Category: Sociedade

  • Bombeiros de todo o país em competição nas Caldas

    No passado fim-de-semana realizou-se o Red Swat Firefighter Combat Challenge, no exterior da Expoeste. Sob o mote, “Caldas da Rainha, capital dos nossos heróis”, a prova – que pretende simular o combate a um sinistro urbano – trouxe 80 bombeiros de 13 corporações de todo o país.
    Durante cerca de dois minutos, os soldados da paz tinham que subir uma torre de três andares com uma mangueira, puxar outra até ao topo, descer, bater num bloco de aço com uma marreta, ir buscar a mangueira, fazer a água passar por um alvo e depois retirar uma “vítima” do local.
    Quem o fizesse em menos tempo era o vencedor. Em termos de equipas, a corporação de Espinho foi a primeiro (deixando os anteriores vencedores, de Queluz, em segundo lugar). A corporação de S. Martinho do Porto conseguiu o quarto lugar, logo a seguir a Setúbal. Caldas da Rainha ficou em 9º lugar.
    [shc_shortcode class=”shc_mybox”]Em termos individuais, Duarte Mendes (Lisboa) e Daniela Lima (Coruche) foram os mais rápidos. Hugo Vaz, de S. Martinho do Porto ficou em terceiro nos masculinos.
    Houve ainda um prémio para o mais experiente em prova – o caldense Rui Faria, que com 50 anos capitaneou uma equipa de cinco elementos. Nesse grupo estava outro chefe com mais de 30 anos de serviço nos soldados da paz das Caldas – Vítor Tavares (igualmente com 50 anos). O mais novo da equipa caldense, Rui Alves, tinha 23 anos. Marino Mendes (32 anos) e Telmo Pacheco (35 anos) completaram o quinteto.
    O comandante dos bombeiros caldenses, Nelson Cruz, disse à Gazeta das Caldas que este evento é “uma prova difícil, exigente e um exercício a sério que testa as capacidades dos bombeiros”.
    Nelson Cruz salientou ainda a boa disposição, amizade e camaradagem entre bombeiros que o evento proporciona durante um fim-de-semana.
    Já Tinta Ferreira, presidente da Câmara das Caldas, referiu que a meteorologia fez com que não houvesse mais público e deixou o repto para futuras edições: “era interessante que mais corporações participassem”.
    O presidente da Red Swat, o caldense Pedro Simões, disse à Gazeta das Caldas que, depois de Alcobaça, Esposende e Matosinhos, o challenger “vai ser nas Caldas nos próximos anos”.
    António Marques, da Expoeste, revelou que estão a planear fazer o evento separado da Classic’Auto e no interior da Expoeste. [/shc_shortcode]

  • Associação de Bom Vento e Casal Frade tem novo pavilhão

    A Associação Cultural e Recreativa de Bom Vento e Casal Frade inaugurou no passado dia 28 de Outubro o seu novo pavilhão, que se destinará à realização de todo o tipo de atividades lúdicas e de convívio.
    No acto inaugural foi realizado um almoço convívio que juntou cerca de 200 pessoas e contou com a presença do presidente da Câmara do Bombarral, Ricardo Fernandes e um momento musical com a banda da Sociedade Filarmónica Carvalhense.
    Ter um pavilhão era um objectivo antigo da associação, que para o concretizar vinha, há alguns anos, a realizar eventos de angariação fundos. José Gouveia, presidente da ACR Bom Vento e Casal Frade deixou, por isso, um agradecimento a todas as pessoas que ajudaram a concretizar a obra, incluindo o município e a Junta de Freguesia do Carvalhal.

  • Em Alfeizerão Rua do Relêgo vai ter mais luz?

    A falta de luz na Rua do Relêgo é um velho problema que afecta os residentes, que ao longo dos tempos têm manifestado o seu desagrado relativamente a esta situação e solicitado a instalação de um candeeiro à entrada da rua no sentido nascente-poente, mas a decisão foi sempre adiada.
    Ora nesta altura há todas as condições para resolver esta questão porque uma operadora de TV colocou recentemente um poste para ligar fibra óptica a outro local. Assim, este novo poste dá a oportunidade da EDP colocar um candeeiro naquele espaço criando, obviamente, melhores condições de visibilidade.
    O presidente da Junta de Freguesia, Leonel Ribeiro, diz que já providenciou junto da Câmara de Alcobaça para que o referido local seja, finalmente, iluminado. Se tal acontecer, será uma “prenda” para quem tanto esperou.

  • Movimento Cívico contra a instalação da zipline na Nazaré

    Foi criado no início de Outubro um movimento cívico pela defesa do promontório da Nazaré, que surge na sequência das intenções da Câmara em ali instalar uma zipline (ou tirolesa) de 700 metros a ligar o Sítio à praia.
    Trata-se de um grupo de 11 cidadãos de várias forças políticas da oposição e associações locais, entre outras, que pretende informar a população para a problemática em causa.
    Os seus elementos têm levado a cabo várias iniciativas como a criação de uma página de Facebook, intervenções em reunião de Câmara e Assembleia Municipal, distribuição de panfletos e a criação de uma petição pública.
    [shc_shortcode class=”shc_mybox”]Na petição endereçada à Assembleia da República, Ministério do Ambiente, Agência Portuguesa do Ambiente, Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, Câmara Municipal da Nazaré e Capitania do Porto da Nazaré, pode ler-se que a zipline “irá interferir destrutivamente no património geológico e na paisagem do promontório e praia, imagem icónica da Nazaré” e que “põe em causa o ecossistema da Fauna e Flora existente no local”.
    Os signatários fazem ainda algumas perguntas: “é um dado adquirido que a zipline vai atrair mais turistas? E quantas pessoas se sentirão incomodadas e deixarão de ir à praia, quer seja por receio de falta de segurança, quer seja pelo incómodo visual e sonoro?”.
    À data do fecho desta edição a petição havia sido assinada por 630 pessoas. [/shc_shortcode]

  • Desabou revestimento do tecto de um prédio na Rua Raul Proença

    Os bombeiros, a Protecção Civil e a PSP foram chamados no passado dia 2 de Novembro a uma derrocada parcial do revestimento da cobertura de um prédio antigo nas Caldas da Rainha, no número 26 da Rua Raul Proença. O prédio está praticamente desabitado e o incidente causou apenas danos materiais.
    Nelson Cruz, comandante dos bombeiros, disse à Gazeta das Caldas que a corporação foi chamada por uma moradora do rés do chão, que ouviu o barulho da queda no vão de escadas do estuque que rodeia a claraboia do prédio. Uma vez que no edifício, de três pisos, apenas o rés do chão está habitado, o acesso às escadas foi limitado com fita.
    O comandante acrescentou que não haverá risco de derrocada do prédio, pelo que não foi necessário proceder à evacuação do apartamento habitado. No entanto, será necessário proceder a obras de reparação, cuja responsabilidade está a ser apurada pelo gabinete de Protecção Civil das Caldas da Rainha.
    [shc_shortcode class=”shc_mybox”]António Loureiro, morador do prédio, contou à Gazeta que os problemas na claraboia já eram antigos. “Quando chovia já pingava naquele local, há muito tempo”, disse. O morador acrescenta que o prédio tem poucas condições e que, de resto, está a pensar mudar-se por temer novas derrocadas. “Não sabemos em que estado poderá estar o resto da estrutura”, afirmou.
    António Loureiro acredita que o tecto possa estar desprotegido, uma vez que “quando abrimos a porta do prédio forma-se uma corrente de ar, e quando está vento temos mesmo que segurar a porta, senão ela bate com força”.[/shc_shortcode]

  • Igreja Adventista inaugura templo nas Caldas

    Amanhã, 10 de Novembro, pelas 11h00, decorrerá a inauguração do novo templo da Igreja Adventista do 7º dia nas Caldas da Rainha. O novo espaço fica na Rua Carlos Garrido nº1.

  • Naturais da Serra do Bouro na I Grande Guerra

    No domingo, 11 de Novembro, a historiadora Joana Beato Ribeiro apresenta um trabalho de investigação sobre a participação dos militares da Serra do Bouro na I Guerra Mundial.
    A partir das 15h00 está prevista a realização de uma conferência, mesa-redonda com familiares dos combatentes e uma exposição no Centro Cultural e Recreativo da Serra do Bouro (CCRSB).
    [shc_shortcode class=”shc_mybox”]A historiadora identificou 16 militares naturais daquela localidade: Albino da Costa Capitaz, Albino Horta, António Antunes David, António da Costa – também conhecido por “Brindeira” -, António Francisco, António Inácio, Carlos Luiz, Eduardo Horta, Francisco Caetano, Francisco Casimiro, Joaquim Manuel Francisco, Joaquim Manuel Pereira, Joaquim Pereira Jacinto, José Ezequiel Júnior, José Martins (também conhecido por Zé Bonito) e Júlio Jerónimo.
    Em comunicado, Joana Beato Ribeiro informou que “através desta pequena investigação, percebeu-se que muito há ainda para descobrir sobre os militares que representaram Portugal na Grande Guerra”.
    O evento, que assinala o centenário da assinatura do armistício que pôs fim ao conflito armado, tem a parceria do CCRSB, da União de Freguesias de Santo Onofre e Serra do Bouro e da Associação Património Histórico.[/shc_shortcode]

  • Jantar de Angariação a favor do Centro de Acolhimento da Misericórdia

    Vai realizar-se no dia 24 de Novembro, a partir das 19h30, no restaurante Paraíso do Coto um jantar de angariação de fundos e comemoração do 20º aniversario do Centro de Acolhimento Temporário da Santa Casa da Misericórdia das Caldas da Rainha.
    Esta instituição, que acolhe actualmente 15 crianças e jovens, foi criada a partir de um projecto de luta contra a pobreza para dar resposta local aos menores que, por diversos motivos, não podem estar junto dos seus familiares.
    Estas crianças são acolhidas por ordem dos Tribunais de Família e Menores ou através de um Acordo com as Comissões de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ). Pretende-se que a sua permanência na Casa seja de curta duração, embora por vezes, a estadia se prolongue no tempo. Uma vez que estes utentes não pagam mensalidade o financiamento atribuído pelo Estado é deficitário para fazer face a todas as despesas.
    A refeição no Paraíso do Coto tem o custo mínimo de 15 euros e cinco revertem para a casa de acolhimento.
    As reservas podem ser feitas até dia 19 de Novembro pelos contactos tel. 262840400 ou e-mail cat@scmcr.pt.

  • Jornadas técnicas no Paul de Tornada

    As jornadas técnicas de gestão sustentável dos ecossistemas ribeirinhos realizam-se no dia 12 de Novembro no Centro Ecológico Educativo do Paul de Tornada. No mesmo dia há um workshop sobre infraestruturas verdes.
    O primeiro painel, com início previsto para as 9h30, aborda os instrumentos de ordenamento do território. Meia hora depois, João Paulo Fernandes (da Universidade de Évora) falará sobre a gestão dos ecossistemas ribeirinhos. Ainda na primeira parte do programa fala-se do restauro ecológico de galerias rípicolas.

