Categoria: Cultura

Agenda de eventos e artigos sobre a vida cultural na região.

  • Artistas mulheres abrem Season Impulso

    Artistas mulheres abrem Season Impulso

    É na próxima semana que arranca a Season Impulso que está de regresso ao CCC. As hostes abrem ao som de duas vozes femininas

    O Impulso está de volta agora em formato renovado. Começa já no próximo dia 17 de fevereiro, às 21h30, no CCC com as atuações de Femme Falafel e depois a aguardada atuação d’A garota não, cantautora que leva a palco o seu mais recente disco “2 de Abril”, aclamado pelo público e crítica.
    “Este seu segundo álbum está na lista dos melhores de 2022 para o Expresso, do Blitz e da Antena3”, disse o diretor do festival, Nuno Monteiro, acrescentando que espera”casa cheia” para o concerto desta artista setubalense cuja música “é intergeracional”.
    “A abrir a noite temos as amarguras cantadas por Raquel Pimpão, artista que passou a sua juventude nas Caldas. Estudou piano no Conservatório das Caldas e é a nossa aposta numa artista local, logo a abrir o próprio festival”, disse o diretor, explicando que será a estreia de Femme Falafel a solo, acompanhada por uma banda de quatro elementos.

    Femme Falafel, que assegurará a primeira parte passou juventude nas Caldas e integra projetos de músicos locais

    Raquel Pimpão é professora de piano e tem formação superior na área do jazz e da música improvisada. Costuma integrar o grupo que acompanha a cantora caldense Nádia Schilling.
    O Season Impulso vai ter 10 datas no CCC e contará com mais de 25 artistas nacionais e internacionais. Entre atividades paralelas, o festival contará com o cinema, exposições e masterclasses.
    Após a data de estreia, a programação continuará com NICØ, Marina Herlop e Expresso Transatlântico, que atuam a 24 de março. Angélica Salvi, Surma e bb.wav b2b ELBA sobem a palco a 21 de abril e Golden Slumbers e Dino D’Santiago a 19 de maio. Em junho há atuações de Hetta, The Rite of Trio e Trypas Corassão.
    Segundo Nuno Monteiro esta Season Impulso quer manter o seu espírito eclético, apostando sempre na qualidade e na proximidade com o público. O Festival Impulso em formato ao ar livre regressará em 2024 e quer voltar a apostar nas residências artísticas, na programação de cinema internacional e parcerias com os agentes culturais locais. E vai querer continuar a apresentar nas Caldas o que de melhor se faz na área da música alternativa e independente.
    O Impulso 2023 é organizado pela Pulsonar Associação, numa co-organização com o município das Caldas e em parceria com a ESAD.CR .Os bilhetes para os concertos estão disponíveis à venda no CCC e através da rede BOL.■

  • Exposição: Caetano Botica para conhecer no Cabaret Voltaire Lounge

    Exposição: Caetano Botica para conhecer no Cabaret Voltaire Lounge

    A mostra “Um Olhar” de Caetano Botica está patente, até 2 de março, no bar Cabaret Voltaire. A exposição reúne desenhos e pinturas da autora que já expôs no restaurante geo e no café-concerto do CCC. Caetano Botica também retrata a região. Pintou as Caldas escolhendo a Praça da Fruta, o Parque, os Pavilhões e Zé Povinho. De Óbidos escolheu o castelo, o bordado local e as janelas típicas. ■

  • José Afonso relembrado com casa cheia e muita música

    José Afonso relembrado com casa cheia e muita música

    Café concerto do CCC esteve lotado, a 5 de fevereiro, no primeiro evento de homenagem local ao poeta-cantor

    Não havia espaço para colocar nem mais uma cadeira no café concerto do CCC no passado domingo. Reuniram-se naquela sessão cerca de 160 pessoas, de todas as idades, que quiseram marcar presença na primeira iniciativa de homenagem a Zeca Afonso, passados 40 anos da Festa da Amizade, realizada no Pavilhão da Mata. Muitos dos presentes participaram nessa festa solidária e vieram ao CCC lembrar esse acontecimento.
    Na sessão em que foi vendida a serigrafia com o cartaz da Festa da Amizade, partilharam-se memórias daquela iniciativa e sobre o homem, o cantor e o poeta “que tanto se dava com o professor catedrático como com a senhora que vendia hortaliças na Praça”, disse Élia Mendonça, uma das organizadoras do evento que integra o Núcleo das Caldas da Associação José Afonso (AJA), sediada em Lisboa.
    Já na mesa, a caldense recordou vários detalhes daquela memorável festa “que envolveu toda a cidade que na verdade se uniu em volta de um companheiro que, na altura, necessitava de ajuda”, acrescentou aquela responsável, referindo-se ao facto do cantor ter ficado doente, com esclerose lateral amiotrófica e precisava de dinheiro para os tratamentos. Francisco Fanhais e Manuel Freire, presidente da direção e da assembleia geral da AJA que apadrinha o Núcleo das Caldas, promotor do programa de iniciativas que se vão realizar ao longo de 2023, emocionaram-se quando descreveram situações específicas vividas ao lado de José Afonso. Estes seus companheiros de estrada e de palco partilharam memórias.
    “É com muita emoção que estamos aqui em volta do Zeca. Foi um grande amigo de todos os nós….”, disse Francisco Fanhais enquanto descrevia estórias de outras pessoas que foi encontrando no país e que muito o admiravam.
    Numa festa de homenagem feita no Norte do país “encontrei um jovem que me pediu para que lhe levasse um recado. Diga ao Zeca que ele não morre no coração da malta nova!”. E é isso que a AJA tenta fazer, “preservar a memória deste homem que colocou todas essas qualidades ao serviço da cidadania”. Francisco Fanhais ainda partilhou que não consegue falar do seu amigo “sem se emocionar por dentro”. Manuel Freire também esteve na Festa da Amizade mas confessou que não tinha qualquer memória do espetáculo do qual fez parte, no Pavilhão da Mata. “Já estive a ver as fotos e conheço toda a gente, mas de facto não me lembro…”, referiu o convidado que diz que a sua memória é como a renda de bilros. “Pouco fio e muitos buracos!”, disse o músico que ainda partilhou com a assistência que não fazia a mínima ideia que 40 anos passados iria mudar-se para a localidade de A-dos-Negros (Óbidos). “E é com gosto que aqui estou, para manter a memória do Zeca, esse amigo e companheiro de quem tenho muitas saudades”, rematou. A vereadora Conceição Henriques recordou que tinha 20 anos e que teve “o privilégio” de estar na Festa da Amizade que “foi algo verdadeiramente extraordinário”, tendo salientado que foi a oportunidade de ver Carlos Paredes ao vivo. Lembrou ainda que Zeca Afonso “falava facilmente com jovens estudantes como eu era na época”. A autarca sublinhou ainda o facto de Zeca Afonso ser “uma pessoa muito gentil”. Patente esteve uma exposição de fotografia da Festa da Amizade de José Nascimento e foi colocada à venda a serigrafia do cartaz desta festa. Este seria para um concerto em Nantes que não se realizou pois aconteceu o 25 de Abril e “o Zeca já não foi!”, conforme contou Francisco Fanhais. No final, atuaram Manuel Freire, Francisco Fanhais,Manuel Teixeira e João Afonso, o cantor e sobrinho do homenageado. Muitos presentes trautearam as canções, como já tinha acontecido na primeira parte da sessão quando se ouviu o som da Festa da Amizade com as cantigas e poemas de Zeca, Assis Pacheco, Sérgio Godinho, Manuel Alegre, Natália Correia e Manuel Freire.■

  • Designer de joias Teresa Uva lançou a sua própria marca

    A caldense formou-se na ESAD.CR e especializou-se em Lisboa, em design de joias. Atualmente está a trabalhar em Óbidos

    A caldense Teresa Uva cria joias intemporais, inspiradas no quotidiano. A autora, que faz parte do Espaço Ó em Óbidos, formou-se em Design de Cerâmica e Vidro na sua terra natal e foi nessa altura que percebeu que gostava de misturar materiais. À Gazeta das Caldas contou que o curso de Design de Cerâmica e Vidro não foi a sua primeira opção mas depois já não conseguiu sair para outro curso pois apaixonou-se pelas técnicas de trabalho destes dois materiais.
    Em novembro passado, a designer lançou a sua própria marca, escolheu um nome geral, Teresa Uva Studio pois na verdade diz que quer trabalhar além da joalharia.
    “Para mim uma forma tanto pode originar um anel como também pode ser uma argola de guardanapo e, assim, podemos ser mais abrangentes”, referiu a designer.
    O processo de trabalho de Teresa Uva não é linear pois a designer prefere trabalhar seguindo as formas que lhe vão surgindo.
    “As coisas acontecem quando tem que ser…Não pode ser por obrigação”, disse a caldense que se dedica a produzir pequenas séries de peças, começando por explorar uma forma que lhe permite ir criando as diferentes propostas.
    Embora use mais a prata, o que gosta mais é de laborar com ouro.
    “É algo que me fascina verdadeiramente trabalhar com este tipo de materiais que é possível reciclar até ao infinito”, afirmou Teresa Uva, acrescentando que os chamados materiais nobres lhe permitem constante reinvenção. Atualmente Teresa Uva lamenta ter-se desligado da cerâmica mas diz que assim que puder, quer retornar ao trabalho no barro. Contou também que adorou a experiência de trabalhar o vidro, na Marinha Grande. Aprendeu a trabalhar vidro soprado “num ambiente totalmente feito em madeira. É incrível”, disse a caldense, grata pela oportunidade de enquanto se formou na ESAD.CR ter tido a oportunidade aprender um pouco sobre vidro com grandes mestres daquela arte.
    A caldense que diz que está no início do seu percurso na joalharia de autor diz ainda que “não tem sido um caminho fácil”. Trabalhar com materiais nobres, estar em permanente contacto com a Casa da Moeda para pedir contrastaria e avaliação das peças torna o processo um pouco moroso. E esta tem que ser pedida assim que uma proposta passe os dois gramas de prata, por exemplo.
    A autora considera que a joalharia e a moda têm muitas especificidades em comum e poderiam aliar-se em futuros eventos na região. “Temos vários designers de joias nesta zona”, disse Teresa Uva, interessada em pensar futuros eventos sobre a sua área de trabalho e que quer continuar a divulgar o seu trabalho participando em mercados criativos.
    A autora está satisfeita de estar no espaço Ó, de Óbidos e no das Gaeiras mas hoje questiona-se se teria mais oportunidades se tivesse optado por ficar a viver em Lisboa.
    A designer de 35 anos não se vê a dar formação pois “não sinto que saiba o suficiente para poder ensinar”, disse Teresa Uva que acha que a boa joalharia de autor não se faz apenas com materiais nobres. Cada autor consegue elevar qualquer material a um estado nobre. “Não é propriamente o material, mas sim o que se faz com ele. É a dignidade que lhes conferimos que torna a peça interessante”, disse a designer de joias que possui oficina em sua casa e vende as suas peças on-line, nas suas redes sociais.
    As suas propostas podem também ser adquiridas na Hava Concept Store, situada na Rua Heróis da Grande Guerra, nas Caldas e também num espaço de joalharia de autor em Óbidos, igualmente ligado ao Espaço Ó.■

     

    Perfil

    Teresa Uva
    Designer

    A autora caldense de 35 anos, formou-se na sua terra natal. Primeiro escolheu a ESAD.CR onde obteve a licenciatura no curso de Design de Cerâmica e Vidro.
    Teresa Uva decidiu prosseguir os seus estudos em Lisboa. Primeiro estudou na Contacto Directo – Escola de Joalheiros onde se formou no curso de Joalheiro Técnico. Posteriormente especializou-se, obtendo o grau de licenciatura na área do Design de Autor no Centro de Joalharia de Lisboa.

