curso de encadernação em Madrid, durante duas semanas, «com o encadernador que fornecia a Casa Real».

    Aprendeu, comprou material e dispôs-se a montar a sua oficia, mas não resultou porque, entretanto, apareceu-lhe a “artrite reumatoide”. «As mãos tremelicavam-me e não conseguia fazer nada de jeito».

    Os livros, sempre os livros.

    O passo seguinte, já que não consegue encaderná-los, é fazê-los.

    E fez vários, de que me recordo porque a acompanhei sempre nessa aventura.

    Começou com o Caldas de Bordalo, com o design do Miguel Macedo e a edição do João Paulo Cotrim.

    Um sucesso que levou a nossa Cidade a todo o País. Tive a honra de o apresentar no CCC, no Museu Bordalo e no El Corte Inglés.

    Segue-se Una Piccola Storia D’Amore, com o mesmo designer e o mesmo editor, que conta o deslumbramento de Bordalo por Maria Visconti, de quem o Mestre nos deixou um busto que registou a sua beleza para memória futura.

    Diz-me a Isabel que esta aventura romântica era «assunto proibido», não havendo qualquer referência nos estudos bordalianos.

    Leu «todas as cartas que havia no Museu Bordalo Pinheiro» e encontrou uma endereçada pela Visconti a Justino Guedes, na qual conta a relação com Bordalo em Paris durante a Exposição Universal de 1889.

    Seguem-se À Sombra dos Plátanos, edição da Gazeta das Caldas, constituída por textos publicados neste jornal, Quase Todo o Bordalo, com design do Jorge Silva e edição do João Paulo Cotrim, que faleceu antes da conclusão do livro, e o Roteiro dos Ceramistas com fotografias de Carlos Barroso.

    Mas há mais, porque ninguém para esta livreira que não sabe desistir.

    «Tive um AVC», confidencia-me, «nunca estamos preparados e eu precisava de ter alguma coisa para fazer».

    E assim surge um novo projeto, que tem nome – O Meu Amigo Rafael – e conteúdo: «relata tudo o que aconteceu nas Caldas, na vida dele como oleiro, baseado nos testemunhos de muitos autores, particularmente Fialho de Almeida e Ramalho Ortigão».

    O projeto a que está associado Jorge Silva, aguarda apoio para a edição.

    Despeço-me da Isabel e olho uma vez mais o gato bordaliano que me aguarda na rua. Reconheço-o. É Rafael Bordalo Pinheiro tal como se autocaricaturou em O António Maria de 19 outubro de 1882, sobre uma coluna, proclamando solenemente: Já fui gato.

    Só podia estar naquele local: com vista para a janela da Isabel.

  • Parabéns à Gazeta

    Parabéns à Gazeta

     

    Alberto Costa
    Advogado e antigo ministro da Justiça

    Correspondo, com gosto, ao convite que me chega do Coordenador da Comissão do Centenário da Gazeta das Caldas, Desembargador Carlos Querido, para escrever umas breves palavras nesta edição do centenário. A Gazeta é um jornal a que me ligam laços – tanto de leitura como de colaboração, em diferentes papéis – com duração praticamente idêntica à do nosso regime democrático.

    Ter persistido na sua missão durante um século, com tão drásticas mudanças à sua volta – designadamente na esfera institucional, tecnológica e comunicacional – constituirá sempre uma notável prova de capacidade de adaptação e de serviço prestado à comunidade, que justifica a inscrição da Gazeta no património regional e local. Tal como a imensa maioria dos leitores, não conheci a Gazeta do período anterior ao 25 de Abril, e por isso homenageio em particular o trajecto percorrido em democracia, em que a liberdade de expressão se substituiu ao anterior condicionamento repressivo da censura prévia e o pluralismo, o diálogo e o confronto passaram a exprimir-se, em benefício duma esfera pública crítica e participativa, neste caso com específica incidência no regional e local.

    Mas ao reconhecimento desse contributo há que juntar, agora, o sentido da realidade, das suas imposições e desafios. Há hoje muitas interrogações e sérias apreensões em torno do futuro da imprensa, e muito em especial da imprensa local. Manifesto aqui uma convicta esperança no seu papel futuro – e até, mais do isso, numa sua reinvenção – destacando apenas um dos vários fundamentos dessa convicção. É que, com o afastamento dos centros efectivos de poder, públicos e privados, e a sua planetarização (de que são exemplo maior as grandes empresas tecnológicas), é inegável que cresce também, para as pessoas e para as comunidades, em inevitável contraponto, o valor da proximidade – e, nesse quadro, muito em particular, o valor do regional e o local. Ora foi justamente ao serviço dessas dimensões de proximidade que órgãos como a Gazeta das Caldas souberam perseverar, adaptar-se e durar, subindo os degraus duma mudança que se impõe prosseguir e aprofundar. E há condições e motivações acrescidas para o continuar a fazer, já que a procura de fundo da proximidade está lá – e não parará de crescer.

    Não posso deixar de referir que, durante quase meio século, a «Gazeta» me chegou sempre representada e dirigida pelo José Luís, amigo desde os tempos longínquos do exílio – que eram também, e não por acaso, os tempos da supressão, local e nacional, da liberdade de expressão. Esta declaração de interesses impõe-me, naturalmente, sobriedade. Mas num tempo que é de centenário e de natural passagem de testemunho, ficaria de mal comigo próprio se não homenageasse também essa longa e generosa dedicação e o valor insubstituível do seu contributo para a edificação deste património centenário. Muitos concorreram por certo ao longo de tão extenso arco de tempo e a várias razões se ficará dever a notável persistência e o valioso contributo dum jornal como a Gazeta, que atinge agora a bem rara marca dos cem anos: uma delas, contudo, resume-se simplesmente no seu nome. Que novas gerações saibam agarrar no testemunho e avançar por novo século fora!

  • “Saudação à “Gazeta das Caldas”

    “Saudação à “Gazeta das Caldas”

    Gonçalo Fagundes Meira
    Diretor do Jornal “A Aurora do Lima”

    O Jornal “A Aurora do Lima” (Viana do Castelo), o mais antigo jornal de Portugal Continental, fundado em 15 de dezembro de 1855, por onde passaram destacados homens das letras, com referência para Camilo Castelo Branco, Guerra Junqueiro e João da Rocha; ilustres investigadores como Luiz Figueiredo da Guerra, José Caldas e Cláudio Bastos; insignes poetas como João Verde e António Manuel Couto Viana; este jornal resistente saúda o jornal “Gazeta das Caldas” na passagem do seu primeiro centenário; com o profundo desejo de que idênticos tempos venha a comemorar, em honra à imprensa regional que, neste tempo turbulento, persiste e persistirá em não claudicar.

    Honra aos que sentem o dever sagrado de saber resistir e levar ao espaço em que se inserem a informação cuidada, serena, isenta e elevada, dizendo não à informação especulativa e fantasiosa. Bem-haja a “Gazeta das Caldas” pelo seu percurso resistente de décadas, disposta, creio, a ser Gazeta por tempo indeterminado.

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