  • Magusto de S. Martinho na paróquia das Caldas

    O grupo de jovens da paróquia das Caldas da Rainha vai realizar o II  Magusto de São Martinho, no próximo dia 17 de Novembro, a partir das 15h00, no Centro Paroquial, no Hemiciclo João Paulo II.
    Haverá neste convívio castanhas, água-pé, petiscos, quermesse e animação musical.
    Também com carácter sócio-caritativo, esta festa terá uma banca solidária, onde se poderão entregar alimentos não perecíveis para os mais necessitados. Os bens alimentares angariados serão entregues à Conferência Vicentina da Sagrada Família das Caldas da Rainha.

  • Projecto da Misericórdia das Caldas encerra no CCC

    A Santa Casa da Misericórdia das Caldas da Rainha vai realizar no dia 16 de Novembro, entre as 10h00 e as 13h00, um evento de encerramento do projecto dos Contratos Locais de Desenvolvimento Social (CLDS 3G).
    O evento terá dois momentos distintos. Pelas 10h00, no mezzanine do CCC, será lançada a colecção de joias “Heart of a Queen”, inspirada nos Bordados das Caldas, que resultou de uma parceria entre o CLDS 3G, a Câmara das Caldas, a joalheira Sofia Tregeira e a Associação de Bordados das Caldas da Rainha. O projecto contou ainda com a colaboração dos caldenses André Sentieiro, director criativo e designer, e Miguel Lopes, fotógrafo profissional.
    Uma hora depois, no pequeno auditório do CCC, tem lugar a sessão de encerramento intitulada “Em Rede – Impacto do(s) CLDS (s)”, na qual será feita a apresentação e a análise do impacto dos projectos, e uma reflexão sobre os mesmos.

  • Clássicos na Expoeste mostraram um século de evolução automóvel

    Mais de 200 clássicos trouxeram quase 7000 pessoas à Expoeste no passado fim-de-semana. Na Classic’Auto não faltou um exemplar do automóvel que revolucionou a indústria: um Ford T, de 1915. O evento mostrou a evolução da tecnologia no sector durante o último século.

     

    Há quem cuide deles como se de mulheres se tratassem. São as meninas dos seus olhos e passam horas a afinar, polir, limpar ou arranjar as fiéis amigas de quatro rodas. Falamos das viaturas clássicas, que no passado fim-de-semana ‘invadiram’ a Expoeste.
    À entrada do pavilhão, e logo depois de passarmos por um Bentley R-Type automático de 1956 que está exposto no hall, encontramos um Daimler de 1946 e um Mercedes de 1958, que vale 200 mil euros.
    Andamos mais um bocadinho e vemos, entre dois Ford A (tão típicos dos anos 20 americanos), um Ford T de 1915. Este foi o carro que revolucionou a indústria automóvel, fabricado em larga escala na primeira linha de montagem inventada por Henry Ford e acessível à maioria da população.
    Na Expoeste havia ainda uma carrinha Ford modelo A, estacionada entre dois camiões Scania da Transwhite. Foi recuperada pela própria empresa caldense e ostenta o nome da mesma.
    [shc_shortcode class=”shc_mybox”]Na Expoeste também se podia ver um Morris 8 Tourer de 1939 (só foi fabricado nesse ano), único em Portugal, e um Austin 12/6 também dos anos 30.
    Passamos depois por uma Citroen daquelas que antigamente eram usadas como biblioteca itinerante da Gulbenkian. Vemos mais do que uma Pão de Forma (as míticas carrinhas Volkswagen), e um Ford Country Sedan amarelo e cinzento.
    Hélder Alexandrino, que representa os Amigos Japoneses Antigos (um clube de automóveis e motas de marcas japonesas), falou sobre a criação da delegação Oeste do grupo, que aconteceu em Janeiro deste ano.
    Os amigos organizam encontros no segundo fim-de-semana de cada mês no cais da Foz do Arelho, para mostrar os carros e conviver. Normalmente aparece mais de uma dezena de entusiastas e por vezes fazem passeios, por exemplo, às salinas de Rio Maior.
    Este clube trouxe à feira nove carros, entre os quais seis Toyota Corolla, que mostram a evolução do modelo dos finais da década de 60 até aos finais dos 80. Além disso, mostraram um Nissan 300ZX, um Toyota Cellica e um Datsun Fairlady de 1968.
    “Todos os anos há um encontro nacional com passeio, que este ano deverá ser nas Caldas”, revelou Hélder Alexandrino.
    Depois de apreciarmos os 14 Land Rover, que assinalam os 70 anos da marca (e onde se inclui um da Polícia Municipal de Lisboa), vemos as 4L, os Volkswagen carochas e os Fiat500.
    Deparamo-nos então com uma parte dedicada apenas a veículos antigos dos bombeiros, onde vemos um veículo urbano de combate a incêndio da International Loadstar, uma Ford V8 e outros carros GMC, Ford e Chevrolet.
    Paramos novamente, agora para falar com outro caldense, João Ferreira, que tem um armazém no Carvalhal Benfeito onde guarda a sua colecção de mais de 750 motas e motorizadas e 160 bicicletas.
    A mota mais antiga é de 1948, mas na mostra apresenta uma Rixe com motor Sachs de 1958, uma Florett 3V com mudanças de punho e uma Vespa de 1967.
    É no Carvalhal Benfeito que tem também o seu negócio de venda de peças para clássicos, onde possui um espólio com mais de 200 mil peças.
    “Sou mais conhecido fora das Caldas do que aqui pois só me começaram a aparecer clientes desta zona com a realização da feira dos clássicos”, contou à Gazeta das Caldas. Dedica-se a esta actividade há 40 anos e nota que existe muita procura para as suas peças porque “são muito difíceis de encontrar”.
    Terminamos o passeio referindo as centenas de bicicletas, motorizadas e motas antigas que se podiam apreciar e um tractor McCormick Farmall Club de 1945.
    Num evento automóvel, ao fundo do pavilhão havia um local a vender comida… sob quatro rodas. Era uma carrinha com petiscos.
    António Marques, director da Expoeste, disse à Gazeta das Caldas que a colecção que esteve patente vale mais de cinco milhões de euros e que esta edição “melhorou substancialmente em relação aos anos anteriores”. Cerca de um terço dos 10 mil metros foram dedicados às peças, um mercado que atrai o seu próprio público. Segundo a organização, passaram pelo certame quase 7000 pessoas.[/shc_shortcode]

     

  • Vila Natal viaja até aos anos 80

    A 13ª edição da Vila Natal de Óbidos decorre de 30 de Novembro a 6 de Janeiro e tem como tema os anos 80 do século passado. Bolas de espelhos, cores vibrantes, lantejoulas e purpurinas, neóns e outros adereços, ajudam a fazer essa viagem.
    A novidade deste ano é uma roda gigante à entrada do recinto. No interior da Cerca do Castelo haverá um túnel da ilusão, jogos de Natal, discoteca, atelier de bolas de sabão e um presépio de Natal tradicional português.
    Mantêm-se a pista e a rampa de gelo, o carrossel, os trampolins, o comboio, os simuladores de realidade virtual e, claro, a Casa do Pai Natal. Entre as diversões haverá espectáculos de magia, circo, comédia, teatro e marionetas.
    No exterior da Cerca haverá uma árvore de Natal na Porta da Vila, que dá início a um trilho de luz que iluminará a muralha e a Rua Direita.
    A entrada custa sete euros (cinco euros para crianças entre os três e os 12 anos e 5,50 euros para grupos superiores a 20 pessoas).

  • De Salir de Matos para a Alemanha. A história de Isabel

    Maria Isabel Pereira nasceu em 1942 nos Infantes (Salir de Matos) e reside em Trabalhias, aldeia pertencente à mesma freguesia. Foi emigrante na cidade de Aachen (Alemanha) durante 42 anos. Hoje vive em Portugal, confessa que tem saudades daquele país, mas não gostaria de lá voltar a viver.

     

    Corria o ano de 1972 quando Maria Isabel e os filhos, José e Gabriel Guilherme, emigraram para este país de forma legal. Viajaram de comboio, visto que ainda não havia autocarros que fizessem a ligação directa entre os dois países.
    Antes desta senhora partir já o seu marido, Fernando Guilherme, havia viajado para a Alemanha um ano antes, a convite do cunhado, José Pereira, que já se encontrava na cidade de Aachen com a sua família há mais de cinco anos. Como a qualidade de vida na Alemanha era relativamente boa e acabava por se viver melhor do que em Portugal, Maria Isabel partiu com os dois filhos. Assim, quando este casal colocou a possibilidade de sair de Portugal nunca ponderou ir para outro país.
    Ao chegar à Alemanha, Maria Isabel percebeu que a sua adaptação neste país não seria tão fácil quanto esperara, sobretudo por um motivo: a língua. Para além de ser bastante diferente da portuguesa, a aprendizagem da língua alemã revelou-se muito, muito difícil.
    Acresce que, a distância de casa e as saudades da família em Trabalhias eram demasiado grandes e o “choro vinha de repente, a qualquer altura do dia… foi algo difícil de controlar”.

     

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    AS AMIGAS ITALIANAS

    Na Alemanha, Maria Isabel trabalhou numa fábrica de metal, a firma Schlüter que produzia sobretudo materiais para fogões. Para ela, a maior dificuldade neste emprego foi a grande quantidade de tarefas que teve de aprender em pouco tempo e a elevada quantidade de trabalho que tinha de fazer com as mãos. Apesar de ao início não saber falar a língua alemã, na fábrica tinha colegas de diversas nacionalidades, nomeadamente italianas, que a ajudaram a aprender este novo ofício e lhe explicavam o que era necessário fazer. “Como o italiano é mais parecido com o português do que o alemão, era com elas que eu mantinha maior contacto. Eram elas que me explicavam tudo o que era necessário fazer e como fazer. No início foram uma grande ajuda”.
    Os dois filhos de Maria Isabel, que viajaram com a mãe para a Alemanha, ainda com 12 e 8 anos, tiveram uma adaptação relativamente fácil. Andaram em escolas alemã e portuguesa, o que os ajudou a aprender a língua rapidamente.
    Estes anos na Alemanha foram mais do que apenas trabalho. Maria Isabel conheceu um novo país, com costumes diferentes dos de Portugal. Exemplo disso são as comidas típicas alemãs, que agradaram a esta senhora. Contudo, todos os emigrantes que preferissem a sua comida tradicional tinham a possibilidade de ir a um mercado que vendia produtos portugueses. No que toca aos preços dos produtos, é claro que os preços eram mais elevados na Alemanha comparativamente com Portugal.
    Todos os anos Maria Isabel, o marido e os filhos regressavam a Portugal, no tradicional mês dos emigrantes: Agosto. Passavam sempre cerca de três a quatro semanas na sua cidade natal. Regressavam sobretudo para descansar e estar algum tempo com a família que não viam durante todo o ano.
    Nos primeiros anos optaram por viajar de comboio. Mas ao fim de alguns anos, este casal acabou por adquirir o seu próprio carro, e a partir daí optaram por viajar dessa forma. O percurso demorava sempre cerca de 24 horas, com várias paragens em diversas cidades de França e Espanha, para poderem descansar.
    Ao fim de 42 anos na Alemanha, Maria Isabel e o marido planearam a sua vinda para Portugal com alguns meses de antecedência. Tinha chegado a hora de voltar para junto da família e viver confortavelmente naquele que é o seu país. Infelizmente o destino não foi favorável a estas pretensões e, poucos dias depois de ter regressado, Maria Isabel perde o marido que faleceu de doença súbita. Fernando Guilherme acabaria por não gozar a sua merecida reforma.