     

  • Cerâmica Workshop e convívio em atelier de cerâmica nas Caldas

    No sábado, dia 11 de fevereiro, entre as 11h00 e as 19h00, vai realizar-se no atelier de cerâmica de Heráclito Lima, um workshop de cerâmica. Este será iniciado com um passeio pelo Parque e também pela Praça da Fruta. O autor, irá ensinar técnicas clássicas de modelação de rolo, lastra e bola. Para mais informações contactar heraclitolimaarte@gmail.com ou dirigir-se ao próprio Atelier Marginal, na Travessa da Água Quente. ■

  • Docente da ESAD.CR lançou livro sobre BD de Bordalo Pinheiro

    Docente da ESAD.CR lançou livro sobre BD de Bordalo Pinheiro

    Pedro Moura, docente da ESAD.CR acaba de lançar um livro sobre a obra de banda desenhada de Rafael Bordalo Pinheiro. Intitulado “Fazer Isto &Assignar”, a obra é o 5.º volume da coleção Cadernos de Bordalo, coordenados e publicados pelo Museu Bordalo Pinheiro. Trata-se de uma série de monografias temáticas que se dedicam às várias dimensões da obra e da vida de Bordalo Pinheiro.
    Esta obra é um olhar panorâmico sobre toda a obra de Rafael Bordalo Pinheiro, pública ou inédita, e que ainda inclui estudos e esboços do universo bordaliano.
    Em sete capítulos centrais analisa-se a obra de Rafael Bordalo Pinheiro para entender as suas atitudes, mecanismos, eficácias nos modos artísticos e nas inscrições sociais e políticas do autor.
    O ponto de partida é o do conceito e campo social da banda desenhada de que o artista foi um dos inventores.
    Bordalo, tal qual outros autores que lhe foram imediatamente anteriores ou contemporâneos, estavam então a experimentar esta linguagem.
    O livro estuda o modo como Rafael Bordalo Pinheiro explorou a autobiografia e a reportagem nesta nova disciplina artística, os diálogos que estabeleceu entre teatro e criação gráfica, e o modo como fundou personagens que se tornariam no seu legado.
    Pedro Moura, que além de docente na ESAD.CR também ensina na ESAP-Guimarães e no IPCA-Barcelos e ainda foi criador do Laboratório de Estudos de Banda Desenhada. “Fazer Isto &Assignar” está exclusivamente à venda na loja do Museu Bordalo Pinheiro em Lisboa. ■

  • Biblioteca das Caldas expõe “O melhor dos livros, filmes, música”

    Biblioteca das Caldas expõe “O melhor dos livros, filmes, música”

    A exposição está patente até 28 de fevereiro, com clássicos do cinema mundial, CD de géneros diversos e livros adaptados a filme

    A Biblioteca Municipal das Caldas da Rainha inaugurou, a 28 de janeiro, a exposição sobre o “Melhor dos Livros, Filmes e Música”, que visa a divulgação do acervo da instituição, recentemente enriquecido pelo casal Carlos e Palmira Gaspar, co-fundadores da Comunidade de Leitores e Cinéfilos das Caldas.
    O casal já fez cinco doações à instituição, totalizando cerca de 250 CD, 600 livros e 860 DVD (dos cerca de 1350 do espólio da biblioteca), estes últimos podendo ser vistos, à vez, com renovação semanal, na exposição, estando acompanhados de um catálogo de sinopses elaborado pelos próprios.
    Para assinalar a inauguração, foi realizada uma tarde cultural, na qual se pôde assistir a um remake audiovisual do programa n.º 328 de Cinema Paraíso, uma rúbrica daquela Comunidade, emitido em julho de 2014 na TSF Caldas, com a exibição de números musicais e de dança de filmes dos anos 1950 e 1960.
    O grupo de dança Super Flash, da ACDR Arneirense, dirigido pela coreógrafa Sónia Luís, que realiza este ano 25 anos, abriu a tarde, com a apresentação de coreografias de Chicago, My Fair Lady e Singing In The Rain.
    A Orquestra Juvenil de A-dos-Francos, da SIMCR de A-dos-Francos, dirigida pelo maestro Diogo Esteves e fundada em 2017, encerrou a sessão com The Light of Dawn, Cinema Paradiso (que incluiu um solo da mais jovem clarinetista da orquestra, Helena Ramalho), The Planets – Mars, Remember Me, Out of Africa e March of the Hyperion Robots.
    Houve ainda tempo para a poesia, com Emily Duffy, Palmira Gaspar, Nuno Valadas e Carlos Gaspar.
    A próxima ação cultural da Comunidade será a habitual comemoração do Dia da Poesia, a 25 de março.No dia 28 de janeiro, a Biblioteca das Caldas acolheu ainda o encontro mensal do Clube de Leitura, dinamizado por Marta Ambrósio e Elisa Santos, e a apresentação do livro “O ouriço que só comia bagas vermelhas”, escrito por Tânia Gomes e ilustrado por Sandra Ferreira, ambas caldenses. ■

  • Celebrações vão acontecer todo o ano

    Celebrações vão acontecer todo o ano

    “O que faz falta é celebrar José Afonso” dá mote à programação que se vai estender ao longo de 2023

    As comemorações dos 40 anos da festa arrancam já no próximo domingo, 5 de fevereiro, pelas 16h00, no café-concerto do CCC, com o lançamento de uma serigrafia com a imagem original da festa, numa coleção de uma centena de exemplares. Esta terá um rodapé alusivo à celebração dos 40 anos da festa. Será também possível ver algumas imagens e o som da próprio concerto. Neste evento vão participar Francisco Fanhais e Manuel Freire para um momento musical e uma conversa com convidados, dado que os músicos também estiveram na Festa da Amizade. Será também inaugurada uma exposição de fotografia, captadas na Festa da Amizade, no Pavilhão da Mata.
    A 23 de fevereiro vai realizar-se uma sessão de declamação de poesia não musicada de José Afonso, um momento musical com artistas locais, no Café Central, espaço que Zeca Afonso frequentava sempre que estava nas Caldas .
    Em março será realizado um concerto e uma mesa sobre a poesia de José Afonso, com a participação de Hélia Correia, Alexandre Pereira Martins e Francisco Fanhais.
    Em abril será inaugurada a exposição “Nove capas para o Zeca”, desenhadas pelo escultor José Santa Bárbara e, em data e local ainda definir, será realizada a mesa redonda “A resistência do canto”, com Irene Pimentel, Manuel Freire e Francisco Fanhais. As mesas, que serão acompanhadas por música ao vivo, designam-se “Maior que o pensamento”. As exposições, por seu lado, intitulam-se“Vejam bem” e os concertos, “Dia de festa, dia de cantar”, acrescentou Lino Romão, também do núcleo caldense, explicando que nesta celebração há “sempre uma alusão a músicas de Zeca Afonso”.
    A programação do primeiro semestre encerrará a 27 de maio com o concerto “Zeca e os poetas”, e a conferência “A música de José Afonso no seu tempo e na atualidade”, com Rui Viera Nery, no CCC.
    “O Que Faz Falta é celebrar José Afonso” tem a programação fechada até maio mas quer ter continuidade no segundo semestre deste ano. O núcleo caldense pretende ainda pensar a programação de 2024, altura em que serão assinalados os 50 anos do 25 de Abril. ■

  • Maria Manuel mostra gravura no Turismo

    Maria Manuel mostra gravura no Turismo

    Estuda gravura e serigrafia nas Caldas há alguns anos e tem agora a oportunidade de apresentar as suas obras a solo

    “Sombras a Céu Aberto” é como se intitula a exposição de Maria Manuel que abriu portas ao público a 28 de janeiro, na Galeria do Espaço Turismo.
    A mostra inclui serigrafia, gravura e desenho, sendo a sombra e a luz um dos temas centrais do trabalho desta artista plástica recém-formada na escola de artes caldense e que se encontra a frequentar o mestrado na mesma área.
    A jovem lisboeta inspira-se no jogo entre luz e sombra que acontece não só no pinhal que envolve a escola de artes onde estuda, como também na Mata rainha D. Leonor.
    Maria Manuel, de 21 anos vive nas Caldas há quatro e tem assim, com a ajuda da docente Célia Bragança, a primeira oportunidade de apresentar a sua primeira mostra individual. “E faz sentido que assim seja pois é nas Caldas que eles têm vivido nos últimos anos”, disse a professora que é também a curadora da mostra.
    Na sala principal da galeria encontram-se os trabalhos de gravura e serigrafia em tecido. Maria Manuel sobrepõe camadas, trabalhando com a transparência dos tecidos e com as manchas gravadas que ora se misturam ora se sobrepõem, criando dessa forma novas imagens. A maior peça obrigou a autora a trabalhar com seis metros de tecido onde, além de serigrafia e de gravura, que gravou serigrafou e que ainda bordou, contornando assim a forma de uma árvore. “São sempre bons desafios”, disse a autora que descende de família de artistas.
    “O meu bisavô, Magalhães Filho, era pintor e cresci numa casa cheia de desenhos e pinturas dele”, contou Maria Manuel, recordando que desde pequena se distraia mais “com papel e caneta do que com as Barbies”, rematou. Maria Manuel já expôs coletivamente em Óbidos e no Centro de Artes, nas Caldas, e quer continuar a explorar a dualidade da luz/sombra, aumentando a escala dos seus trabalhos.
    A mostra “Sombras a Céu Aberto” vai estar patente na galeria do Turismo até 24 de fevereiro.■

  • Livro sobre culto da Sra. da Nazaré foi lançado no passado sábado

    O livro “Culto de NS da Nazaré – perspetiva multidisciplinar” foi apresentado a 28 de janeiro, na Biblioteca da Nazaré. A obra foi realizado no âmbito das ações de candidatura a Património Imaterial da Humanidade, em conjunto com o Governo do Estado do Pará. O presidente da Câmara, Walter Chicharro, considera que a candidatura deste culto a património da UNESCO “tem um papel central na estratégia de desenvolvimento local”. Segundo dados da Confraria NS da Nazaré, o culto mobiliza mais de 2 milhões de visitantes por ano ao Santuário mariano, no Sítio. Dóris Santos, diretora do Museu do Traje, apresentou a obra, destacando a sua importância para “perceber um culto tão importante para tantos devotos” em diferentes nações. “Este volume vai ficar como referência no culto de NS Nazaré, o primeiro fenómeno global que a localidade viveu. Tem um carácter diferenciador, por ser escrito a várias mãos, servindo os propósitos académicos e também o do crente,” acrescentou. Pedro Penteado, investigador do CEHR da Universidade Católica, reforçou que a “obra ter um aspeto ímpar pois olha para um culto mariano e um santuário relevante a partir de um conjunto de olhares”. Maria Adelina Amorim, autora de estudos sobre o culto de NS Nazaré em Belém do Pará (Brasil), frisou que o culto se tornou “transnacional, chegando ao Brasil e a África”, na sequência do Concílio de Trento. O livro está à venda nas lojas da Praia do Norte (Forte de São Miguel Arcanjo e Centro Cultural da Nazaré). ■

  • Exposição Halfstudio presente na Galeria da Underdogs em Lisboa

    Exposição Halfstudio presente na Galeria da Underdogs em Lisboa

    Está patente na galeria Underdogs, em Lisboa, a exposição “Uma Viagem” do estúdio caldense Halfstudio que se dedica ao lettring, à pintura de letreiros e à arte urbana. A mostra da dupla caldense Emanuel Barreira e Mariana Branco pode ser vistade terça-feira a sábado,entre as 14h00 e as 19h00. Mostra vai estar patente até ao dia 18 de março. A Galeria Underdogs fica na Rua Fernando Palha, Armazém 56, em Lisboa. ■

  • Cerâmica criada segundo a voz de Sónia Tavares

    Cerâmica criada segundo a voz de Sónia Tavares

    A Coleção Mosteiro, feita recorrendo à tecnologia e ao saber-fazer das Cerâmicas S. Bernardo, vai ser apresentada ao mundo esta semana em Frankfurt

    Imagine uma intérprete da região, Sónia Tavares (dos The Gift) a cantar na Sala dos Reis, no Mosteiro de Alcobaça. Junte ainda um designer britânico, Mark Lloyd, que desenvolveu um software que consegue transformar – através da captação de sons – as frequências sonoras em formas. Estas últimas dão origem a modelos, entram em produção e tornam-se em peças de cerâmica diferenciadas. Tudo isto está na base da Coleção Mosteiro, que é desenvolvida pela empresa produtora de cerâmica e porcelana de Alcobaça, Perpétua, Pereira & Almeida, que detém a marca Cerâmicas S. Bernardo e que vai apresentar esta novidade na feira Ambiente, em Frankfurt (Alemanha), entre os dias 3 e 7 de fevereiro.
    “Trata-se de uma coleção completamente inovadora e disruptiva”, garantiram à Gazeta das Caldas os sócios da empresa Elsa Almeida, Jorge Horta e Fernando Perpétua, que não hesitaram um segundo quando o designer Mark Lloyd os contactou, em abril passado, para saber se estariam interessados em usar esta tecnologia nas suas coleções. Os responsáveis não só aceitaram experimentar, como quiseram aprofundar a parceria e adaptar este conceito à sua produção.
    O britânico, fundador da empresa Skopelab, decidiu colocar a sua técnica de captação de sons ao serviço da cerâmica e logo nos primeiros encontros captou sons da fábrica que posteriormente acabaram por resultar também em peças. Além do mais, o autor trouxe sons captados em Peniche que também deram origem as novas obras das Cerâmicas S. Bernardo. Estas duas primeiras coleções foram logo adquiridas pelos clientes desta marca alcobacense e, por isso, “tivémos que criar uma terceira coleção” , contaram os responsáveis.
    Contactada a cantora alcobancense Sónia Tavares – vocalista dos The Gift, – esta aceitou de imediato o desafio. Foi possível então marcar as gravações com a intérprete em novembro passado, na Sala dos Reis, no Mosteiro de Alcobaça. E é assim que nasce a “Coleção Mosteiro, que acabou por ser bem sucedida, apesar de ter sido“uma verdadeira luta contra o tempo para podermos ter tudo pronto para Frankfurt”, acrescentaram os sócios.
    O modelo da peça é feito numa impressora 3 D que dá origem ao molde, entrando a posteriori na produção da fábrica.

    A nova coleção resultou da feliz aliança entre cultura local, tecnologia e o saber-fazer desta empresa

    As peças desta coleção, feitas em faiança, são brancas, em mate e brilhante, e as suas formas são completamente diferentes das que são feitas à mão.
    “A parceria não poderia ter corrido melhor quer com o designer, que com a cantora, que está a jogar em casa”, referiram Elsa Almeida, Jorge Horta e Fernando Perpétua acrescentando que, no próprio stand, em Frankfurt, haverá imagens que documentam como se processa este método.
    A nova coleção é também um projeto que homenageia o património cultural de Alcobaça, transportando-o, através destas peças, para estes eventos internacionais.
    “É inegável o cariz inovador e ambicioso deste projeto, sendo que “as possibilidades e perspetivas futuras deste tipo de conceção são praticamente ilimitadas”,revelaram os empresários que decidiram investir cerca de 10.000€ em novos materiais e recursos para dar as condições necessárias aos designers para desenvolver mais ideias relacionadas com a nova técnica.
    Entre os recursos adquiridos estão uma nova impressora 3D e novos softwares e, no futuro, preveem investir em novas áreas e materiais.
    Quem pretender visitar o stand da empresa na Ambiente e assim assistir ao lançamento da nova coleção, poderá fazê-lo no Stand D41 localizado no Hall 12.0 do certame. A realização marca o regresso presencial do evento, passados três anos, por causa da pandemia.

    “Mosteiro”, onde se incluem estas duas peças, vai ser apresentada nos próximos dias na Feira Ambient que se realiza em Frankfurt

    A empresa oestina, é uma expositora habitual nesta feira, e entre as novas coleções com as quais pretende impressionar o público, vai estar a coleção Mosteiro.
    A empresa Perpétua, Pereira & Almeida atualmente possui 70 trabalhadores, exporta 99% da sua produção, sobretudo, para os EUA e Europa, para um mercado médio-alto de revenda. Produzem cerca de 90 mil peças por ano. O volume de negócios, em 2022 ultrapassou os dois milhões e 500 mil euros. ■

  • Caldas fez uma festa a Zeca Afonso há 40 anos

    Caldas fez uma festa a Zeca Afonso há 40 anos

    Passam quatro décadas no próximo domingo, 5 de fevereiro, da Festa da Amizade, feita a José Afonso. Iniciativa foi um sucesso com o pavilhão da Mata a abarrotar de gente e com muitos artistas nacionais

    “O Pavilhão da Mata não esteve cheio, na verdade, estava mesmo a abarrotar de gente!”. Palavras de José Carlos Faria, que foi um dos músicos que atuou na Festa de Amizade pois é membro dos Charanga, grupo que atuou a 5 de fevereiro, de 1983, na Festa da Amizade, uma iniciativa solidária criada por um grupo de cidadãos, amigos do cantor com vista a angariar fundos para José Afonso e que agora recorda à Gazeta das Caldas.
    “O bilhete custava 200$00!”, recordou Evaristo Sousa, um dos elementos que ajudou na organização desta Festa da Amizade, que acabou por se transformar numa iniciativa nacional com a presença de artistas como Carlos Paredes, Vitorino, Luís Cília, Manuel Freire, Francisco Fanhais, Sérgio Godinho, Manuel Alegre, Natália Correia, Fernando Assis Pacheco, entre outros artistas e poetas que se quiseram reunir nesta festividade de apoio ao cantor.
    O cantor já tinha sido diagnosticado com a doença esclerose lateral amiotrófica, – que acabou por o vitimar, – e o dinheiro angariado “destinava-se para que ele pudesse fazer tratamentos nos EUA”, recordou Élia Mendonça, elemento do núcleo caldense da Associação José Afonso e que agora se dispôs a assinalar os 40 anos desta festa que “reuniu gente de todo o país, de Aveiro e de Coimbra”. Muita gente com bilhete comprado, acabou por não ter lugar e “ficaram a tentar ouvir o que se passava lá dentro”.
    A ideia de se celebrar os 40 anos “partiu de Paulo Vaz”, contou Élia Mendonça, que é também membro do núcleo caldense da AJA e que esteve na organização desta iniciativa solidária. O seu pai, Renato Mendonça, era grande amigo do cantor desde que se conheceram na Margem Sul.
    A Festa da Amizade teve que ser organizada no Pavilhão da Mata pois era o maior espaço da cidade. “Mas tivémos que organizar na primeira parte atividades de caráter desportivo”, recordou Élia Mendonça. Como a Gazeta das Caldas noticiou na época, houve Karaté e Judo e também atuou o grupo de Bailado da Casa da Cultura. “E ainda tivémos que comprar uma alcatifa industrial para proteger o chão do pavilhão”, referiu a organizadora, acrescentando que, no fim da festa, esta foi oferecida à autarquia.
    “Todos os artistas vieram graciosamente desde cantores, poetas e houve um verdadeiro manancial de gente que quis estar presente”, disse Élia Mendonça, surpreendida também com o facto de várias senhoras caldenses, com alguma idade, que quiseram participar com comida – bolos e rissóis – “na festa para o senhor Zeca”.
    Apesar do cunho político, “ele humanamente tocava as pessoas” e houve muita gente que veio trabalhar nos bastidores da Festa “e que acabou por não conseguir assistir ao espetáculo”.
    Élia Mendonça ainda decorou o pavilhão com cravos e usou cestos oferecidos por uma quinta. “Alguns caldenses estiveram a noite inteira a cozinhar nas instalações do CEERDL, no Largo João de Deus, e foram lá servidas as refeições para os músicos convidados”, recordou Élia Mendonça.
    A Festa nas Caldas seguiu-se à do Coliseu e acabou por ser uma das últimas vezes “que ele atuou todo o concerto”, referiu José Nascimento, que fotografou a Festa da Amizade, entre outros concertos de Zeca Afonso.
    Estatutariamente, o núcleo das Caldas depende do grupo de Lisboa Associação José Afonso (AJA) que vai também ceder algum material para as atividades deste núcleo caldense. Esta é a primeira atividade deste núcleo, iniciado em setembro passado e formalizado em novembro último.
    Zeca Afonso era visita regular nas Caldas, na década de 1980. Tinha vários amigos na cidade e marcou presença em diversas iniciativas como as movimentações contra o nuclear em Ferrel e ainda fez um concerto a favor da Amnistia Internacional, em 1982, que foi feito na Escola Secundária Rafael Bordalo Pinheiro.
    O cantor e poeta era frequentador das termas das Caldas, bem como da Praça da Fruta e do Café Central. A edição da serigrafia, que será lançada a 5 de fevereiro, foi impressa em França de forma semi-clandestina pois foi antes de abril. “No pós-revolução este o cartaz, até então inédito, foi escolhido para divulgar a Festa da Amizade”, disse José Carlos Faria, também do núcleo caldense. Na conferência “A resistência do canto” será ainda distribuído um fac-simile de uma denúncia da Pide sobre a presença de Zeca Afonso, de Francisco Fanhais e de Adriano Correia de Oliveira numa das noites, no espaço caldense, Inferno d’Azenha. ■