     

    SAUDADES DA ALEMANHA

     

    Agora, ao fim de quatro anos em Portugal, Maria Isabel sente saudades de todas as pessoas que conheceu no país que a acolheu durante 42 anos, apesar de nunca ter perdido o contacto com estas. Já voltou à cidade de Aachen, apenas para passar férias e estar com estes amigos, mas nunca sentiu vontade de voltar a viver lá.
    Com o devido distanciamento, consegue afirmar que a Alemanha sempre foi um bom país e não lhe consegue apontar qualquer defeito, a não ser a dificuldade de aprendizagem da língua. A cidade onde passou a maioria do seu tempo era muito semelhante à cidade de Caldas da Rainha, tanto a nível de território quanto a nível populacional, não havendo grandes diferenças a apontar.
    Apesar de gostar de estar em Portugal, Maria Isabel confessou à Gazeta das Caldas que ao início foi um bocadinho complicado readaptar-se ao país. Para além do clima ser muito diferente, já não estava habituada a passar tanto tempo nesta que é a sua terra natal.
    Maria Isabel, aconselha todos os portugueses que estiverem tentados a emigrar para a Alemanha a aprender a língua antes de partir. “Para mim foi um grande entrave não saber a língua. Acho que se tivesse aprendido antes de ter emigrado me tinha facilitado em muitos aspectos a minha adaptação ao país”.
    Questionada pela Gazeta das Caldas em relação a diversos temas da actualidade, Maria Isabel afirma que os seus amigos e família que se encontram na Alemanha lhe dizem que a chanceler Merkel é uma boa governante, e pelo que tem ouvido através da comunicação social, concorda com isto. Em relação à chegada de muitos refugiados a este país, Maria Isabel acha que não é muito bom sinal, porque a origem de refugiados é sinal de problemas no mundo.

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  • Praça Pública – Concorda que o Céu de Vidro seja privatizado e se acabe com esta entrada do parque?

    Praça Pública – Concorda que o Céu de Vidro seja privatizado e se acabe com esta entrada do parque?

    Gazeta das Caldas
    Francisco Miranda, voluntário (Caldas da Rainha) | I.V.

    Não, não faz sentido nenhum. Devia-se manter! Eu costumo passar por aqui e gosto. É sossegado e abrigado da chuva e fica mais perto para mim no caminho para casa.

     

    Gazeta das Caldas
    Maria Gonçalves, reformada (Caldas da Rainha) | I.V.

    Evidentemente. Quem sou eu para dizer que não? Até fico contente, ao menos fica isto tudo arranjado. Já estou farta de ver sempre a mesma coisa.

     

    Gazeta das Caldas
    Virgínia Henriques, doméstica (Óbidos) | I.V.

     

    Não concordo. Acho mesmo muito mal. Era uma mais-valia para a cidade porque fazem-se e podiam fazer-se imensos eventos. Sendo a recepção de um hotel, as pessoas ficam inibidas de passar. Eu gosto de vir dar um passeio até ao parque e então acho que não tem jeito.

  • Eleições na Confraria do Príapo a 20 de Novembro

    A Confraria do Priapo irá a eleições a 20 de Novembro e sabe a Gazeta das Caldas que há interessados em concorrer. Na última assembleia geral, que decorreu a 23 de Outubro no Centro da Juventude, ficou definida uma comissão para sugerir alterações aos estatutos. Entraram seis novos associados e o relatório de actividades e as contas foram aprovados por unanimidade, numa sessão onde estiveram perto de 20 pessoas.

     

    A Confraria do Príapo mostrou que ainda tem vigor e que ‘o das Caldas’ tem muito potencial para crescer. Na última assembleia, que decorreu a 23 de Outubro, no Centro da Juventude, ficou marcada a data para as eleições, que deverão pôr termo aos anos de inactividade da associação.
    O acto eleitoral ficou marcado para 20 de Novembro, data em que uma comissão composta por António Marques, Nicola Henriques, Marina Ximenes, Hugo Oliveira e Rui Vogado, deverá apresentar as sugestões de alterações aos estatutos.
    Na assembleia, Edgar Ximenes, que se mantém na presidência até às eleições, esclareceu que não trouxe ninguém para ser novo confrade para não ser mal interpretado e chamou a atenção para a ausência da maioria dos elementos da direcção.[shc_shortcode class=”shc_mybox”]

    Dos 13 elementos que compõem os corpos sociais apenas quatro marcaram presença. Da Direcção estiveram presentes Edgar Ximenes e Nicola Henriques, tendo faltado Umbelina Barros, Rui da Bernarda, Anabela Martins, Marcos Pinto e Victor Lopes Henriques. Da Assembleia Geral, esteve António Marques e Paulo Félix e faltou Hugo Oliveira. Do Conselho Fiscal, composto por João Frade, Maria da Conceição Colaço e Filipe Duarte António, não apareceu ninguém.
    O ainda presidente disse que se a confraria tiver sete vidas como os gatos, vai entrar na terceira e afirmou ter muito orgulho no que foi feito, ainda que assuma as culpas pela inactividade dos últimos anos.
    Em relação às contas, e tal como havia explicado à Gazeta das Caldas, realçou que não há dívidas. Quando assumiu a presidência tinham em caixa 555 euros. Foram feitos investimentos para tentar que a confraria se conseguisse autofinanciar. “Tivemos receitas de 2700 euros e despesas superiores a 3000 euros, neste momento a confraria tem 155 euros”, esclareceu.
    Ainda assim, a confraria tem em stock alguns produtos nos quais investiu, mas que não vendeu. Estes permitem, pelo menos, igualar os tais 555 euros que tinham em caixa quando assumiram a direcção, em 2011. “As contas estão boas para começar”, afirmou Edgar Ximenes.
    Ainda sobre o financiamento, defendeu que a confraria não deve receber subsídios camarários, mas sim apoios a actividades e projectos concretos.
    Já em relação ao espólio da associação – que está guardado na garagem de Edgar Ximenes -, o ainda presidente salientou a necessidade de encontrar uma solução, de preferência antes das eleições. “O presidente da Assembleia [Hugo Oliveira] deve fazer diligências para se dar satisfação a um desejo antigo, que se falou várias vezes, que é ter um espaço físico que nunca teve”.
    António Marques, vice-presidente da assembleia, presidiu à sessão e esclareceu que não tinha relatório do conselho fiscal. Afirmou que nas Caldas as pessoas são demasiado púdicas em relação ao falo e lembrou a primeira feira da cerâmica, com a passagem do bispo de Leiria pela exposição dos ditos. “Passou que nem um furacão”, recordou.
    Um dos confrades, Jacinto Gameiro, disse não compreender os cinco anos de inactividade, salientando o potencial do falo, uma ideia defendida por todos. Ana Marques, recém confrade, deu destaque aos falos tricotados em árvores do parque D. Carlos, que são uma atracção.
    José Ramalho afirmou que “só faz sentido existir a confraria se for para marcar a diferença”. Referiu-se ainda à colecção de objectos eróticos de Paulo Moura, um confrade de Coimbra que já várias vezes se disponibilizou para a instalar nas Caldas dela fazendo um museu do erotismo, acrescentando que tal proposta dever ser avaliada.
    Paulo Moura, que não esteve presente, enviou antes da reunião, um e-mail para todos os confrades insistindo em que a sua colecção fique instalada nas Caldas.

    Quer fazer parte da Confraria?

    Para ser confrade da Confraria do Príapo, é necessário ter dois confrades como proponentes, pagar uma jóia de 25 euros e ser aceite pela assembleia geral. Nesta última sessão entraram seis novos sócios, pelo que as contas da confraria já receberam um importante reforço. A confraria conta agora com 54 confrades.

     

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  • Comandante dos bombeiros diz que as limpezas florestais não resolvem tudo

    Comandante dos bombeiros diz que as limpezas florestais não resolvem tudo

    Nelson Cruz, comandante dos Bombeiros das Caldas, não está convencido de que as limpezas dos terrenos florestais que já se verificou este ano seja a solução para todos os males que conduzem aos incêndios rurais na região e no país.
    Este tem sido um ano relativamente calmo a este nível. Nas Caldas arderam apenas 13 hectares de floresta, mas também se tratou de um ano chuvoso, com índices de severidade dos fogos baixo, pelo que não se pode baixar a guarda no futuro. Mesmo assim continuam a existir comportamentos de risco e parte das saídas dos bombeiros aconteceram devido a queimadas não autorizadas que se descontrolaram.

    “Felizmente foi um ano mais calmo do que 2017”, diz o comandante da corporação de bombeiros caldense à Gazeta das Caldas, em balanço do dispositivo que terminou no final de Outubro.
    Este ano a legislação obrigou à limpeza dos terrenos florestais junto a vias de comunicação e habitações. Mas apesar de muito desse trabalho ter já sido feito, Nelson Cruz sublinha que há ainda muito por fazer e também não arrisca dizer que esse foi o grande factor que contribuiu para menor número de ignições de incêndios e menor área ardida.
    As tragédias vividas em 2017 ainda bem presentes na memória dos portugueses fizeram as pessoas alterarem comportamentos, mas trouxeram também nova legislação e uma intervenção mais constante e incisiva da GNR em relação à limpeza dos terrenos.
    “Acredito que as coisas possam estar a melhorar, mas não vamos pensar que esta questão das limpezas resolve tudo, porque não resolve”, afirma. O comandante dos Bombeiros das Caldas diz que ainda há muita gente a descurar a limpeza dos terrenos, ou que só está a limpar perto das habitações. “No centro puro da floresta, fora da zona urbana, a limpeza não foi feita e de ano para ano vamos aumentando o material combustível e havendo ignições haverá incêndios de maiores dimensões”, alerta.
    Por outro lado, num ano como o que estamos a viver, em que há alternância de chuva e bom tempo, quando se limpa no início do ano, ao chegar à época de incêndios o mato já voltou a crescer, o que obriga a atenção redobrada das autoridades.
    Passando aos números, no concelho das Caldas foram registados 97 incêndios durante o dispositivo de combate a incêndios – entre 15 de Maio e alargado até 31 de Outubro -, que resultaram numa área ardida de 13 hectares. O número de alertas sobe para 125 contabilizando desde 1 de Janeiro. O ataque musculado da corporação caldense, com saídas sempre em triangulação com mais duas de concelhos vizinhos, permitiu que não houvesse incêndios de grandes proporções.
    Nelson Cruz realça que 13 dos 97 alertas durante o dispositivo resultaram de queimadas não autorizadas que se descontrolaram, acabando os autores autuados pelas autoridades.
    Uma razão que também contribuiu para um ano calmo foi o baixo índice de severidade, pela queda de precipitação nos meses anteriores ao dispositivo. “Ajudou a que os fogos tivessem um comportamento menos agressivo quando comparados aos do ano passado, em que se viveu seca extrema”, justifica.