     

    Testemunhos

    Evaristo Sousa
    Organizador

    “Com Renato Mendonça já tínhamos trazido outros concertos às Caldas como o da cantora caldense Adelaide Ferreira. O pavilhão da Mata esgotou!. A Festa foi de facto um momento único que contou com a solidariedade de muita gente de todo o país!” ■

     

    José Nascimento
    Fotógrafo

    “Fotografei com todo o gosto a Festa da Amizade, só é pena que infelizmente Zeca Afonso já estava doente. Ele pediu-me para o fotografar também nas termas cá Caldas e a imagem acabou por ser incluída no álbum Fura Fura”. ■

     

    Élia Mendonça
    Amiga

    “Zeca Afonso costumava ficar em nossa casa, primeiro na dos meus pais, depois na nossa. Ele era amigo do meu pai e tinham ideias políticas semelhantes, firmadas na Margem Sul. Nas Caldas fez termas com regularidade. Frequentava o Central e a Praça da Fruta. ■

     

    José Carlos Faria
    Músico dos Charanga

    “Foi das últimas presenças de Zeca Afonso em palco e ele convidou-nos para atuar e até chegou a assistir a um ensaio. A Festa da Amizade foi algo inolvidável! A doença infelizmente acabou por levá-lo cedo. Só viveu mais quatro anos…”. ■

  • Teatro da Rainha com quatro iniciativas em fevereiro

    Teatro da Rainha com quatro iniciativas em fevereiro

    Já nos próximos dias 2 a 4 de fevereiro, às 21h30, O Teatro da Rainha recebe na Sala Estúdio, os Artistas Unidos com a peça “Taco a Taco”, de Kieran Hurley e Gary McNair. Também no dia 4, às 21h00, o Teatro da Rainha apresenta no TeatroEsfera, em Queluz, a peça “Discurso sobre o filho-da-puta”, de Alberto Pimenta.
    Este grupo de teatro apresentará também, de 9 a 11 de fevereiro, no espaço dos Artistas Unidos, em Lisboa, “Police Machine”, de Joseph Danan.
    A sessão deste mês do ciclo de poesia Diga 33, programado por Henrique Fialho, decorrerá a 28 de fevereiro, às 21h30, no CCC. Terá como convidado o poeta João Habitualmente, pseudónimo literário de Luís Fernandes, psicólogo e professor universitário. O autor começou a publicar em revistas na década de 1980 e o seu primeiro livro surgiu em 1994.
    Ao longo deste mês o Teatro da Rainha continua a preparação de Ájax, assim como a oficina para crianças que decorre até ao próximo mês de junho. ■

  • Cave Story em cassete por uma editora caldense

    Uma micro editora lançou uma cassete com temas de uma banda das Caldas. Há novos projetos na calha, entre eles, uma fanzine

    Os Cave Story lançaram no final de 2022 o EP “The Town”, em cassete, através da Ticket To Ride Records, uma nova editora independente das Caldas, fundada por Manuel Simões, músico dos Norton.
    As canções já tinham sido editadas em formatos digitais mas. na verdade, Manuel Simões gostou tanto dos quatro temas que achou que “era importante que tivessem um suporte físico também”. Assim fez o convite aos Cave Story que gostaram da ideia de ter os seus temas, lançados em outubro de 2021, agora lançados um ano depois, num suporte físico.
    “Fez sentido voltar a editar estes temas”, disse Gonçalo Formiga, que é vocalista, guitarrista e produtor dos Cave Story.
    Trata-se de um formato “que é acessível e traz consigo alguma nostalgia para quem colecionava música em cassete”, disse o músico. Para o vocalista dos Cave, é também “uma forma de resistência aos formatos digitais”.
    Limitada a 50 exemplares e com arte estelar assinada pela ilustradora Ema Gaspar, esta edição acolhe quatro canções dos Cave Story, grupo que entre as guitarras e a eletrónica, recordam como é importante o amor e a presença da família.
    Estes são temas que fogem ao registo mais habitual deste grupo mais eletrizante e pós punk ,que caracteriza os registos anteriores.
    “The Town” encontra-se à venda na Bandcamp da Ticket To Ride e dos Cave Story, e nas lojas Louie Louie e Flur, em Lisboa, e Matéria Prima, no Porto.
    O EP dos Cave Story, agora numa edição física, é também reflexo da vontade da editora caldense em também querer devolver às pessoas o gesto de tocar num objeto que guarda canções.
    A primeira edição da Ticket To Ride Records foi o álbum “Heavy Light”, dos Norton, em 2020. Manuel Simões quer criar um catálogo que preserve o formato físico, nomeadamente a cassete, com edições limitadas a poucos exemplares. Peças únicas que, no futuro, pretendem alargar-se ao vinil e também à fotografia, contou à Gazeta das Caldas.
    “A música é o mote principal mas não fecho a porta às outras artes”, disse o músico que está também a preparar mais uma cassete, uma fanzine e um livro de fotografia e que espera possam ser editados até ao final do ano. Também quer editar em vinil e diz que tal como a película, são materiais que interessam às novas gerações pois “talvez o digital esteja a saturar”. E recorda ainda que as editoras independentes “nunca deixaram de editar em vinil”.
    “Tudo pode acontecer na Ticket To Ride. No fundo, este carimbo é um veículo para transportar a música e a arte em que acredito. Nada me dá mais prazer do que contribuir para isso mesmo”, rematou Manuel Simões.

    Cave Story com novo trabalho
    “Wide Wall, Tree Tall” é o novo álbum dos Cave Story quarteto formado Gonçalo Formiga (Voz, Guitarra), Ricardo Mendes (Bateria), Zé Maldito (Samplers e Guitarra) e Bia Diniz (baixo). O novo álbum será editado em março e o primeiro single sairá no início de fevereiro.
    “Sinto que é uma espécie de recomeço e de renovação, depois de três anos marcados pela Covid…”. Os Cave Story sempre atuaram bastante, antes do confinamento. Como tal, “o regresso aos palcos é algo que ansiamos há muito tempo”, disse Gonçalo Formiga. É no seu estúdio nas Caldas que os Cave Story fazem a produção e a gravação das canções. Já os ensaios decorrem sobretudo em Lisboa ao passo que o processo de composição deste grupo é feito nas duas cidades.
    “Neste momento trabalhamos como freelancers mas, no futuro, gostaríamos de nos dedicar apenas à música”, referiu o músico. Alguns dos elementos dos Cave estão ligados às Artes Plásticas, Design de Moda e Styling e como técnicos de som e programadores.
    Os dois autores creem que se vive um bom momento na música portuguesa. Acham que a ideia de recomeço paira no ar e concordam com o facto de 2022 ter sido um falso rearranque pois houve poucos concertos.
    Manuel Simões e Gonçalo Formiga esperam um 2023 melhor, com mais possibilidades de mostrar o que se faz na música independente em Portugal. ■

     

     

  • A Nova Paródia foi lançada a 23 de janeiro

    Para recordar Bordalo Pinheiro foi lançado, a 23 de janeiro, pelo museu do artista, o jornal “A Nova paródia”

    Foi lançado na segunda-feira, 23 de janeiro – dia em que se assinalou o 118º aniversário da morte de Rafael Bordalo Pinheiro -, no Museu Bordalo Pinheiro, o jornal humorístico “A Nova Paródia. Comédia Portuguesa” (Museu Bordalo Pinheiro/EGEAC). O jornal A Paródia (1900-1907) foi o último periódico fundado por Rafael Bordalo Pinheiro há precisamente 123 anos.
    Agora, o jornal é recriado por Hugo van der Ding, Luís Leal Miranda, Mariana Costa Asseiro e Marta Teixeira da Silva, mantendo a estética original e publicando textos e ilustrações inspirados no universo bordaliano.
    Este novo periódico (“publica-se de x em x tempo”), terá sempre como mote uma obra de Rafael Bordalo Pinheiro, além de vários autores convidados.
    Para este nº 0, a peça escolhida foi o Prato Mesa Posta (Rafael Bordalo Pinheiro, 1897).
    Os convidados especiais deste número inaugural são Mariana Malhão, Mariana a Miserável, Mantraste, António Costa Santos e Pedro Bebiano Braga.
    Mantraste é um ilustrador caldense, enquanto que Mariana, Miserável é de Leiria mas formou-se em Design Gráfico na ESAD.CR. Mariana Malhão é uma ilustradora do Porto mas, tal como os dois autores referidos, tem integrado residências artísticas da empresa de design, sediada nas Caldas, Vicara. A “Nova Paródia” tem 16 páginas e pretende manter a estética original criada por Bordalo Pinheiro e seguida pela filho Manuel Gustavo que ficou responsável pelo periódico, criado pelo pai, nos últimos dois anos. ■

  • Impulso vai ter Season no CCC já a partir do mês de fevereiro

    Festival Impulso está de regresso ao CCC com a realização de dois concertos por mês, entre fevereiro e dezembro