    TRINTA E TRÊS SAÍDAS DO CONCELHO

    Os Bombeiros das Caldas tiveram ainda 33 saídas do concelho, a maior parte referentes ao sistema de triangulação do dispositivo de incêndios. Este sistema baseia-se num princípio de ataque inicial musculado, em que respondem ao alerta uma equipa do concelho onde se dá o acendimento e outras duas de concelhos vizinhos.
    No entanto, os soldados da paz caldenses também estiveram em alguns dos incêndios mais mediatizados da estação quente nacional. A corporação esteve presente durante 10 dias no incêndio na Serra de Monchique, com um veículo de combate, um veículo tanque e um veículo de comando. Além disso, durante esses 10 dias, foi o autocarro da corporação que garantiu o transporte de rendição de quase todas as corporações de bombeiros do distrito, por solicitação da Autoridade Nacional de Protecção Civil. “Foi a primeira intervenção deste género do nosso autocarro, obrigou a um esforço dos nossos motoristas, mas foi uma medida interessante, que garantiu maior conforto e uma tranquilidade na viagem muito maior para os bombeiros”, explica Nelson Cruz.
    Os Bombeiros das Caldas estiveram ainda no incêndio do Ameixoal, nos concelhos de Loulé e Faro, no incêndio de Braga já em Outubro, e também na Serra de Sintra.

    INCÊNDIOS SÃO SÓ 1,2% DA INTERVENÇÃO

    Os incêndios podem ser a face mais visível da intervenção dos bombeiros junto da sua comunidade. No entanto, são apenas uma pequena parte da sua acção.
    Na verdade, correspondem a 1,2% de todas as saídas. Se desde o início do ano os bombeiros caldenses foram chamados a 125 incêndios rurais, no total as saídas para ocorrências eram 10.328.
    Destas, há duas claramente a destacar e também foram incêndios, mas industriais no mês de Setembro. O primeiro deu-se nuns armazém da antiga fábrica do Caiado. A grande dificuldade encontrada neste incêndio foi o material bastante inflamável, cerca de 1800 paletes de material para uma loja chinesa, entre os quais plásticos, papel, bonecos, lápis, ceras, tintas, entre outros.
    A estratégia foi defender os edifícios adjacentes, especialmente o call centre, localizado a escassos metros. “Quando chegámos o incêndio já tinha uma intensidade enorme”, recorda. O objectivo foi conseguido “com muita dificuldade”, observa, acrescentando que foram gastos cerca de 1,5 milhões de litros de água para conter as chamas.
    Pouco dias depois os bombeiros foram novamente chamados a um incêndio em armazéns de fruta, na Laranjeira (Alvorninha). “Eram armazéns de grandes dimensões e com fogos complexos ao nível do combate”, relembra o comandante. Também neste caso a estratégia passou por proteger o que não estava ardido, uma vez que dois dos três pavilhões estavam completamente tomados pelas chamas. “Também conseguimos cumprir a missão, dentro de um cenário que é mau e muito triste para as pessoas”, realça.
    Estas foram duas situações mais fora do comum. Desde o início do ano foram ainda transportados mais de 18 mil doentes, dos quais 13 mil em serviço não urgente e 5184 em emergência pré-hospitalar. Números idênticos aos dos anos anteriores. De resto, também ao nível da quilometragem os números serão idênticos, com cerca de 600 mil quilómetros percorridos pelas viaturas da corporação.
    Nelson Cruz diz-se “muito satisfeito e muito orgulhoso” pelo desempenho dos homens e mulheres que comanda.
    E deixa um elogio também à forma como a direcção da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários das Caldas da Rainha se envolve, inclusivamente com a parte operacional. “O presidente Abílio Camacho tem sido incansável no apoio logístico, como a alimentação para os bombeiros em incêndios com 10 a 20 horas de trabalho e que nos apoia sempre quando estamos a trabalhar no terreno”, sustenta.

     

    Duas equipas permanentes em quatro anos

    Nelson Cruz está há quatro anos e um mês como comandante dos Bombeiros das Caldas. Já entrou no último ano da sua comissão. Até agora o balanço que faz é muito positivo e realça a criação de duas equipas que permitem à corporação ter 10 bombeiros em permanência no quartel.
    A primeira foi constituída logo nos primeiros meses da comissão de Nelson Cruz, em Dezembro de 2014 e trata-se de uma equipa de reforço operacional, em protocolo com a Câmara das Caldas. A esta juntou-se em Junho deste ano uma equipa de intervenção permanente, em parceria com o município caldense e com a Autoridade Nacional de Protecção Civil. “Ficamos com 10 bombeiros prontos para sair ao minuto em qualquer situação de socorro”, realça. A primeira equipa é mais vocacionada para a emergência pré-hospitalar, enquanto a mais recente se destina a ocorrências como incêndios urbanos, desencarceramento e outras que envolvem saída de meios pesados.
    Estes bombeiros, mantêm serviço voluntário, mas passaram a ter contratos profissionais com a Associação Humanitária.
    Nelson Cruz destaca que tem havido uma simbiose muito forte entre o comando, a direcção da associação e o município, o que tem permitido à corporação evoluir na sua capacidade de resposta às necessidades da população. Ligação forte da qual fazem parte ainda as juntas freguesias, os empresários locais e a própria população, como se tem comprovado nos recentes cortejos de oferendas, em que se têm atingido novos recordes de doações para a corporação. Esta é uma receita que Nelson Cruz considera fundamental, assim como a gestão dos recursos que é feita pelo elenco directivo.
    Nos quatro anos que a sua comissão já leva, Nelson Cruz destaca a aquisição de 21 novos veículos, dos quais 16 vieram aumentar a frota dos bombeiros, e outros cinco substituíram viaturas em fim de vida. Doze desses novos veículos são ambulâncias, mas há a destacar também dois veículos para o comando, que melhoraram também a forma como os soldados da paz caldenses podem actuar no terreno.
    Têm sido realizadas várias melhorias no quartel, como a remodelação das camaratas, incluindo ao nível do mobiliário e das condições de conforto, assim como a sala de bombeiros. Todo o quartel foi pintado, foi substituída a cobertura, que continha amianto, coberta a parada para manter todas as viaturas em parque fechado. Actualmente está em fase de finalização a construção de um auditório, com capacidade para cerca de 120 pessoas, e a substituição dos portões da frente do quartel.
    Nelson Cruz diz que tem tido “muita sorte” nestes quatro anos à frente da corporação, embora “alguma sorte dê muito trabalho”, e não poupa elogios a toda a estrutura que comanda. “Nesta instituição há uma coesão forte, há um todo que sabe definir o que é correcto e o que não é, tomamos decisões em conjunto, avaliamos os problemas e caminhamos todos no mesmo sentido”, observa.
    O comandante diz que ainda é cedo para saber se renovará ou não a sua comissão, que terminará em Setembro do próximo ano, altura em que a associação atinge o 124º aniversário.

     

    Curso de bombeiros estagiários com 19 recrutas

    No passado sábado, 27 de Outubro, os Bombeiros das Caldas deram início a um novo curso de bombeiros estagiários, que conta com 19 recrutas. Nos últimos quatro anos já entraram na corporação 30 novos bombeiros.
    De há quatro anos a esta parte a corporação caldense tem realizado uma formação de novos bombeiros, à razão de uma por ano. Estes cursos têm sido ministrados em conjunto com outras corporações dos concelhos vizinhos, tendo em conta que o número de candidatos não tem justificado que cada faça faça o seu próprio curso de bombeiros estagiários.
    No entanto, este ano a procura nos Bombeiros das Caldas foi maior que o habitual. À partida estavam inscritos 21 recrutas. No entanto, dois deles acabaram por não iniciar a formação que lhes permitirá, dentro de alguns meses, integrar a equipa de soldados da paz. Mesmo assim trata-se de um número “muito bom”, realça o comandante Nelson Cruz. “Sabemos que nem todos chegarão ao fim, mas de facto é algo que prova vitalidade desta instituição”, acrescenta. Nelson Cruz realça que há muito tempo não se verificava um número tão elevado de recrutas – no passado mês de Setembro, aquando do aniversário da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários das Caldas da Rainha, foram integrados sete novos bombeiros.
    Estas novas fornadas são importantes para manter a vitalidade do corpo de bombeiros, até porque alguns vão também passando ao Quadro de Honra. “São pessoas com muitos anos de casa, alguns quase com 80 anos e continuam connosco, vão aos peditórios, vêm às reuniões e cerimónias, temos muito orgulho neles”, realça Nelson Cruz, acrescentando é um ciclo natural.

  • Rotários distinguiram os melhores alunos das Caldas e Óbidos

    Quarenta e sete alunos destacaram-se no ano lectivo passado ao nível do 9º, 10º, 11º e 12º anos, assim como nas escolas de música das Caldas da Rainha e Óbidos. O Rotary Club das Caldas reconheceu o seu mérito e distinguiu-os, no passado dia 26 de Outubro, numa cerimónia que decorreu no auditório da Escola Secundária Bordalo Pinheiro. Os colegas escolheram o melhor companheiro, que também foi distinguido.

     

    Durante mais de uma hora os jovens foram sendo chamados ao palco para receber, das mãos dos rotários e dos representantes das respectivas escolas, um troféu e um diploma, que os distingue no percurso escolar. A lotar o auditório estavam professores familiares e amigos dos alunos, que acompanharam emotivamente a cerimónia, que contou também com momentos musicais protagonizados por elementos da Academia de Música de Óbidos.
    Ana Pereira, adjunta da direcção da Escola Secundária Rafael Bordalo Pinheiro, fez um discurso motivador sobre o mérito dos estudantes, bem como do papel dos professores e das famílias dos jovens. A docente realçou que o reconhecimento do mérito, por parte dos rotários, é especialmente importante “numa sociedade que cada vez mais valoriza o sucesso fácil, superficial e efémero, muito diferente do sucesso dos jovens que hoje estão aqui”.
    [shc_shortcode class=”shc_mybox”]Referindo-se aos estudantes distinguidos como “meninos e meninas”, tal como são tratados nas aulas, disse que eles sabem que a excelência custa e que os bons resultados são fruto do esforço, método, disciplina e foco nos seus objectivos. “São, de certeza, pessoas muito resilientes e perseverantes e sabem que mais importante que não cair é o levantar-se depois de uma e outra derrota, seguir em frente e não desistir dos seus sonhos”, concretizou.
    A responsável acrescentou que estes jovens, além de estudar, também praticam desporto, andam na música, teatro, fazem voluntariado, integram colectividades, clubes e muitas vezes associações de estudantes, o que torna “os seus sucessos ainda mais meritórios”.
    Referindo-se à escola, a docente referiu que esta deve acompanhar a modernidade e não pode ter medo da mudança
    Nuno Fernando falou em representação dos pais, destacando todo o orgulho que têm nos seus filhos e agradeceu ao sistema de ensino que permite que, “quando os alunos querem, conseguem chegar a bom porto”. Já Camila Costa, uma das jovens distinguidas, partilhou que irá lembrar o seu percurso pelo secundário de forma muito positiva e destacou a importância de momentos como aquele em que se unem para comemorar a vitória do ensino.
    Também a vereadora da Educação, Maria João Domingos, destacou o facto da cerimónia destacar o sucesso do ensino. Realçou ainda que estão envolvidas uma dezena de escolas e que é premiada a capacidade de trabalho, vontade e o desejo de progredir dos estudantes.
    Presente na iniciativa, o vice-governador dos rotários, Rui Simões, fez votos para que o prémio recebido “seja fonte de motivação ao longo das suas vidas em todas as áreas, pessoal e profissional, para continuarem a dar o seu melhor e serem fonte de inspiração para outros jovens”. O rotário realçou também o trabalho dos professores e das famílias, pois acredita que a educação começa em casa.