     

    A Garota Não e Femme Falafel são os dois concertos do Impulso Season que começará já no mês de fevereiro no CCC. E há nomes nacionais e internacionais como Dino de Santiago (19 de maio) e os brasileiros Bala Desejo que também integram a edição de 2023.
    O projeto A Garota Não é de Cátia Mazari Oliveira e que atuará nas Caldas a17 de fevereiro. A cantautora Cátia Oliveira lançou o seu segundo álbum, 2 de abril, em 2022 e este consta na lista dos melhores do ano em vários tops.
    O Impulso volta a ter uma programação regular e, para tal, ao longo de 10 meses terá dois concertos numa mesma noite, no CCC, parando apenas no mês de agosto.
    Desta forma “teremos mais tempo para pensar como será o festival a partir de 2024”, disse Nuno Monteiro, o diretor do festival de música caldense, cujo modelo está a ser repensado. Pretende-se captar novos apoios, parceiros e quer apostar-se na realização de residências artísticas com artistas nacionais e bandas locais.
    “Queremos também apostar na nossa internacionalização”, disse Nuno Monteiro, acrescentando que já está agendada, por exemplo, a atuação dos brasileiros Bala Desejo, várias artistas espanholas, entre elas a harpista Angelica Salvi. A nuestra hermana atuará em abril, no mesmo dia em que atuará Surma. A autora de Leiria terá também uma exposição presente no CCC.
    “Temos propositadamente uma percentagem maior de artistas femininas a participar este ano”, disse o responsável, acrescentando que haverá também apostas em artistas e em bandas locais.
    Estão ainda previstos um grupo da Turquia, uma DJ da Holanda, e mais artistas espanholas como Marina Herlop, pianista e cantora.
    “É, no fundo, um regresso ao CCC, agora sem máscaras e sem as restrições da Covid”, referiu o responsável e docente da ESAD.CR, que diz que a iniciativa terá ainda a eventos em parceria com o Grémio Caldense e com vários cursos da ESAD.CR. “Queremos estar mais ativos na cidade e ter uma presença mais regular ao longo de todo o ano”, resumiu Nuno Monteiro. O Impulso vai manter a parceria com o Doc Lisboa mas os filmes passarão em dias diferentes dos que têm concertos previstos.■

  • Teatro da Rainha facilita acesso aos públicos

    Teatro da Rainha facilita acesso aos públicos

    Grupo de teatro, que vai levar “Mandrágora” ao CCC, este fim de semana, lançou campanha de descontos

    “Mandrágora”, de Maquiavel, a criação de verão do Teatro da Rainha, então apresentada no Largo da Copa, frente ao Hospital Termal, será agora reposta no CCC. A estreia no grande auditório será a 27 de janeiro, às 21h30, e os espectáculos prolongam-se no fim-de-semana, às 16 h00 e serão dedicados às freguesias. Na segunda e terça-feiras, às 15h00, será para escolas. Interpretação de Beatriz Antunes, de João Costa, João Melo, Isabel Lopes, Fábio Costa, Fernando Mora Ramos, Marta Taveira, Nuno Machado, José Carlos Faria e Diogo Tomaz. A peça conta com a colaboração musical do alaudista Tiago da Neta. Em ensaios, está “Ajax Regresso(s)”, de Jean-Pierre Sarrazac, encenação de Fernando Mora Ramos. A Sala Estúdio do grupo de teatro local acolherá, a 28 de Janeiro, às 21h30, uma produção da Baal 17 – Companhia de Teatro na Educação do Baixo Alentejo. “Laços”, do australiano Daniel Keene, com encenação de Luís Varela, é um tríptico composto pelas peças breves “O que resta”, “A quem possa interessar” e “Nem perdida nem achada”.
    O grupo ainda acolheu, a 21 de janeiro, a peça “Mapas que não servem” do Curso de Teatro da ESAD, dirigido por Joana Craveiro. Nessa data, a companhia apresentou “Discurso sobre o filho-da-puta”, de Alberto Pimenta, em Viana do Castelo.
    O Teatro da Rainha lançou também uma campanha de descontos para o público. Lançou o passe estudante que custa 15€ e oferece 50% de desconto em todas as produções e acolhimentos, com oferta do programa. Dá direito a 10% de desconto nas publicações e formações e ainda entradas gratuitas nas sessões do Diga 33. Dará cesso a ensaios gerais abertos a público. O Passe Individual e +65 tem um custo de 25€, dá 20% de desconto nas produções e acolhimentos e 10% para um acompanhante. O passe +65 concede 50% de desconto nas produções e acolhimentos e 10% para acompanhante. Inclui direito a 10% de desconto nas publicações e formações e entrada gratuita nas sessões do Diga 33. O Passe Família custa 35€ e oferece 20% de desconto nas produções e acolhimentos para os adultos e 50 % para as crianças e ou estudantes. Possibilidade de reserva para eventos de entrada livre e 10% de desconto nas formações e publicações do Teatro da Rainha. Prevê também entrada gratuita nas sessões do Diga 33. ■

  • Concerto da Sipo no Malhoa uniu-se ao CCC

    Luís Meireles e Maria José Souza Guedes trouxeram música clássica ao museu do pintor

    Sonatas de Bach, Reinecke e de Brahms fizeram-se ouvir, a 14 de janeiro, no Museu Malhoa. Esta foi a terceira atuação do Ciclo de Concertos comentados do Festival Internacional de Piano do Oeste. Atuou, na Sala Malhoa, o Duo M. José Sousa Guedes (piano) e Luís Meireles (flauta) nesta que foi também a primeira iniciativa do “CCC fora de Portas” e que contou com plateia cheia.
    Os dois músicos deram a conhecer ao público vários detalhes sobre os temas e sobre os compositores das sonatas que interpretaram e que viveram no período romântico, no século XIX. Segundo o flautista Luís Meireles, a Sala Malhoa possui uma boa acústica sobretudo “quando está cheia de público!”. O músico, assim como a pianista, é professor no Conservatório de Música do Porto. Ambos têm uma carreira internacional e vieram às Caldas para interpretar sonatas de compositores do período romântico e que atravessaram o século XIX.
    Manuel Gouveia, a organizadora deste Ciclo e é também a responsável pela Semana Internacional do Piano de Óbidos (SIPO) que se realiza há 27 anos naquela vila.
    O próximo evento deste Ciclo de Concertos comentados decorrerá, a 4 de fevereiro, no Museu Leopoldo de Almeida, no Centro de Artes.
    “Começámos o ciclo em novembro passado e vamos realizar um concerto por mês durante todo o ano. Até já começámos a programar para 2024!”, disse a pianista acrescentando que esta iniciativa pretende “apostar na comunicação mais próxima e direta com o público e na regularidade dos concertos, destinados a habituar as pessoas a ouvir boa música”. Seguem-se ainda atuações também no Bombarral e na Nazaré e a ideia é que estass se possam estender por toda a região Oeste.
    Segundo Mário Branquinho, diretor do Centro Cultural, este foi o primeiro evento “CCC fora de portas” de muitas outras atuações “que vão ter lugar em museus, praças e ruas”. E com casa cheia “foi a melhor forma de começarmos a iniciativa”, rematou o responsável.
    A diretora dos museus de José Malhoa, da Cerâmica e da Nazaré, Nicole Costa também considera que é essencial o trabalho em rede e feito em parceria. “
    Temos feito um ótimo trabalho na aproximação e conquista de públicos que é uma missão de todos”, rematou a responsável pelos três museus oestinos. No final de janeiro irá decorrer no Museu de Cerâmica a finissage da exposição do curso do Cencal. No Museu Malhoa decorrerá também o encerramento da instalação “O Armário”. ■

  • João Pombeiro realizou vídeo sobre os U2

    Primeiro disse-lhes que não. Mas acabou por aceitar ou não fosse um trabalho para a planetária banda irlandesa U2

    O vídeo que João Pombeiro foi contratado para fazer a história desta banda irlandesa em menos de um minuto. Trata-se de um trabalho que anuncia o lançamento do novo projeto dos U2, “Songs of Surrender”.
    A proposta foi feita em animação e recorreu à linguagem estética que identifica de imediato o trabalho de João Pombeiro pois baseia-se em colagens digitais. Neste filme, é retratada a história da banda, U2, mundialmente conhecida e que nasceu em Dublin, na Irlanda há 46 anos.
    “É um filme que conta uma narrativa sobre a banda irlandesa e que está a ser usado para a promoção do próximo disco que será lançado em março”, disse João Pombeiro à Gazeta das Caldas .
    O autor, que é também docente na ESAD.CR já se encontrava a ler “Surrender”, a biografia do vocalista desta incontornável banda e que acabou por lhe dar algumas pistas para incluir no seu vídeo. No fim do livro, há colagens referentes à história de Bono, ou seja, este é um tipo de linguagem com a qual os elementos do grupo já se identificavam a priori e que é um dos motes do trabalho de João Pombeiro. Anteriormente, este autor foi convidado pelo rapper Lance Skiiiwalker a criar um videoclip para um dos seus temas do seu último álbum, “Chicago”.
    O músico norte-americano conheceu o trabalho do artista que vive nas Caldas da Rainha, pois tinha visto o videoclip que Pombeiro tinha feito para a cantora Surma “Wanna Be Basquiat”, onde a colagem digital de recortes se destacou.
    Estes videoclips têm ganho prémios em vários festivais internacionais e têm dado projeção ao trabalho de João Pombeiro.
    É impressionante a lista de distinções que este autor tem alcançado pelo mundo e, como tal, é natural que seja um dos profissionais mais procurados, no uso da colagem digital.
    Mas voltando ao início, João Pombeiro recebeu em julho passado um e-mail da Island Records a convidarem-no para um trabalho de colagem digital mas, na verdade, “não foram muito explícitos”. Disseram-lhe apenas que era um trabalho grande.

    Dizer “não” à banda planetária
    João Pombeiro, ainda sem saber o que era, disse que não. Por e-mail ainda insistiram pois não são muitos os autores que trabalham com colagem digital. “Oh que pena…era bom se pudesses trabalhar connosco eram um trabalho para os U2”. E, como tal, acabou por aceitar a tarefa.
    “Deram-me liberdade total para a execução do trabalho”, contou o artista, acrescentando que recebeu especificações técnicas para adequar o seu filme às várias redes sociais como, por exemplo, para o Tik Tok. O autor teve que contar a história em menos de um minuto. “Ainda tentei esticar para um videoclip de 3,5 minutos mas não foi possível”, referiu João Pombeiro que fez uma grande e pormenorizada pesquisa que incluiu conhecer detalhes variados da cidade irlandesa, desde a arquitetura às ruas até detalhes relacionados com a roupa que se vestia há 46 anos e vários pormenores sobre cidades importantes para a banda.
    Presentes estão diversos sítios marcantes, concertos históricos como o Live Aid, e referências a iniciativas e a tomadas de posição do próprio grupo ao longo da sua carreira.
    O novo trabalho dos U2 inclui músicas antigas, regravadas, e designa-se “Songs os Surrender – The Re-Imagined Album”. E será com o vídeo de Pombeiro que será apresentado. Primeiro queriam que o vídeo tivesse “Beautiful day” como música de fundo mas depois pediram para alterar para “Pride- In the name of Love”, ambas importantes “hinos” dos irlandeses.
    Ao longo das semanas, João Pombeiro foi enviando as cenas que ia criando e, na verdade, o trabalho teve uma receção muito calorosa e não apenas pelos responsáveis da editora. Inclusivamente “recebi os parabéns da própria banda”, contou o artista à Gazeta das Caldas. No entanto, quiseram voltar a mudar a música do vídeo de novo para “Beautiful Day”. Pombeiro ainda partilhou que teve a ajuda da sua mulher, a cantora caldense Nádia Schilling, para acertar os ritmos da música com a dinâmica das suas imagens.

    Trabalhar com os “U2” lusos
    Na altura em que surgiu a oportunidade de realizar um vídeo que vai ser visto world wide (por todo o mundo), João Pombeiro estava a trabalhar com outra mítica banda: os Xutos & Pontapés.
    O convite ao leiriense foi feito por Henrique Amaro, da Antena3 para trabalhar nos espetáculos daquele mítico grupo português, que está a assinalar os 35 anos do seu álbum “Circo de Feras”. Foi pois o responsável pelos vídeos que são passados em palco durante a atuação.
    Pombeiro preparou um vídeo por canção para o espetáculo de celebração, que estreou em novembro, e que teve cinco espetáculos no Tivoli.
    Com este trabalho dos Xutos “passei o Verão a dizer que estava a trabalhar para os U2 portugueses”, disse o autor que vai andar em digressão com o grupo. Haverá mais sete a oito espetáculos que vão percorrer o país e que também incluem datas em Lisboa e no Porto.■

    João Pombeiro
    Artista

    É natural de Leiria mas vive nas Caldas desde 1997. Formou-se em Artes Plásticas na ESAD.CR, escola onde hoje ensina disciplinas ligadas à Animação Digital. Trabalha na música, humor, design, banda desenhada, teatro e cinema. Colabora regularmente e, algumas vezes em parceria, nas áreas da realização, animação, ilustração, argumento e direção de arte. Os seus vídeos têm obtido reconhecimento nacional e internacional. Está agora a trabalhar com os Xutos & Pontapés

  • Teatro da Rainha apresentou nova temporada

    Companhia de teatro deu a conhecer o que fará ao longo ano. Entre as novidades conta-se que o Teatro da Rainha passa a ser semi-residente no CCC

    O Teatro da Rainha vai apresentar este ano quatro criações, dez acolhimentos, duas edições e um total de 10 sessões de poesia do Ciclo Diga 33. A temporada de 2023 foi apresentada a 14 de Janeiro, na Sala Estúdio, com o diretor da companhia, Fernando Mora Ramos, a passar em revista, as iniciativas desta companhia,concretizadas em 2022 e vistas, em resumo, num vídeo.
    O grupo, com 38 anos, obteve no Programa de Apoio Sustentado 2023-2026, da Direção-Geral das Artes (DGArtes), o apoio máximo para o quadriénio que agora começa, no valor de 400 mil euros por ano. No total receberá 1,6 milhões de euros de apoio estatal até 2026..
    “O Teatro da Rainha passa agora a ser semi-residente no CCC”, anunciou Mora Ramos, acrescentando que os seus espetáculos passam a ser apresentados, no grande e no pequeno auditórios, daquele equipamento. “A nossa relação passa agora a ser regular e não esporádica”, informou o diretor, acrescentando que haverá também “cumplicidades na programação de teatro, assim como noutras disciplinas artísticas”.
    O grupo de teatro residente já tem, em fase de ensaios, a peça “Ajax, regresso(s)”, um inédito de Jean-Pierre Sarrazac e que vai estrear em início de março. A peça, que terá publicação na coleção de livros do Teatro da Rainha, foi escrita sobre os trágicos acontecimentos do conflito armado na região da Bósnia e Herzegovina, no início da década de 1990. E na verdade,”não está longe dos conflitos atuais como os da Ucrânia, Síria ou Iémen”, referiu.
    Haverá ainda, ao longo de 2023, mais criações como “Prantos, lamentos, Loas e Pregões” de Gil Vicente e “SNS” de Henrique Fialho. Este último será inspirado na figura de São Martinho e também no livro do Compromisso da Rainha Dona Leonor. Também com encenação de Mora Ramos, está prevista a criação “Antigonick” de Anne Carson.
    Ainda em janeiro de 2023, a Sala Estúdio do Teatro da Rainha acolherá, dia 28, a peça “Laços”, de Daniel Keene, com encenação de Luís Varela e interpretações de Filipe Seixas, Inês Rocha, Marisela Terra, Rolando Galhardas e Rui Ramos, numa produção da Companhia de Teatro Baal 17. Será o primeiro de outros acolhimentos de grupos como o Teatro Noroeste ou do Teatro das Beiras.

    Armando, Pacheco e Natália
    No âmbito de Diga 33 – Poesia no Teatro, já no dia 24 de janeiro, pelas 21h30, organiza um encontro dedicado à obra do escritor irlandês James Joyce, o autor de “Ulisses”, originalmente publicado em 1922. Para falar deste tema, o convidado será Abílio Hernandez Cardoso, doutorado em Literatura Inglesa pela Universidade de Coimbra com dissertação sobre James Joyce intitulada “De Ítaca a Dublin: Ulysses ou a odisseia da palavra”.
    Segundo Henrique Fialho, que fez a apresentação do ciclo, algumas das sessões poéticas passam agora para o CCC e decorrerão no pequeno auditório e também nas salas multiusos. Estão previstas sessões sobre o editor Fernando Ribeiro de Mello (que incluirá a apresentação do documentário “Editor Contra”), e a iniciativa “4 Autores à Procura de Vozes”, projeto que juntará Cecília Ferreira, Elisabete Marques, Manuel Portela e Henrique Fialho, que vão partir em busca de uma ficção em cena. Vai realizar-se um colóquio sobre Armando Silva Carvalho, escritor natural do Olho Marinho e uma sessão dedicada a Luiz Pacheco, editor e escritor “maldito”, que viveu vários anos nas Caldas. Está também previsto um recital de poesia erótica, a partir da recolha de Natália Correia.

    150 mil euros para o CCC
    Presentes na sessão estiveram o presidente da Câmara, Vítor Marques, e o diretor do CCC, Mário Branquinho. Ambos reafirmaram o trabalho em parceria que agora se aposta nas Caldas e que deve continuar na união das várias entidades. Ambos sublinharam a importância deste novo ciclo que une o Teatro da Rainha ao CCC. O edil caldense deu a conhecer que o centro cultural vai receber um apoio aprovado pela DGArtes, no valor de 150 mil euros, e que se destina à aquisição de equipamentos próprios para cinema digital.
    No final, Vítor Marques afirmou que irá reunir em breve com o arquiteto Nuno Lopes, – autor do projeto inicial para o novo espaço do Teatro da Rainha – “pois é preciso revisitar o projeto”.
    O aumento do custo dos materiais e as novas obrigações legais obrigam à revisão da obra. “Até abril contamos ter uma ideia para podermos dar o passo seguinte”, disse o presidente, reafirmando a vontade do executivo na construção do novo espaço.
    A música ao vivo fechou a iniciativa com a atuação de Henrique Fialho (voz e guitarra elétrica), Miguel Costa (guitarra elétrica), Daniel Pinto (baixo) e António Freitas (bateria) e convidados. ■

    A sala-estúdio deste grupo encheu-se de gente que ficou a conhecer o que fará o Teatro da Rainha, a companhia teatral da cidade e que vai celebrar 38 anos
  • Teatro: Florbela Queiroz e Natalina José trazem revista aos Pimpões

    Na sexta-feira, 27 de janeiro, pelas 21h00, será representado o teatro de revista à portuguesa “Olha que Duas”, liderada pelas veteranas Florbela Queiroz e Natalina José, onde não faltarão rábulas onde se mistura a crítica social e política, a sátira, o humor e a atualidade. Os bilhetes para esta peça estão à venda na secretaria dos Pimpões e podem ser reservados para através dos telfs. 917791497 ou 912948950. ■

  • “Vila Maria” é o novo livro de Miro Cardoso

    “Vila Maria” é o novo livro de Miro Cardoso

    História de paixão, morte, intriga e terrorismo dá mote ao novo livro de Miro Cardoso, que vive no Nadadouro

    Miro Cardoso apresenta o seu novo livro no próximo sábado, 14 de janeiro, pelas 16h00, na Biblioteca Municipal. Designa-se “Vila Maria” (Cinco Livros) e trata-se de uma trama que se passa em Ponte de Lima. “Já vendi vários exemplares não só para alguns amigos cá como em vários países estrangeiros”, referiu o autor, de 68 anos, que também se dedica à escrita poética.
    Este é já o terceiro livro deste poveiro, que emigrou para França, onde trabalhou na construção civil, e, após uma viagem a Ponte de Lima, decidiu situar a sua nova narrativa naquela localidade, banhada por um rio e com várias casas senhoriais. Uma destas últimas, tem como herdeira Alice, que teve a ideia de a transformar num alojamento local. Assim, em “Vila Maria” vai hospedar-se Carmen, uma espanhola que é uma das personagem principais desta narrativa. pois vai aparecer morta no rio Lima. A trama do livro vai centrar-se na descoberta de quem matou esta mulher. Terá sido o marido ou o jovem amante, Tó, “que adorava Carmen, que era uma mulher muito linda?”, descreveu o próprio autor que, com esta narrativa, se estreia nos romances policiais. Da trama, passada no Norte do país ainda faz parte um grupo terrorista, que é oriundo da Galiza.
    “Quando estava a escrever, a minha história parecia quase um filme!”, disse Miro Cardoso, também autor de outras livros como “Poemas de Amor” e “Histórias de Uma Vida”. Neste último, conta acontecimentos relacionados com a sua própria vida como o facto de ter sofrido um acidente vascular cerebral (AVC) em 2011, altura em que ainda vivia emigrado em França. O seu casamento também terminou nessa data e a obra centra-se em como foi recuperar do seu problema de coração, que lhe paralisou o lado direito. Nessa recuperação, Miro Cardoso revela que as suas caminhadas à beira-mar na Foz do Arelho foram terapêuticas e essenciais para que ele tivesse conseguido recuperar a sua autonomia.
    Tal como em relação à sua obra anterior, este antigo proprietário de cafés volta a dizer que não pretende usufruir dos lucros obtidos com as obras. Pagos os custos, o restante servirá para ajudar o seu neto, que “sofre de autismo profundo”.
    Este autor continua dedicado a escrever uma obra sobre as vivências passadas em Angola. “Nunca lá estive mas estou a pesquisar e a recolher testemunhos de quem lá combateu e viveu vários anos”, rematou o autor que vive no Nadadouro onde também se dedica a pintar. Em relação à escrita, o autor disse à Gazeta das Caldas que, em breve, se vai dedicar a escrever um livro que se vai passar nesta região. ■