    Prémios Escolares 2017-2018

    9º ano
    Letícia de Sousa – Colégio Frei Cristóvão
    Laura Marques – Agrupamento de Escolas D. João II
    Cláudia Mendinhas, João Pereira e Miguel Silva – Agrupamento de Escolas Josefa de Óbidos
    Sofia Silva e Camila Monteiro – Colégio Rainha D. Leonor
    Raquel Coelho, Maria Rita Lopes, Frederica Cristo – Agrupamento de Escolas Raul Proença
    Daniela Mendes – Agrupamento de Escolas Rafael Bordalo Pinheiro
    Miriam da Cunha (Fagote) – Conservatório das Caldas da Rainha
    Hernâni Almeida (Saxafone) – Academia de Música de Óbidos

    10º ano
    Telma Silva – Agrupamento de Escolas Josefa de Óbidos
    Fabiana Simão – Escola Técnica Empresarial do Oeste
    Carolina Henriques – Colégio Rainha D. Leonor
    Maria Leonor Silva – Agrupamento de Escolas Raul Proença
    Leonor Nascimento, Catarina Costa – Agrupamento de Escolas Rafael Bordalo Pinheiro
    Maria Catarina Santos – Conservatório das Caldas da Rainha
    Eliana Niagu – Academia de Música de Óbidos

    11º ano
    João Bonança e Mariana Silva – Agrupamento de Escolas Josefa de Óbidos
    Susana Augusto – Escola Técnica Empresarial do Oeste
    Inês Rebelo – Colégio Rainha D. Leonor
    Filipe de Paiva – Agrupamento de Escolas Raul Proença
    Carolina Monteiro e Liliana Querido – Agrupamento de Escolas Rafael Bordalo Pinheiro
    Catarina Lavadinho (Piano) – Conservatório das Caldas da Rainha
    Inês Fernando (Viola d’Arco) – Academia de Música de Óbidos

    12º ano
    Beatriz Pereira, Carolina Silva, Oksana Veychuk – Agrupamento de Escolas Josefa de Óbidos
    Marina Martins – Escola Técnica Empresarial do Oeste
    Bernardo Henriques – Colégio Rainha D. Leonor
    Camila Costa e Daniel Várzea – Agrupamento de Escolas Raul Proença
    Ricardo Ezequiel, Miguel Ângelo Fialho e Filipe Silva – Agrupamento de Escolas Rafael Bordalo Pinheiro
    Renata de Castro (Guitarra) – Conservatório das Caldas da Rainha
    Ana Rita Russo (Piano) – Academia de Música de Óbidos
    João Pedro Santos, Rodrigo Ricarte, Rafaela Ferreira (Nível 5), Sara Carqueijeiro (Nível 5), Sónia dos Santos (Nível 5) – Escola de Hotelaria e Turismo do Oeste

    Melhor aluno companheiro – Luís da Maia, do Agrupamento de Escolas Raul Proença

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  • Joaquim Batista e Maria da Conceição conheceram-se no posto da polícia

    Isto de emigrar nem sempre corre bem à primeira. Que o diga Joaquim Sousa Batista que fugiu de um bacalhoeiro na Terra Nova para ficar no Canadá, mas foi apanhado e recambiado para Portugal. Estava escrito que a sua vida iria ser em França onde, num belo dia, estava numa gendarmerie para tratar de papelada e se ofereceu como tradutor para ajudar uma jovem da A-da-Gorda que tinha chegado a Paris havia pouco tempo.

     

    Joaquim Sousa Batista nasceu em 1942 em Salir de Matos e fez a escolaridade obrigatória – a 4ª classe – na escola primária local, de onde saiu para ajudar os pais na agricultura. Nos anos 50, o interior do concelho das Caldas era de grande pobreza, mas a família de Joaquim não era das piores – o pai até tinha conseguido comprar um tractor e o jovem andava com ele nos trabalhos do campo.
    Mas aos 20 anos Joaquim Batista decide ir para a pesca do bacalhau. O objectivo era “safar-se à tropa” porque a guerra colonial tinha começado no ano anterior. Segundo as leis daquela altura, quem andasse embarcado sete anos, ficava sem a obrigação de cumprir o serviço militar.
    Joaquim achou que sete anos a andar aos tombos nos mares gelados do Atlântico Norte era muito tempo, e um ano e meio depois aproveitou para se escapar quando o bacalhoeiro Estêvão Gomes, no qual estava engajado, atracou em São João da Terra Nova, no Canadá.
    Foi detido quando tentava apanhar um avião para Montreal e devolvido ao navio. A partir daí foi considerado desertor: ao bacalhoeiro e ao serviço militar português.[shc_shortcode class=”shc_mybox”]

    Quando regressou a Portugal, mal atracou em Vila Nova de Gaia, a polícia foi buscá-lo. “Fui directamente para a prisão e puseram-me a descascar batatas. Estive lá dois dias, fui interrogado e mandaram-me para o barco”, contou à Gazeta das Caldas.
    A última viagem no Estêvão Gomes seria do Porto para Lisboa, onde foi novamente preso à chegada e levado a tribunal. Apanhou 30 dias de pena suspensa e foi recambiado para a tropa. Assentou praça em Leiria, fez a especialidade de cabo em Tomar e foi novamente posto dentro de um navio, desta vez o paquete Santa Maria, que o levaria para a Guiné.
    Por esta altura estamos em 1964 e a guerra naquela então “província ultramarina” (na expressão do regime) tinha alastrado. Mas Joaquim Batista nunca andou aos tiros. “Um homem alguma vez há-de calhar ter sorte. Era cabo quarteleiro, responsável pela arrecadação das armas e nunca andei no mato em operações”.
    No mês de férias a que teve direito não aproveitou para vir à Metrópole (Portugal). Tinha tirado a carta de condução de pesados e ficou a conduzir um camião por conta da Câmara Municipal de Bissau.
    A tropa não correu mal. Até comprou uma Kodak (máquina fotográfica) e fazia fotografias aos camaradas militares e aos indígenas, que vendia para arredondar o que recebia do pré.
    Finda a tropa voltou para o mar, mas desta vez para mais perto da costa, nos arrastões. Fartou-se e veio para as Caldas. Foi motorista na firma Crespos, transportando madeira de eucalipto em camiões, andou depois a fazer transportes de cerveja da Vialonga (Vila Franca de Xira) para as Caldas, mas aos 28 anos quis ir mais longe e resolveu dar o salto para França.
    “Ir a salto” significava ir clandestino para o estrangeiro, uma vez que o regime de Salazar não autorizava a emigração nem dava passaporte a todos os cidadãos. Joaquim Sousa fez o mesmo que muitos portugueses fizeram naquele tempo para “saltar” a fronteira – pagou a um passador. Este meteu-o, com um grupo de homens, num táxi que o levou das Caldas até aos arredores de Vilar Formoso. Atravessaram a fronteira a pé, pelas azinhagas de granito e fugindo ao controlo da Guarda Fiscal e da Guardia Civil até que apanharam um comboio já do lado de Espanha e viajaram até França. Não teve problemas na fronteira de Hendaya e no dia seguinte estava em Paris onde foi acolhido em casa de uns amigos do Imaginário.
    Em 1970 Joaquim começa a trabalhar numa firma de montagem de escolas pré-fabricados, depois passa para uma fábrica de componentes para automóveis e mais tarde para uma empresa de obras públicas em Villeneuve-le-Roi, perto de Orly. Trabalha durante 44 anos neste sector e reforma-se aos 65 em 2007.

    A HISTÓRIA DE MARIA

    Mas recuemos ao início dos anos 70, pouco tempo depois de Joaquim ter chegado a França. Estava um dia no posto da polícia a tratar de uns papéis quando um “gendarme” pergunta se alguém pode ajudar a traduzir a conversa com uma jovem portuguesa que queria legalizar-se. Maria da Conceição vinha da A-da-Gorda (Óbidos) e era um ano mais nova que Joaquim. Este já dominava o francês e ofereceu-se para ajudar.
    Foi assim que conheceu a sua futura mulher. Joaquim tinha tido um primeiro casamento em 1964 que não correra bem e estava divorciado. Maria da Conceição… enfim, a história de Maria era mais complicada.
    Nascera em 1943 e crescera junto aos rebanhos de cabras que o pai pastoreava. Fez a 3ª classe na escola da A-da-Gorda e ajudava em casa a fazer queijinhos que vendia no mercado do Bombarral e de porta em porta em Óbidos, num tempo em que a vila ainda tinha residentes. Engravidou e casou nova, mas as coisas não correram bem. Naquele tempo não se usava a expressão “violência doméstica” nem existiam gabinetes de apoio à vítima. Pelo contrário dizia-se “entre homem e mulher não metas a colher”.
    Mas Maria teve um pai compreensivo que não a abandonou e lhe pagou ele próprio um bilhete de comboio para Paris. Em 1970 Maria da Conceição Azevedo Vieira Batista chega à gare de Austerlitz e fica deslumbrada com a grande cidade. Tem uns primos que a esperam na estação e no dia seguinte já estava a trabalhar. Numa fábrica de roupa a cozer bainhas de calças. Depois passa para uma fábrica de móveis e a seguir entra nas limpezas. Todos estes métiers tinham uma coisa em comum – eram sem papéis e Maria desesperava para deixar de trabalhar ao negro e legalizar a sua situação.
    Foi numa destas demandas que conhece Joaquim, o rapaz de Salir de Matos que se oferecera para a ajudar na conversa com a polícia e nos trâmites burocráticos da legalização. Apaixonam-se, mas só em 1974, depois do 25 de Abril, ambos conseguem divorciar-se em Portugal e legalizar a sua relação em Paris.
    Com 28 anos, a jovem da A-da-Gorda trabalha 14 horas por dia. Como muitas outras portuguesas entra às cinco da manhã em edifícios de escritórios para fazer limpezas e depois cumpre ainda um turno de oito horas nas limpezas de um hotel. Até que um dia a sorte muda para melhor – subitamente Maria é convidada para trabalhar na cantina do famoso jornal Le Monde. Durante dez anos tem emprego fixo e assegurado a servir o almoço aos jornalistas, gráficos, redactores, estafetas, que por ali pululavam. “Era tudo gente muito simpática”, conta.
    Em 1985 o casal, já entrados nos 40 anos, resolve regressar a Portugal e instala-se nas Caldas. Abrem um mini-mercado, pomposamente baptizado de A Parisiense, “mas a minha mulher chorava todos os dias com saudades da França e acabamos por voltar para Paris”, conta Joaquim Batista.
    Maria, que tinha pedido uma licença sem vencimento, regressa ao Le Monde. Até que o jornal muda de instalações e a portuguesa prefere receber uma indemnização – que serviria para ajudar a comprar o apartamento do casal – em vez de acompanhar a mudança.

    SAUDADES DE CÁ E DE LÁ

    Ambos reformados, o casal tem um apartamento em Charenton-le-Pont (Paris) e outro nas Caldas da Rainha. Tal como muitos portugueses emigrados, vive três meses lá, três meses cá. Maria tem uma filha e uma neta a que Joaquim também chama suas e o apelo da família em França é muito grande. Agora o casal viaja frequentemente de avião nas suas idas e vindas, mas recordam os tempos em que o transporte aéreo era um luxo e o habitual eram as longas viagens de comboios entre Paris e Santa Apolónia. Durante anos, também viajaram de autocarro e, claro, também de automóvel, aquelas viagens que atravessavam França e Espanha, a cassette com a Linda de Suza a cantar La Valise en Carton no carro, as saudades da terra, o coração apertado e a pressa de chegar.
    Nos terrenos que foram do sogro, na A-da-Gorda, Joaquim entretém-se a enxertar árvores, semear batatas, tratar das hortas. E quando está em Portugal já sente uma pontinha de saudade da França. E quanto está em França já sente uma pontinha de saudade de Portugal.
    Sobre as polémicas em torno dos refugiados e dos pedidos de asilo que tanto dividem agora os europeus, Joaquim também reconhece a dificuldade em acomodar tantos estrangeiros e arranjar-lhes emprego. “Mas quando me lembro que em França me acolheram tão bem, penso que todos têm direito à vida, eles vêm lá do Mediterrâneo, em barco, sofrem tanto… Temos de ser humanos…”

     

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  • Projecto “À la Carte” pretende aproximar alunos da EHTO do mercado de trabalho

    Este ano o restaurante pedagógico da Escola de Hotelaria e Turismo do Oeste recebe o projecto “À La Carte”, que pretende unir os dois projectos anteriores – Sabores do Mundo e Raízes – e aproximar a realidade escolar ao mercado de trabalho, fazendo os alunos trabalhar com carta e obrigando-os a maior diálogo no serviço.

     

    O projecto “À La Carte” é a novidade do restaurante pedagógico da EHTO deste ano. Em vez de uma ementa fixa, os jovens alunos passarão a trabalhar com uma carta, possibilitando uma aproximação ao que vão encontrar no mundo do trabalho.
    Neste primeiro almoço, a carta foi preparada pelos formadores, mas nos próximos será a criatividade e pesquisa dos alunos que irá decidir quais as referências a apresentar.
    Neste primeiro almoço, para a aperitivo havia um mix de néctares com grenadine ou um Kir Royal (crème de cássis com espumante Quinta do Gradil e uma cereja no fundo).
    A entrada era única: um creme de ervilhas com presunto. Na carta dos pratos, havia duas opções, robalo de Peniche no forno com molho à portuguesa, ou vitela estufada à Lafões, com batata no forno. Os pratos, como é costume, primaram pela boa apresentação e pela confecção cuidada, com boa harmonia entre os sabores.[shc_shortcode class=”shc_mybox”]

    Para acompanhar havia vinhos rosé Castelo do Sulco e Meia Encosta tinto (do Dão, colheita de 2015). Para a sobremesa havia papos de anjo ou panacota de café.
    O almoço foi confeccionado pelos alunos do 3º ano do curso Técnico de Cozinha e Pastelaria e servido pelos do 2º ano de Técnico de Serviço de Restauração e Bar.
    A chef de sala, Marisa Rosa, admite que este projecto é mais complexo para a equipa, mas que é mais aproximado à realidade do mercado de trabalho. “É mais exigente, tem de haver contacto maior entre cozinha e restaurante, maior dinâmica”, referiu. Por outro lado, o “À La Carte” pretende “fazer com que haja diálogo entre empregado de mesa e cliente, que o empregado de mesa se estimule na parte do conhecimento e não só trazer o prato para a mesa”.
    No futuro os alunos irão experimentar cada vez mais cozinha de sala, que é a confecção dos pratos na própria sala.
    Já o chef Luís Tarenta salientou a importância desta aproximação ao mercado de trabalho para os alunos finalistas que estão a meses de começar a trabalhar. Não considera que seja mais difícil trabalhar à carta, mas salienta que exige maior organização da parte dos alunos.
    Ainda sobre este novo projecto, Daniel Pinto, director da EHTO, salientou que tal como o projecto Raízes, o À La Carte irá “traduzir ideias de sustentabilidade” e será uma junção do Raízes com os Sabores do Mundo.
    Neste novo projecto os alunos irão experimentar cozinhas de países como Marrocos, Tailândia, Brasil e México.

    Um terço dos alunos são das Caldas

    A EHTO tem 24 novos alunos de cozinha. Este ano abriram três turmas (uma de Cozinha e Pastelaria, uma de Gestão de Turismo e outra de Gestão e Produção Pasteleira). No total a escola caldense tem 200 alunos, dos quais apenas 30% são do concelho das Caldas.
    Entre 7 e 8 de Novembro, a escola das Caldas recebe a etapa regional do Centro do concurso Jovem Talento da Gastronomia. Depois, entre 16 de Novembro e 2 de Dezembro, o chef Luís Tarenta e um aluno irão passar 15 dias no México, na Feira do Livro de Guadalajara, a apresentar menus temáticos que unam os grandes autores literários com a gastronomia.
    Em Fevereiro realiza-se o Concurso Nacional Inter-escolas que irá decidir o representante português no concurso europeu. Mais de uma centena de alunos de todo o país irão disputar 10 provas (bar, restaurante, escanção, entre outras).

     

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  • Banheira termal retida há mais de seis meses em aeroporto brasileiro

    A banheira do século XIX que pertencia ao Hospital Termal e foi oferecida pelo município caldense ao seu congénere de Santo Amaro da Imperatriz (estado de Santa Catarina), permanece retida há quase sete meses na alfândega de São Paulo, no Brasil. A Câmara das Caldas mantém-se em contacto com o vereador Juliano Souza da Silva, de Santo Amaro de Imperatriz, que a informou que continua em “articulação com as várias entidades brasileiras, inclusivamente com o Ministro do Turismo, para ultrapassar as dificuldades processuais que lá existem e conseguir a liberação da banheira da alfândega de São Paulo”, referiu fonte da autarquia à Gazeta das Caldas.
    Primeiro foi a greve dos despachantes aduaneiros que parou as cargas internacionais no aeroporto de Guarulhos e depois o impedimento, por parte do Ministério da Agricultura brasileiro, da sua saída pelo facto dos pés da caixa de madeira que a transporta não terem sido fumigados (tratamento para a sua desinfestação).
    A prefeitura de Santo Amaro da Imperatriz tem estado a negociar com o ministério no sentido da caixa de madeira poder ser incinerada naquele local e depois a banheira ser transportada para o município do estado de Santa Catarina.
    A banheira em mármore, com cerca de 700 quilos, saiu do porto de Lisboa na tarde de 1 de Março, mas ainda não chegou à cidade de Santo Amaro da Imperatriz, onde irá constar de um monumento comemorativo dos 200 anos da fundação da sua estância termal. Trata-se de uma alusão ao presente da imperatriz Tereza Cristina, em 1845, que após conhecer as águas quentes de Caldas da Imperatriz, enviou para o hospital termal ali recém construído seis banheiras de mármore vindas da Europa e que ainda hoje são utilizadas por aquistas.

  • Projectos inovadores na área do turismo apresentados nas Caldas

    A segunda edição do programa Tourism Explorers decorreu no dia 24 de Outubro na EHTO. Esta iniciativa integrou seis bootcamps com formadores e premiou uma iniciativa com 30 horas de consultoria e três meses de incubação.
    Foram apresentados quatro projectos. O vencedor da fase regional foi o Glamping Lagoon, de Ina Vasques e Diogo Vasques (ex-aluno da EHTO e a sua mãe).
    O concurso, que decorre em 12 cidades do país, é promovido pela Fábrica Startups em parceria com as Escolas de Turismo de Portugal, Turismo de Portugal, ACP e Portugal Ventures. A final nacional decorre a 31 de Outubro e tem como prémio 10 mil euros e cinco bilhetes para a Web Summit.

  • Ministério do Ambiente garante dragagens na lagoa no primeiro semestre de 2019

    O concurso público para a segunda fase das dragagens na lagoa de Óbidos deverá ser lançado antes do final deste ano e os trabalhos deverão começar no primeiro semestre de 2019, disse à Gazeta das Caldas fonte oficial da APA (Agência Portuguesa do Ambiente).
    As dragagens, que representam um investimento de 16,8 milhões de euros, deverão demorar 18 meses, o que significa que haverá duas épocas balneares em que a paisagem da lagoa estará cortada por tubagens flutuantes que transportarão os sedimentos para o mar.

     

    A dragagem será realizada provavelmente com a utilização de duas dragas e três estações intermédias de bombagem (boosters) que conduzirão os sedimentos até ao mar através de tubagens flutuantes. O local de repulsão dos sedimentos será a sul da arriba do Gronho através de um jacto de areia e água (método de rainbow), que os depositarão a 100 metros da linha de preia-mar.
    De acordo com a APA, “sendo na costa Oeste a deriva de Norte para Sul, os sedimentos tenderão a deslocar-se nessa direção e após circulação na água do mar a depositar-se em parte nas praias a sul do Gronho, contribuindo assim para o reforço do cordão dunar e proteção da costa marítima”.[shc_shortcode class=”shc_mybox”]

    A Agência explica que esta opção contribui para a minimização da erosão costeira neste troço de costa e evita o impacte resultante de milhares de viagens de transporte por camião para transportar os sedimentos para os depósitos provisório e definitivo.
    As dragagens irão incidir sobre os canais de ligação aos Braços da Barrosa e do Bom Sucesso e nas bacias do delta do rio Real e na sua foz.
    Os trabalhos prevêm ainda a “valorização da zona a montante da foz do rio Real, numa área de 78 hectares, contemplando uma requalificação ambiental e paisagística de uma área atualmente ocupada por depósitos de antigas dragagens”.
    Prevê-se um volume total de dragagens de 850 mil metros cúbicos que vão contribuir para o aumento da superfície e volume da lagoa de Óbidos, melhorar a qualidade da água e “contribuir favoravelmente para a hidrodinâmica e o prisma de maré da Lagoa”.
    A dragagens vão ainda evitar o isolamento dos Braços da Barrosa e do Bom Sucesso e contrariar a progressão da foz do rio Real sobre o corpo principal da Lagoa. Por outro lado, a deposição dos sedimentos na zona do Gronho vai “robustecer o cordão arenoso litoral que protege a lagoa da agitação marítima”.
    Antes do início das obras uma equipa do IPMA (Instituto Português do Mar e da Atmosfera) procederá a uma recolha e análise dos sedimentos a dragar. A APA diz ainda que “está também prevista a monitorização ambiental da qualidade da água, sedimentos, ecologia, fauna e flora (antes, durante e após as dragagens) e o acompanhamento arqueológico da zona abrangida”.
    O estudo comparativo do comportamento hidrodinâmico da lagoa, antes, durante e após a realização das dragagens será efectuado pelo LNEC.