  • CCC lotado no concerto de Ano Novo da BCI

    CCC lotado no concerto de Ano Novo da BCI

    Auditório esteve “à pinha” no regresso do concerto da banda que inicia a celebração do 75º aniversário

    Não cabia mais ninguém no Grande Auditório do CCC, na tarde do dia 7 de janeiro. Gente de todas as idades juntou-se para assistir ao retorno do concerto de Ano Novo da Banda Comércio e Indústria (BCI), que, este ano, assinala o 75º aniversário.
    “Foi muito bom poder retomar esta atuação e iniciar em grande as comemorações do aniversário”, disse, no final da atuação, Adelino Mota, o maestro da BCI, acrescentando que o retorno levou vários meses de preparação. “Este concerto é sempre especial para nós, que o fazemos com amor, carinho e entrega”, acrescentou o maestro, que esteve com os seus músicos a ensaiar no centro cultural desde sexta-feira, dia 6.
    Na atuação não faltaram conhecidas valsas, polcas e marchas cuja interpretação até foi ritmada com palmas do público, ensaiadas, com rigor, pelo próprio maestro. Do repertório fez parte “Pecten Maximus”, de Nelson Jesus, um dos novos compositores mais premiados da atualidade, que foi executante e professor de saxofone e ofereceu esta peça à BCI. Também se ouviu “Abertura a D. Leonor”, uma peça encomendada pela BCI a Lino Guerreiro, que a compôs em homenagem à fundadora das Caldas, Um dos momentos altos do concerto foi a interpretação do tema “Highland Cathedral”, com a atuação dos convidados Joaquim António Silva e Ana Silva, que trouxeram ao concerto os sons da gaita de foles. Ele é multinstrumentista e toca gaita de foles desde 1985, tendo ensinado a filha, Ana, há uma década. Ambos fazem parte de outros grupos musicais como os Jogralesca, que se dedica à música medieval e do Renascimento e que se ouviu, neste Natal, no Museu Malhoa.
    “Foi a primeira vez que atuámos com a BCI e correu muito bem”, referiram os músicos, que chegaram ao palco vindos da plateia e subiram, cada um do seu lado, ao local de atuação. Ambos já conheciam esta peça, que acabou por ser repetida durante esta atuação e fortemente aplaudida pelo público nas duas vezes em que foi interpretada.
    A programação de celebração da BCI, que se designa “75 Anos ao Serviço da Cultura”, estende-se a todo o ano. Decorrerá um concerto especial que está a ser calendarizado pelo grupo em conjunto com as entidades da cidade. Margarida Louro, que é docente e também uma das executantes da BCI é ainda a autora do livro que conta o percurso desta banda caldense, rejuvenescida com dezenas de jovens músicos. ■

  • Jovens artistas destacam-se em concurso da CGD

    Adriana Proganó e João Gabriel, formados na escola de artes caldense, vão ter obras na coleção da Caixa Geral de Depósitos

    Em 2022 foi lançada a 1ª edição do Concurso Caixa para Jovens Artistas, iniciativa que pretende estimular a jovem produção artística na área das artes visuais, de artistas com idades entre os 25 e os 35 anos. A esta iniciativa da Caixa Geral de Depósitos concorreram e foram escolhidos os artistas plásticos Adriana Proganó e João Gabriel, que se formaram na ESAD.CR.
    No âmbito deste concurso são adquiridas obras destes artistas, que assim passam a integrar a Coleção de Arte Contemporânea da Caixa Geral de Depósitos, gerida pela Culturgest.
    Além dos dois autores ligados à escola de artes caldense foram igualmente escolhidos Dayana Lucas, Fernão Cruz, Igor Jesus, e Sara Mealha. Nesta 1ª edição serão adquiridas obras num valor global de 48.000€.
    Adriana Praganó nasceu na Suíça e estudou na ESAD.CR entre 2013 e 2017, onde experimentou instalação, performance, escultura, animação e cerâmica. A artista, que atualmente vive e trabalha em Lisboa, fez Erasmus (2018-2019), na Accademia di Belli Arti (Veneza), onde acabou por escolher dedicar-se à pintura. A autora foi vencedora do Prémio EDP – Novos Artistas em 2022.
    Por seu lado, João Gabriel é natural de Leiria, mas ficou nas Caldas após ter acabado o seu curso de Artes Plásticas, também na ESAD.CR. “É um grande incentivo e um reconhecimento do meu trabalho. Foi muito bom”, disse o artista, que tem espaço nos ateliês municipais.
    O artista é representado pela Galeria Lehmann Silva, no Porto, onde, aliás, ainda tem uma exposição individual até ao próximo dia 14 de janeiro. João Gabriel teve um 2022 “em grande” com exposições num museu na Alemanha e numa galeria em Taipei, em Tawain. No final do ano, o pintor foi um dos convidados da conferência sobre Caldas, Cidade Criativa organizada pelo Teatro da Rainha. No evento, salientou a necessidade de apoio, por parte dos poderes locais, para o arrendamento de espaços de trabalho para jovens autores que terminam a sua formação na cidade termal e que pretendem ficar por cá. ■

  • Concerto comentado da Sipo a 14 de janeiro no Museu de José Malhoa

    Concerto comentado da Sipo a 14 de janeiro no Museu de José Malhoa

    O Museu José Malhoa recebe, no próximo sábado, 14 de janeiro, pelas 16h00, o Ciclo de Concertos Comentados da SIPO (Semana Internacional de Piano de Óbidos).
    A iniciativa, realizada em parceria com a ACIM (Associação de Cursos Internacionais de Música de Óbidos), trará às Caldas da Rainha o Duo Luís Meireles (flauta) e Maria José Souza Guedes (piano), que são reconhecidos músicos portuenses e que se encontram em atividade permanente desde 1996.
    No concerto, o Duo apresentará obras de Reinecke e J. Brahms, e o público caldense poderá assistir à atuação desta dupla, que se tem apresentado regularmente em Portugal e no estrangeiro, em prestigiados festivais internacionais e importantes salas de espetáculo.
    Luís Meireles e Maria José Souza Guedes já realizaram várias centenas de concertos, em 23 países europeus.
    Este evento será ainda o primeiro do ciclo “CCC fora de portas” que desta forma se alia ao Museu de José Malhoa, à SIPO e também à ACIM, numa política de cooperação e de trabalho em rede com o concelho vizinho.
    As entradas são gratuitas, porém estão limitadas à capacidade de lotação do espaço.
    Para mais informações ,contactar através do e-mail mjosemalhoa@drcc.gov.pt. ■

  • Malhoa lotado para ouvir os coros a entoar canções dos Reis

    Quatro coros da cidade trouxeram música e alegria ao museu do pintor caldense, celebrando, assim, o Dia de Reis

    O Museu de José Malhoa abriu portas, a 7 de janeiro, para o habitual Concerto de Reis. A Sala Malhoa esteve completamente lotada, sobretudo de familiares e amigos dos muitos coralistas que atuaram na tarde do passado sábado, numa organização do museu e da Liga dos Amigos.
    “Este é o primeiro sábado do ano e é importante começar o ano com arte e cultura”, disse Nicole Costa, a diretora do Museu, que, tal como a representante da Liga dos Amigos, Eugénia Oliveira, fez votos de um bom 2023 a todos os presentes. na iniciativa
    O primeiro grupo a atuar foi o Coro Infantil do Conservatório das Caldas. Os vinte “mini-coralistas” trouxeram os temas “Vê o girassol” e “Eu tenho um amigo”, ambas de Margarida Fonseca Santos. Também interpretaram um tema de Fernando Lopes Graça, sobre o vento e a chuva e que já tinha feito parte de um espetáculo que o Conservatório organizou sobre o Tempo.
    Muito aplaudida foi, também, “Canção à espera de palavras”, que resultou de um projeto do compositor e pianista Mário Laginha em que este convidava os alunos de escolas de todo o país a criarem uma letra para esta sua melodia.
    E foi o que fizeram os alunos do Conservatório das Caldas, que a deram a conhecer neste Concerto de Reis, coordenado pelos docentes Márcia Santos e Fábio Guia (piano), que informaram que nos planos deste coro infantil está a participação nas atividades da própria escola de música.
    A segunda atuação da tarde coube ao Orfeão Caldense, que já soma 88 anos de existência. Liderado por Ruth Horta, o grupo trouxe canções que ensaia às quartas-feiras à noite, no espaço da Biblioteca. Começou pelas “Boas Festas” da Beira Baixa, “A noite de Natal”, um tema típico de Castelo Branco. Entre outras, foram entoadas canções natalícias do Fundão e um outro tema de Elvas. Por fim, ouviu-se “A linda Noite de Natal”, um conhecido tema do Algarve.
    “Apostamos, sobretudo, na interpretação de temas da música popular portuguesa e quase que demos a volta ao país”, referiu a maestrina, que gostava de no futuro ter mais coralistas no Orfeão e que crê que a próxima atuação do grupo seja por altura do 25 de Abril.
    O Coral das Caldas da Rainha interpretou duas peças do século XVI, uma em latim e uma outra em italiano. Vinte elementos deste grupo entoaram também uma cantiga de Reis, descoberta pelo etnomusicólogo José Alberto Sardinha, nos anos de 1980, em Peniche. Este autor foi responsável por uma recolha de temas da Estremadura. Uma das mais aplaudidas foi a canção “Batuque natalino do menino só”, uma peça da compositora brasileira Ana Yara Campos, cheia de ritmo e que trouxe notas de rap ao concerto.
    “Gostaríamos de ter mais jovens a entrar para o coro”, disse Joaquim António Silva, recordando que o grupo ensaia às terças feiras, das 21 às 22h30, no auditório da Escola Bordalo Pinheiro. O Coral das Caldas, que voltará a atuar no 25 de Abril, quer organizar o Encontro de Coros, na cidade, algo que deixou de se fazer por causa da pandemia.
    O Concerto de Reis foi encerrado com a atuação do Coro da Casa do Pessoal do Hospital das Caldas, que trouxeram alegria e ritmo, entoando várias canções de música portuguesa bem diferentes entre si. “Chora Carolina”, “Barco Negro” e “Pronúncia do Norte”, canção que une os GNR com Isabel Silvestre. Este grupo, liderado pelo enfermeiro Júlio Branco, fez 20 anos em 2021 mas não foi possível celebrar a data. Querem regravar algumas das suas canções e celebrar condignamente este aniversário com a realização de um espetáculo.
    Também está previsto participarem no Encontro de Grupos Corais dos Hospitais, que está agendado para o mês de maio na Galiza. ■