    Os números da empreitada

    Canal comum: 700 metros
    Canal do Braço da Barrosa: 1600 metros
    Canal do Braço do Bom Sucesso: 1200 metros
    Canal da foz do rio Real: 500 metros
    Comprimento total: 4000 metros
    Volume: cerca de 310.000 m3 de siltes e siltes argilosos
    Dragagem de superfície na foz do rio Real: 11 hectares
    Dragagem de superfície no Braço da Barrosa: 16 hectares
    Volume: cerca de 540.000 mil m3 de siltes e siltes argilosos

     

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  • Joaquim Batista e Maria da Conceição conheceram-se no posto da polícia

    Joaquim Batista e Maria da Conceição conheceram-se no posto da polícia

    Isto de emigrar nem sempre corre bem à primeira. Que o diga Joaquim Sousa Batista que fugiu de um bacalhoeiro na Terra Nova para ficar no Canadá, mas foi apanhado e recambiado para Portugal. Estava escrito que a sua vida iria ser em França onde, num belo dia, estava numa gendarmerie para tratar de papelada e se ofereceu como tradutor para ajudar uma jovem da A-da-Gorda que tinha chegado a Paris havia pouco tempo.

    Joaquim Sousa Batista nasceu em 1942 em Salir de Matos e fez a escolaridade obrigatória – a 4ª classe – na escola primária local, de onde saiu para ajudar os pais na agricultura. Nos anos 50, o interior do concelho das Caldas era de grande pobreza, mas a família de Joaquim não era das piores – o pai até tinha conseguido comprar um tractor e o jovem andava com ele nos trabalhos do campo.
    Mas aos 20 anos Joaquim Batista decide ir para a pesca do bacalhau. O objectivo era “safar-se à tropa” porque a guerra colonial tinha começado no ano anterior. Segundo as leis daquela altura, quem andasse embarcado sete anos, ficava sem a obrigação de cumprir o serviço militar.
    Joaquim achou que sete anos a andar aos tombos nos mares gelados do Atlântico Norte era muito tempo, e um ano e meio depois aproveitou para se escapar quando o bacalhoeiro Estêvão Gomes, no qual estava engajado, atracou em São João da Terra Nova, no Canadá.
    Foi detido quando tentava apanhar um avião para Montreal e devolvido ao navio. A partir daí foi considerado desertor: ao bacalhoeiro e ao serviço militar português.
    Quando regressou a Portugal, mal atracou em Vila Nova de Gaia, a polícia foi buscá-lo. “Fui directamente para a prisão e puseram-me a descascar batatas. Estive lá dois dias, fui interrogado e mandaram-me para o barco”, contou à Gazeta das Caldas.
    A última viagem no Estêvão Gomes seria do Porto para Lisboa, onde foi novamente preso à chegada e levado a tribunal. Apanhou 30 dias de pena suspensa e foi recambiado para a tropa. Assentou praça em Leiria, fez a especialidade de cabo em Tomar e foi novamente posto dentro de um navio, desta vez o paquete Santa Maria, que o levaria para a Guiné.
    Por esta altura estamos em 1964 e a guerra naquela então “província ultramarina” (na expressão do regime) tinha alastrado. Mas Joaquim Batista nunca andou aos tiros. “Um homem alguma vez há-de calhar ter sorte. Era cabo quarteleiro, responsável pela arrecadação das armas e nunca andei no mato em operações”.
    No mês de férias a que teve direito não aproveitou para vir à Metrópole (Portugal). Tinha tirado a carta de condução de pesados e ficou a conduzir um camião por conta da Câmara Municipal de Bissau.
    A tropa não correu mal. Até comprou uma Kodak (máquina fotográfica) e fazia fotografias aos camaradas militares e aos indígenas, que vendia para arredondar o que recebia do pré.
    Finda a tropa voltou para o mar, mas desta vez para mais perto da costa, nos arrastões. Fartou-se e veio para as Caldas. Foi motorista na firma Crespos, transportando madeira de eucalipto em camiões, andou depois a fazer transportes de cerveja da Vialonga (Vila Franca de Xira) para as Caldas, mas aos 28 anos quis ir mais longe e resolveu dar o salto para França.
    “Ir a salto” significava ir clandestino para o estrangeiro, uma vez que o regime de Salazar não autorizava a emigração nem dava passaporte a todos os cidadãos. Joaquim Sousa fez o mesmo que muitos portugueses fizeram naquele tempo para “saltar” a fronteira – pagou a um passador. Este meteu-o, com um grupo de homens, num táxi que o levou das Caldas até aos arredores de Vilar Formoso. Atravessaram a fronteira a pé, pelas azinhagas de granito e fugindo ao controlo da Guarda Fiscal e da Guardia Civil até que apanharam um comboio já do lado de Espanha e viajaram até França. Não teve problemas na fronteira de Hendaya e no dia seguinte estava em Paris onde foi acolhido em casa de uns amigos do Imaginário.
    Em 1970 Joaquim começa a trabalhar numa firma de montagem de escolas pré-fabricados, depois passa para uma fábrica de componentes para automóveis e mais tarde para uma empresa de obras públicas em Villeneuve-le-Roi, perto de Orly. Trabalha durante 44 anos neste sector e reforma-se aos 65 em 2007.

    A HISTÓRIA DE MARIA

    Mas recuemos ao início dos anos 70, pouco tempo depois de Joaquim ter chegado a França. Estava um dia no posto da polícia a tratar de uns papéis quando um “gendarme” pergunta se alguém pode ajudar a traduzir a conversa com uma jovem portuguesa que queria legalizar-se. Maria da Conceição vinha da A-da-Gorda (Óbidos) e era um ano mais nova que Joaquim. Este já dominava o francês e ofereceu-se para ajudar.
    Foi assim que conheceu a sua futura mulher. Joaquim tinha tido um primeiro casamento em 1964 que não correra bem e estava divorciado. Maria da Conceição… enfim, a história de Maria era mais complicada.
    Nascera em 1943 e crescera junto aos rebanhos de cabras que o pai pastoreava. Fez a 3ª classe na escola da A-da-Gorda e ajudava em casa a fazer queijinhos que vendia no mercado do Bombarral e de porta em porta em Óbidos, num tempo em que a vila ainda tinha residentes. Engravidou e casou nova, mas as coisas não correram bem. Naquele tempo não se usava a expressão “violência doméstica” nem existiam gabinetes de apoio à vítima. Pelo contrário dizia-se “entre homem e mulher não metas a colher”.
    Mas Maria teve um pai compreensivo que não a abandonou e lhe pagou ele próprio um bilhete de comboio para Paris. Em 1970 Maria da Conceição Azevedo Vieira Batista chega à gare de Austerlitz e fica deslumbrada com a grande cidade. Tem uns primos que a esperam na estação e no dia seguinte já estava a trabalhar. Numa fábrica de roupa a cozer bainhas de calças. Depois passa para uma fábrica de móveis e a seguir entra nas limpezas. Todos estes métiers tinham uma coisa em comum – eram sem papéis e Maria desesperava para deixar de trabalhar ao negro e legalizar a sua situação.
    Foi numa destas demandas que conhece Joaquim, o rapaz de Salir de Matos que se oferecera para a ajudar na conversa com a polícia e nos trâmites burocráticos da legalização. Apaixonam-se, mas só em 1974, depois do 25 de Abril, ambos conseguem divorciar-se em Portugal e legalizar a sua relação em Paris.
    Com 28 anos, a jovem da A-da-Gorda trabalha 14 horas por dia. Como muitas outras portuguesas entra às cinco da manhã em edifícios de escritórios para fazer limpezas e depois cumpre ainda um turno de oito horas nas limpezas de um hotel. Até que um dia a sorte muda para melhor – subitamente Maria é convidada para trabalhar na cantina do famoso jornal Le Monde. Durante dez anos tem emprego fixo e assegurado a servir o almoço aos jornalistas, gráficos, redactores, estafetas, que por ali pululavam. “Era tudo gente muito simpática”, conta.
    Em 1985 o casal, já entrados nos 40 anos, resolve regressar a Portugal e instala-se nas Caldas. Abrem um mini-mercado, pomposamente baptizado de A Parisiense, “mas a minha mulher chorava todos os dias com saudades da França e acabamos por voltar para Paris”, conta Joaquim Batista.
    Maria, que tinha pedido uma licença sem vencimento, regressa ao Le Monde. Até que o jornal muda de instalações e a portuguesa prefere receber uma indemnização – que serviria para ajudar a comprar o apartamento do casal – em vez de acompanhar a mudança.

    SAUDADES DE CÁ E DE LÁ

    Ambos reformados, o casal tem um apartamento em Charenton-le-Pont (Paris) e outro nas Caldas da Rainha. Tal como muitos portugueses emigrados, vive três meses lá, três meses cá. Maria tem uma filha e uma neta a que Joaquim também chama suas e o apelo da família em França é muito grande. Agora o casal viaja frequentemente de avião nas suas idas e vindas, mas recordam os tempos em que o transporte aéreo era um luxo e o habitual eram as longas viagens de comboios entre Paris e Santa Apolónia. Durante anos, também viajaram de autocarro e, claro, também de automóvel, aquelas viagens que atravessavam França e Espanha, a cassette com a Linda de Suza a cantar La Valise en Carton no carro, as saudades da terra, o coração apertado e a pressa de chegar.
    Nos terrenos que foram do sogro, na A-da-Gorda, Joaquim entretém-se a enxertar árvores, semear batatas, tratar das hortas. E quando está em Portugal já sente uma pontinha de saudade da França. E quanto está em França já sente uma pontinha de saudade de Portugal.
    Sobre as polémicas em torno dos refugiados e dos pedidos de asilo que tanto dividem agora os europeus, Joaquim também reconhece a dificuldade em acomodar tantos estrangeiros e arranjar-lhes emprego. “Mas quando me lembro que em França me acolheram tão bem, penso que todos têm direito à vida, eles vêm lá do Mediterrâneo, em barco, sofrem tanto… Temos de ser humanos…”

  • Alunos da escola Bordalo Pinheiro apelaram à criação de um Plano Municipal para a Igualdade

    Na Dia Municipal Para a Igualdade (24 de Outubro), 140 alunos do 10º ano da Escola Rafael Bordalo Pinheiro saíram à rua para a Praça da Fruta e Rua das Montras para chamar a atenção para as desigualdades que ainda existem. Os jovens apelaram à criação de um Plano Municipal para a Igualdade.

     

    A palavra “Igualdade” em grandes letras tridimensionais – que foi colocada no chão, em frente ao edifício da sede da União de Freguesias de N. Sra. Pópulo, Coto e São Gregório – chamava a atenção a quem passava na manhã de 24 de Outubro.
    A movimentação era mais intensa que o normal. No Dia Municipal da Igualdade, cerca de 140 jovens estudantes da escola Bordalo Pinheiro juntavam-se ali, com cartazes, frases e imagens a apelar à igualdade.[shc_shortcode class=”shc_mybox”]

    A maioria teria entre 14 e 15 anos. Uns traziam balões que ofereciam a quem passava, outros corriam a Rua das Montras e a Praça da Fruta com uma caixa com tiras de papel onde se liam vários direitos humanos. Quem passava, tirava um papel e acabava sempre a falar um pouco sobre o assunto.
    De uma das janelas da Junta, um jovem com um microfone alerta para esta “paz fictícia e volátil” e explica que esta é a sua forma de mudar o mundo: “agir localmente”, pedindo à Câmara que crie um Plano Municipal para a Igualdade.
    Seguiu-se um pequeno teatro em que duas personagens vão gritando preconceitos uma à outra. Primeiro ligados às desigualdades salariais entre homens e mulheres. Depois dos preconceitos, davam dados estatísticos e sugeriam medidas para a mudança. O mesmo foi feito logo de seguida em relação ao acesso aos cargos de liderança.
    A acção terminou com quatro alunos a declamar um poema, com um outro jovem ao lado a traduzi-lo para Língua Gestual Portuguesa.