  • Festival: Alunos da ESAD.CR apresentam Connectfest na cidade

    Festival: Alunos da ESAD.CR apresentam Connectfest na cidade

    A edição de 2023 do festival ConnectFest, que é organizada por alunos finalistas de Som e Imagem, vai decorrer nos dias 16 e 17 de janeiro no CCC com mostra de filmes e exposições que se vão realizar no pequeno auditório e no foyer. A 19 de janeiro vão realizar-se concertos e performances na antiga Fábrica Bordallo Pinheiro, que serão apresentados por autores da escola de artes caldense como por outros artistas do exterior.

  • Aguarelas das Caldas e de Óbidos na Praça

    Aguarelas das Caldas e de Óbidos na Praça

    Citrus acolhe uma mostra de pinturas de Ana Rita Manique, autora que estuda na ESAD.CR.

    A exposição no Citrus – Coffee and Healthy Food conta com aguarelas das Caldas e de Óbidos. A sua autora, Ana Rita Manique, apresenta pinturas que retratam a Praça da Fruta e também vários recantos de Óbidos. Da vila vizinha, a artista destaca aspetos da sua arquitetura caraterística, salientando as casas caiadas com as barras azuladas.
    A autora pintou também vistas para a paisagem, captando os telhados em tons de ocre, “onde se avista a lonjura das muralhas do castelo, até à cidade das Caldas”.
    Já na cidade termal, Ana Rita focou-se na Praça da Fruta com os habituais vendedores “que nos recebem diariamente com os seus produtos frescos e coloridos”, disse a autora, licenciada em Artes Plásticas e investigadora do Laboratório de Investigação em Artes e Design (ESAD.CR).
    À parte dos projetos académicos, a autora realiza aguarelas dos locais onde se desloca pois leva consigo o seu diário gráfico onde regista, pelo skecth, o quotidiano. “Tenho aliado a componente artística com o design, criando diferentes produtos como os postais, o pack de postais das Caldas e Óbidos”, disse Ana Rita Manique à Gazeta das Caldas, acrescentando que não lhe faltam ideias para criar outro tipo de produtos e packagings. “É importante conseguirmos ser versáteis e criativos”, referiu a autora que usa as artes, o design de produto e o design gráfico nos seus trabalhos.
    Ana Rita Manique está também a tirar o seu mestrado em Design de Produto e da sua investigação faz parte o desenvolvimento de objetos que explorem diferentes formas de relação entre ser humano e paisagem natural. Como investigadora, o seu projeto insere-se na área da tipografia, onde desenvolve caracteres móveis de madeira, para impressão tipográfica. O objetivo centra-se “na investigação e adaptação de tecnologias antigas de fabrico de tipos em madeira, para reprodução em contexto académico”, referiu Ana Rita Manique que responde a encomendas de aguarelas e também coordena workshops. Dedica-se à ilustração de arquitetura e a projetos em que desenvolve imagens que permitem a visualização de espaços, aliando o desenho e a aguarela ao acabamento em digital. Estas ilustrações são pedidas por empresas de arquitetura, de design de interiores e de construção “que pretendem transmitir e apresentar as suas ideias através da ilustração”.
    A artista – que ganhou o prémio da 8ª edição do espaço “Cubos das Tentações”, no Festival Internacional de Gravura e Arte sobre Papel de Bilbau (FIG Bilbau), em Espanha em 2021- está já a preparar o Live Sketching, serviço em que se desloca para retratar, de forma artística, um evento, seja um casamento, batizado ou qualquer outro tipo de celebração. “O desenho ao vivo capta de forma expressiva o ambiente e pessoas, oferecendo através desta experiência uma forma única de registar os momentos”, rematou a artista.

  • Pedro Lobo vence Mostra de Jovens Criadores

    Pedro Lobo vence Mostra de Jovens Criadores

    Estudante da ESAD.CR destacou-se na área da cerâmica com a ousada coleção designada “Kinky Ceramics”.

    O designer Pedro Lobo foi um dos 15 vencedores da Mostra Nacional Jovens Criadores (MNJC), que terminou em dezembro, com uma cerimónia de entrega de prémios em Almada.
    A MNJC foi organizada pela primeira vez pela plataforma portuguesa independente de jornalismo, cultura e educação, numa parceria com a Câmara de Almada. O concurso contou com mais de uma centena de participantes, de entre os quais o júri selecionou oito finalistas de cada categoria – desde arte digital, teatro, humor, moda, pintura e arte urbana – para, posteriormente, selecionar os melhores trabalhos.
    Os vencedores ganharam mil euros, uma entrevista na plataforma Gerador, descontos num curso da Academia Gerador durante um ano e uma assinatura como Sócio Gerador e um Cartão Jovem.
    “Fiquei muito feliz quando soube que fui o vencedor na área da cerâmica. Tenho recebido muitos contactos nacionais e até internacionais”, disse Pedro Lobo à Gazeta das Caldas.
    Quando chegou às Caldas, o autor, natural de Minde, notou a vertente sexual que possui a cerâmica tradicional da cidade, desde os manguitos do Zé Povinho até ao Falo. E é neste âmbito que surgiu a ideia da coleção Kinky Ceramics, constituída por peças tradicionais, às quais são feitas modificações com artefactos de BDSM, “numa tentativa de desconstruir a barreira da aversão da sociedade, perante a cultura do fetiche”, disse o designer, que, para realizar este projeto, teve de pesquisar bastante, contactar sex shops e pessoas que se dedicam a estas práticas.
    “O design tem um papel fulcral na mudança de mentalidades, deve provocar a mudança na sociedade conservadora”, disse o criativo, acrescentando que as suas obras aludem ao universo BDSM, explicando que a sigla significa bondage, disciplina e sadomasoquismo, ou seja, é o prazer erótico que as pessoas sentem em causar e suportar dor, exercer domínio, punir e humilhar durante o sexo. O BDSM é frequentemente associado a adereços e acessórios feitos de metal, vidro, couro e algodão.

    Peças recusadas em eventos
    “Sei que não trabalho um tema fácil e já recebi vários nãos. Concorri a uma feira de design alemã e recusaram justificando que a minha temática é complicada para ser abordada em certos sítios”, revela o autor, que diz que estas recusas lhe têm dado força para continuar. De resto, recebeu logo nota positiva quando se candidatou à área da cerâmica na Mostra dos Jovens Criadores, concurso que estimula novos autores desde 1997.
    A coleção com que Pedro Lobo concorreu divide-se em três: “Rope play”, “Impact play” e “Gag play”. “Rope play” consiste na aplicação de cordas sobre a cerâmica, recriando os padrões típicos da arte do shibari, uma técnica japonesa erótica que tem por base a imobilização através do uso de cordas.
    “Impact play” implica a demarcação da cerâmica através do impacto de objetos slap. Nas peças “Gag play” aplicaram-se nas obras gag balls.
    O artista considera que o próprio design “deve ser disruptivo e deve contribuir para que as mentalidades possam mudar”. Na sua opinião, cabe à própria disciplina “através do uso de propostas especulativas, tentar desafiar suposições e preconceitos, levantando questões sobre o papel que certos objetos têm no quotidiano”. Pedro Lobo considera que estas temáticas relacionadas com as práticas sexuais não são devidamente exploradas, “deixando as pessoas com vergonha de expor os seus fetiches, o seu corpo, os seus parceiros”.
    Sendo a tradição uma parte fulcral deste projeto, todas as peças são conformadas através da técnica de olaria. Foram feitas por Miguel Neto, ceramista que tem tido um papel importante no desenvolvimento deste projeto, “não só pelas suas capacidades de oleiro, mas por eu ainda não ter as capacidades de um artesão com 30 anos de experiência, que acaba por trazer a autenticidade da cerâmica tradicional”, referiu Pedro Lobo a quem cabe a aplicação, a deformação e finalização das peças da coleção. Estas últimas foram feitas com pastas que toleram cozeduras de alta temperatura (1270º C) e, assim, as obras que ganham formas de contentores versáteis e não necessitam de vidrados.
    É também uma forma de assumir o aspeto mais natural do barro, nos seus vários tons,“tal como acontece com a pele humana”. Na coleção existem algumas peças em barro vermelho vidrado, por terem sido as primeiras experiências e por ser uma pasta típica de se encontrar na olaria tradicional portuguesa.
    O estudante da ESAD.CR já expôs na escola, no Caldas Late Night e em alguns certames internacionais ligados à entidade, como no Salone Satellite na Semana do Mobile, em Milão (Itália) e também na Semana do Design em Viena (Áustria). Algumas destas obras foram adquiridas por compradores internacionais.
    Pedro Lobo pretende concluir o mestrado e, provavelmente, prosseguirá estudos académicos para doutoramento pois, no futuro, gostaria de dar aulas. Anseia ainda poder trabalhar no seu país, também gostaria de dar a conhecer esta coleção arrojada ao público desta região.

     

    Perfil

    Pedro Lobo
    designer

    Recém-licenciado em Design Industrial e atualmente a frequentar o mestrado em Design de Produto na ESAD.CR. Um dos responsáveis pela oficina cerâmica da escola. A desenvolver tese de mestrado e a investigação baseia-se no papel do design na sociedade e em como este pode ser um agente transformador, na procura de uma mentalidade mais progressista. Considera-se um ativista em relação às problemáticas da sociedade e o seu trabalho projetual é de manifesto

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