     

    “A escola sair dos muros”

    Esta foi uma actividade dinamizada pela professora Manuela Silveira, e insere-se no currículo flexível. A directora do agrupamento, Maria do Céu Santos, explicou à Gazeta das Caldas que se trata de uma medida que foi adoptada ao nível dos 5º, 7º e 10º anos. “O ministério permitia entre 0 e 25% de gestão flexível, o nosso agrupamento aprovou 10%”, esclareceu.
    Nesse âmbito uma das novas disciplinas é “Cidadania e Desenvolvimento”, onde se abordam estes temas, como a solidariedade e a igualdade.
    “Mas é diferente estar o professor na sala a explicar ou serem eles a fazerem a sua pesquisa e a interiorizar os valores”, disse a directora. Daí que tenham preparado esta actividade, que também vai de encontro ao objectivo de “a escola sair dos muros pois os alunos devem mostrar aquilo de positivo que fazem e isso ajuda a acabar com o preconceito de que os jovens só estragam”.
    Em relação ao apelo feito pelos jovens à autarquia, Maria do Céu Santos sugeriu que no próximo ano todas as escolas, em parceria com a Câmara, celebrassem este dia pois “isso terá mais impacto”.

     

    Uma viagem ao Parlamento Europeu

     

    As jovens que apresentaram o pequeno teatro fazem parte de um grupo de alunos que participou no projecto EuroEscola no ano passado com um trabalho sobre igualdade de género.
    Os alunos da escola caldense ganharam a fase regional em Leiria e foram disputar a nacional na Assembleia da República em Lisboa. Também aí foram eles os vencedores, recebendo como prémio uma viagem ao Parlamento Europeu em Estrasburgo para fazer um debate sobre igualdade de género.
    “Vai uma turma de 25 alunos da nossa escola representar Portugal em meados de Novembro”, disse, orgulhosa, a directora.

     

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  • No Bombarral foi criada a Comissão Municipal para a Igualdade

    As comemorações do Dia Municipal para a Igualdade no Bombarral ficaram este ano marcadas pelo anúncio da criação de uma Comissão Municipal para a Igualdade, que reúne trabalhadores de diferentes sectores da autarquia para promoverem acções dedicadas à igualdade de género.
    A investigadora da Associação Portuguesa de Estudos das Mulheres, Sandra Saleiro, baseou-se em números para sustentar que ainda persistem desigualdades na sociedade actual. “É necessário visibilizar as desigualdades e consciencializar que elas existem”, disse, acrescentando que esta é uma questão que não se altera apenas a nível legislativo e com políticas de âmbito nacional porque “já se percebeu pelas sociedades que têm um percurso mais longo e bem-sucedido na promoção da igualdade de género, que o nível local é absolutamente essencial”.
    O dia municipal da igualdade foi celebrado a 24 de outubro com workshops, pintura de um mural pelos estudantes do concelho, momentos musicais e outras actividades.

  • Câmara juntou refugiados e luso-venezuelanos num jantar inclusivo

    No dia 24 de Outubro “O Garfo”, refeitório do Centro de Educação Especial Rainha D. Leonor (na Zona Industrial) recebeu um jantar inclusivo, proporcionado pela autarquia para comemorar o Dia Municipal Para a Igualdade. O repasto juntou os refugiados da Eritreia, Síria e Curdistão que estão a viver nas Caldas, com os luso-venezuelanos que regressaram às raízes e com idosos caldenses e utentes do Centro de Educação Especial.

     

    Um jantar inclusivo foi a forma escolhida pela autarquia das Caldas para celebrar o dia municipal da igualdade. Na noite de 24 de Outubro, perto de 40 pessoas conviveram à mesa no refeitório do Centro de Educação Especial Rainha D. Leonor (que fica na Zona Industrial e tem serviço de refeições diárias).
    De diferentes partes do globo e com histórias variadas, o jantar juntou os refugiados da Síria, Eritreia e Curdistão, com os luso-venezuelanos que regressaram a Portugal, os idosos do concelho e os utentes do CEERDL.[shc_shortcode class=”shc_mybox”]

    Foi um momento de integração em que as pessoas se puderam conhecer, conversar e conviver, antes de novo dia de trabalho (ou de escola para os mais novos).
    Ibrahim Mohamed tem 27 anos e vive há dois anos e meio nas Caldas. Veio da Eritreia e à Gazeta das Caldas contou que aqui encontrou a paz que não tem no seu país. “Estamos num regime cada vez mais ditatorial, com muita iliteracia”, explicou.
    Saiu da Eritreia, onde deixou a família, e encaminhou-se para o Sudão, seguiu para a Líbia, onde viveu a pior parte da viagem. “Foi muito difícil, passei sete dias no deserto, sem beber água e sem comer”, disse. Depois entrou em Itália de barco e de lá veio para Portugal. Nas Caldas aprendeu a língua portuguesa e encontrou trabalho a apanhar morangos no Bouro.
    Ibrahim faz questão de “agradecer as estas pessoas, especialmente ao Filipe, que nos tem acompanhado e que é muito bom para nós”. Trata-se de Filipe Vinhinha, responsável pela integração dos refugiados na Cruz Vermelha das Caldas.
    Filipe Vinhinha realçou que a sociedade local tem estado “aberta a recebê-los, o que torna a integração mais fácil”. A facilidade em encontrar trabalho, a maioria na agricultura, é fulcral nessa integração.
    Três dos quatro refugiados que a Cruz Vermelha das Caldas acolheu já cumpriram o plano de integração de 18 meses e ficaram por cá.
    “Eles dizem-me o que querem, eu não pergunto, não quero ser intrusivo, porque sei que tiveram vidas difíceis”, explicou.
    Este técnico agradeceu a existência destas iniciativas onde as pessoas “se podem conhecer e trocar impressões, podem entreajudar-se e isso facilita a integração”.
    A refeição foi confecionada pelos utentes do CEERDL e voluntários. Os presidentes das Uniões de Freguesias e os representantes camarários e do Centro de Educação sentaram-se um em cada mesa.
    No final, Jorge Varela, presidente da União de Freguesias de Santo Onofre e Serra do Bouro, disse que o jantar juntou “pessoas de várias latitudes, de várias crenças, todas diferentes, todas iguais” e pediu que se repita esta iniciativa.
    A vereadora Maria da Conceição Pereira explicou que este ano quiserem celebrar o dia de forma diferente, começando com uma sessão na biblioteca que juntou crianças e seniores para as primeiras conhecerem a escola do antigamente. A dirigente chamou a atenção para os idosos que são muitas vezes tratados como se não fizessem parte da sociedade.

    Família ainda está na Venezuela

    Nuno Pereira saiu da Venezuela há um ano, para Bogotá (Colômbia), mas encontrou aí problemas de xenofobia, dado que existem muitos refugiados venezuelanos. Dois meses depois decidiu fazer a viagem contrária à que fez o seu pai em 1976, e veio para Portugal.
    Este professor universitário de Artes começou do zero nas Caldas. Veio com parte da família e estão também a trabalhar a apanhar morangos no Bouro. “Temos que deixar o título universitário debaixo da cama”, realça Nuno Pereira, que actualmente já foi promovido a supervisor.
    Diz-se feliz nas Caldas, mas não completamente. “Estou feliz a 50%, a outra metade está na Venezuela que é a minha mulher e os meus filhos que ainda não puderam sair porque estão há dez meses à espera de passaporte”, contou Nuno Pereira, acrescentando que aquele documento custa actualmente dois ordenados mínimos.
    Considera que “a situação na Venezuela é uma bola de neve desde que o Chávez subiu ao poder” e nota que em Portugal só há dois ou três anos é que houve percepção do problema, com a vinda em massa dos luso-venezuelanos. “É grave. Um dia de trabalho meu em Portugal rende 20 euros, que é o ordenado do mês na Venezuela. E os preços continuam a crescer de dia para dia”, alertou.
    Nuno Pereira conta que os venezuelanos vivem com fome, insegurança e falta de cuidados médicos, e que se regista uma saída do capital intelectual do país. Não tem dúvidas em afirmar que têm sido “20 anos de deterioração política e social de um país rico em recursos naturais e em capital humano, que está a sair porque não vê manteiga no pão”.
    “Venezuela é uma nova Cuba”, afirmou o luso-venezuelano, notando que os serviços básicos estão deteriorados. “A título de exemplo, lá a Internet é lentíssima. Aqui tudo funciona. O contraste é sério. Lá quem vive bem está ligado ao governo”.
    E diz mesmo que a possível eleição de Bolsonaro no Brasil (à data desta conversa ainda não se haviam realizado as eleições) se pode explicar com o medo de uma venezuelização daquele país.
    Quase um ano depois da sua chegada a Portugal, diz que está a redescobrir as terras por onde anda. “Por exemplo, não sabia que a Igreja de N. Sra. Pópulo é mais antiga que a constituição da Venezuela como país”.

     

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  • Dia da Diabetes com Flahsmobs

    No dia 14 de Novembro comemora-se o Dia Mundial da Diabetes. Nas Caldas a Unidade Integrada de Diabetes do CHO irá promover actividades para a população.
    Sob o lema Diabetes e Família, está previsto um flashmob na sala de espera da Consulta Externa do hospital das Caldas às 14h30 e outro no La Vie (19h00), seguido de um momento musical com Falófarra.
    Durante todo o dia haverá uma exposição no centro comercial e à noite um edifício emblemático da cidade estará iluminado de azul.

  • Fernando Costa fala em almoço empresarial

    No dia 8 de Novembro realiza-se o 55ª encontro empresarial ao almoço, da Óbidos.Com, que terá como convidado o antigo presidente da Câmara das Caldas, Fernando Costa.
    O orador terá como tema “Política – Sim(s) e os Não(s).
    O repasto realiza-se a partir das 13h00 no restaurante Lúmen, em Óbidos, e tem um custo de 13 euros.

  • Especialistas debatem futuro da maçã de Alcobaça

    No dia 9 de Novembro realiza-se o Encontro da Maçã de Alcobaça destinado a debater temas como o futuro do sector frutícola e as tendências de consumo, bem como o sabor na satisfação do consumidor.
    Em comunicado, a Associação de Produtores de Maçã de Alcobaça salienta que “o sector da Maçã de Alcobaça registou na campanha comercial 2017/2018 uma das suas melhores de sempre” e que representa um volume anual de negócios de 40 milhões de euros, sendo responsável pela criação de cerca de 2500 postos de trabalho. O encontro realiza-se no Mosteiro de Alcobaça.

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